Nas últimas décadas as lajes alveolares protendidas se
tornaram os elementos pré-fabricados de maior aplicação
em todo o mundo. Entretanto, no Brasil ainda não existe uma normalização
específica que oriente a padronização de projeto
ou mesmo que estabeleça os critérios necessários
de desempenho para a realização de ensaios de controle de
qualidade, visando a certificação desse produto.
Neste artigo é apresentado o procedimento padronizado de ensaio
ao cisalhamento para lajes alveolares pré-fabricadas de concreto
protendido, seguindo as recomendações da FIB (CEB-FIP) e
da norma EN 1168/2005. São descritos de forma resumida os procedimentos
de ensaio, sendo também apresentadas algumas considerações
sobre os critérios de projeto e de aceitabilidade em relação
à produção.
Para verificar a aplicação desse método de ensaio
no Brasil, realizou-se um estudo experimental que envolveu pesquisas de
pós-graduação desenvolvidas no Netpre-UFSCar (Núcleo
de Estudos e Tecnologia em Pré-moldados de Concreto da Universidade
Federal de São Carlos) em conjunto com a Cassol Pré-fabricados,
pelo convênio entre a UFScar e a Abcic (Associação
Brasileira da Construção Industrializada de Concreto). Foram
realizados ensaios em elementos de lajes sem capa, com capa e com preenchimento
de alvéolos. Os resultados experimentais são comparados
com critérios de cálculo de acordo com a NBR 6118/2003 e
EN 1168/2005. Cabe salientar a importância da identificação
e rastreabilidade do produto que possibilitou a recuperação
de todos os dados obtidos nas inspeções e ensaios durante
a produção: Qualificação e análise
de desempenho dos materiais componentes do concreto e aço, traço
e dosagem das misturas utilizadas, desvio-padrão do concreto, resistência
de liberação 21,0 MPa para desprotensão em 24 horas,
resistência à tração, módulo de elasticidade
do concreto, controle dimensional em relação às tolerâncias
estabelecidas em norma, relatório de alongamento dos cabos, acompanhamento
da curva de cura a vapor compatível com as recomendações
para elevação gradativa de temperatura, período constante
e resfriamento.
Finalmente, é apresentada uma análise dos resultados encontrados
com algumas considerações dos autores.
Introdução
A normalização em relação aos elementos estruturais
pré-moldados foi recentemente revisada, tendo como principais aspectos:
adequação à NBR 6118/2003 e à NBR 9062/2006,
durabilidade, estrutura em serviço, estabilidade global da edificação,
controle de qualidade, segurança e economia. Entretanto, no Brasil
ainda não existe uma normalização específica
para lajes alveolares que oriente a padronização de projeto
ou mesmo que estabeleça os critérios necessários
de desempenho para a realização de ensaios de controle de
qualidade, necessários para a certificação desse
produto.
De acordo com a literatura técnica internacional, as lajes alveolares
podem apresentar diferentes mecanismos de ruptura: a) falha por perda
da ancoragem; b) falha por cisalhamento (tensão no ponto crítico
da nervura superior à resistência de tração
do concreto); c) falha por cisalhamento em região fissurada (com
efeito combinado de cisalhamento, flexão e escorregamento); d)
falha por cisalhamento combinado com torção (em peças
que não são planas); e) falha por flexão (ELU), com
possibilidade de escorregamento da armadura ativa próximo à
ruptura; f) falha por interação dos mecanismos de flexão
e cisalhamento (em peças curtas com carregamentos altos).
Segundo várias pesquisas ao longo do mundo, o principal parâmetro
a ser considerado no projeto das lajes alveolares protendidas é
a resistência à tração do concreto, principalmente
pelo fato de que a mesma é considerada no cálculo da resistência
ao cisalhamento, onde a armadura transversal é dispensada. Segundo
o "Manual de Qualidade para Lajes Alveolares" da FIP (1992),
a resistência à tração efetiva do concreto
em uma laje alveolar é altamente dependente da forma geométrica
dos alvéolos, do traço de concreto e do método de
produção.
Em geral essas lajes possuem capas de concreto acima de 5 cm para formar
uma seção composta visando o aumento da capacidade da resistência
à flexão. Por outro lado, desde que seja garantida a aderência
entre a capa e a superfície da laje junto ao apoio, essa capa pode
contribuir para o aumento da capacidade da resistência ao cisalhamento.
Para as situações correntes de projeto no Brasil as lajes
alveolares mais utilizadas são as de 150 mm e 200 mm de altura,
enquanto que na Europa e nos Estados Unidos são comuns as aplicações
de lajes alveolares entre 265 mm e 500 mm de altura. Por essa razão,
nem sempre os mecanismos resistentes críticos presentes nas lajes
de maior altura serão compatíveis às situações
de projeto encontradas no Brasil. Sendo assim, a realização
de ensaios desse tipo de laje no Brasil é de grande importância
para que se ganhe um melhor entendimento do funcionamento, que por sua
vez também permite o aprimoramento de projeto.
Neste artigo é apresentado o procedimento padronizado de ensaio
ao cisalhamento para lajes alveolares pré-fabricadas de concreto
protendido, seguindo as recomendações do "Manual para
Projeto de Lajes Alveolares" da FIB (2000) e da norma EN 1168/2005.
São descritos de forma resumida os procedimentos de ensaio, sendo
também apresentadas algumas considerações sobre os
critérios de projeto e de aceitabilidade em relação
à produção.
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