ANA
CRISTINA CHALITA
Engenheira civil formada pela USP (Universidade de São Paulo)
em 1989 e com pós-graduação em administração
de empresas na Faap (Fundação Armando Álvares Penteado).
Hoje faz mestrado na USP na área de tecnologia em engenharia
civil. Fez estágio na Companhia do Metropolitano e foi engenheira
da Racional Engenharia por cinco anos. Em 1995 foi para a Cyrela. Começou
trabalhando como engenheira residente, cargo exercido por cerca de nove
anos. Participou da montagem do departamento de qualidade e desenvolvimento
tecnológico da Cyrela. Após trabalhar para a empresa obter
a primeira certificação ISO 9001, foi para a área
de projetos. O objetivo de sua ida para o departamento de projetos foi
trazer o conhecimento técnico e do processo construtivo para
o momento de projetar.
Uma das principais diferenças, apontadas à exaustão,
da construção civil para a indústria convencional,
principalmente a automobilística, diz respeito à impossibilidade
de fazer protótipos, ensaios e testes nos produtos. O próprio
caminho trilhado durante muito tempo pelo setor foi ilustrado por problemas
com projetos, improvisos durante a execução e ausência
de métodos, principalmente de sistemas. Já há algum
tempo há esforços e iniciativas que refletem a organização
setorial e que buscam mudar essa imagem, tornando as construtoras mais
produtivas e competitivas. À imagem e semelhança da indústria
em série, os projetos ganham cada vez mais importância e
tornam-se imprescindíveis para o planejamento e a definição
de processos. Surge, então, a necessidade de sofisticar a coordenação
e a compatibilização de projetos de diferentes especialidades,
além de se tornar essencial garantir que o que foi planejado aconteça
de fato. O profissional coordenador de projetos passa, então, a
participar do processo desde o momento da incorporação,
para auxiliar na definição técnica do produto. Os
sistemas de desenvolvimento de projetos, como o BIM (Building Information
Modeling), vêm para aumentar a agilidade na percepção
de interferências durante a fase de concepção. Gerente
de projetos de uma das maiores construtoras do País, Ana Cristina
Chalita explica porque é estratégico cuidar da coordenação
e inserir o ponto de vista técnico já na incorporação
e no lançamento do empreendimento.
Qual a função de um coordenador de projetos?
É um profissional que define desde diretrizes técnicas do
empreendimento até o planejamento do desenvolvimento do projeto.
Gerencia as equipes e coordena os trabalhos porque é importante
que todos trabalhem ao mesmo tempo e no prazo adequado. Também
faz a compatibilização dos projetos, analisando interferências
entre as diversas especialidades. Na Cyrela focamos também os projetos
para a produção, o "como" fazer os serviços.
Esse trabalho começa antes mesmo da obra?
Depois da compra do terreno a área de coordenação
de projetos atua em conjunto com a incorporação na fase
de desenvolvimento do produto. Fazemos toda a análise e desenvolvimento
técnico dos projetos ainda em fase de licenciamento junto à
prefeitura, antes do lançamento.
Qual a diferença para o que acontecia no passado?
Nem todas as empresas são incorporadoras e construtoras, como ocorre
na Cyrela. Então era costume a incorporadora viabilizar o negócio
e depois ir ao mercado buscar uma construtora. Ou seja, a equipe de engenharia,
que ia construir depois, não participava da definição
do produto. Hoje, com base na definição do padrão
e do valor de comercialização, a coordenação
de projetos sabe o que o empreendimento pode ter tecnicamente e contribui
para que seja construído dentro do custo que viabilizou o negócio.
É uma atuação mais voltada ao produto, então?
Desenvolvemos estudos preliminares de todas as especialidades antes do
lançamento. Antes recebíamos uma planta aprovada da prefeitura
e chamávamos os projetistas para trabalhar. No entanto, o cliente
não era tão exigente e não se importava se, na entrega,
tivesse um detalhe que não aparecia em planta. Hoje é um
problema se qualquer material de divulgação tiver informações
diferentes do que for entregue. Por isso as construtoras e incorporadoras
têm uma preocupação maior de entregar um produto que
seja fiel ao que foi apresentado ao cliente.
Que cuidados são tomados com o material de divulgação?
Verificamos a viabilidade da planta e do projeto do apartamento decorado
e olhamos a maquete junto com a área de incorporação,
avaliando as questões técnicas. Nosso foco é a garantia
do custo e da fidelidade das informações.
Quanto tempo há para fazer tudo isso?
Normalmente há pouco tempo. O ideal seria ter seis meses, mas esse
trabalho, que garante o custo e a técnica, tem que ser feito em
três porque não pode atrapalhar a velocidade de lançamento.
É uma arte contar com a participação dos projetistas
nessa etapa, ainda mais num mercado aquecido como está. Embora
o escopo seja o mesmo, é como se adiantássemos um trabalho
que só fazíamos depois do lançamento.
Os trabalhos de engenharia de produção começam
depois?
Não totalmente. Para a concepção do projeto de vedações
eu chamo também o projetista de fôrmas, por exemplo. Se ele
conseguir visualizar alguma mudança que aumente a produtividade
na execução da estrutura, é nessa hora que temos
que mudar. Nessa fase os profissionais atuam como consultores, analisando
e emitindo relatórios sobre o que pode ser mudado para aumentar
a produtividade.
É necessário fidelizar projetistas?
Nós fidelizamos porque uma característica da Cyrela é
não fazer concorrência de projeto. Há um patamar de
valor que pagamos e para cada empreendimento chamo o parceiro que acredito
ter o perfil mais adequado. São pessoas em quem confiamos e que
já conhecem nossos processos.
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