 |
| Cruzamento das pistas leva ao entrelaçamento dos
estais sobre o rio Pinheiros. Altura do mastro foi determinada pelo
gabarito mínimo sob as rampas de acesso da avenida Jornalista Roberto
Marinho |
Dentre as estruturas mais altas da cidade, com um mastro de 138 m de
altura, a ponte estaiada Octavio Frias de Oliveira compõe o complexo Real
Parque e faz parte do projeto de reestruturação do sistema viário da capital,
mas que afeta todo o Estado de São Paulo. Para entender sua função é necessário
saber que, atualmente, o principal eixo de ligação da capital com o litoral
- e com o porto de Santos - é a congestionada avenida dos Bandeirantes.
Embora a conclusão do Trecho Sul do Rodoanel Mário Covas, em 2010, vá
absorver o tráfego de passagem e amenizar a pressão sobre essa via, é
com o prolongamento da avenida Jornalista Roberto Marinho (antiga Água
Espraiada) até a rodovia dos Imigrantes e com a transposição do rio que
se espera criar uma alternativa de fato à Bandeirantes. Localmente, a
13ª ponte sobre o rio Pinheiros também terá as funções de diminuir o volume
de tráfego no cruzamento das avenidas Luiz Carlos Berrini e Jornalista
Roberto Marinho, além de desafogar a ponte do Morumbi, que hoje recebe
os motoristas com destino ao bairro de Santo Amaro (veja quadro).
Naturalmente, a partir dessas solicitações, o traçado viário resultou
complexo. São duas alças para acesso direto entre a avenida Jornalista
Roberto Marinho e a pista expressa da Marginal do Pinheiros. Outras duas
pistas, as estaiadas, cruzam o rio Pinheiros. Para não criar gargalos
nem reduzir a velocidade de tráfego as pistas não poderiam se cruzar em
nível nem em trevo, como ocorre com a maior parte das demais pontes das
Marginais. O edital de concorrência exigia, então, duas pistas estaiadas
independentes, tendo a solução estrutural final resultado de um processo
de desenvolvimento contínuo iniciado a partir daí.
 |
| Ponto de saída e inclinação de cada estai considerou
o gabarito mínimo para circulação de veículos, melhor aproveitamento
da capacidade de sustentação de cargas verticais e minimização dos
esforços horizontais no tabuleiro |
RESUMO
Obra: Complexo Viário Real Parque
Cliente/gerenciamento: Emurb (Empresa Municipal de
Urbanização)
Execução: Construtora OAS
Localização: São Paulo
Construção: entre 2003 e abril de 2008
Custo total: R$ 233 milhões
Altura: 138 m
Pistas: duas com 16 m de largura e 290 m de extensão
cada
Cordoalhas: 374.350 m
Estais: 144 cabos; 462 t
Volume de concreto: 11.000 m3
Consumo de aço: 3.000 t
Para o projeto básico o engenheiro Catão Ribeiro, da Enescil Engenharia
de Projetos, propôs a construção de duas pontes estaiadas retas e apoiadas
em dois mastros, com o cruzamento das pistas ocorrendo próximo à Roberto
Marinho. Aprovado, começaram os questionamentos acerca da solução adotada.
Embora tecnicamente correta, as demandas por contraventamento dos mastros
independentes estimularam a busca por uma solução em que se contraventassem
entre si, apoiando-se um no outro. Além disso, "o traçado induzia a uma
ponte curva", diz Catão.
Projeto aprofundado
Os estudos exigidos para o projeto executivo trouxeram uma nova informação
para a equipe de projetistas da ANTW Engenharia de Projetos (veja quadro).
Perpendicular aos mastros e no ponto onde estes deveriam se apoiar está
enterrada a linha de transmissão Xavantes, a maior do País, com 345 kV
de tensão e que abastece um terço da metrópole. Essa linha fica sob a
estrada que margeia o rio, de propriedade da Emae (Empresa Metropolitana
de Águas e Energia), que não pode ser interditada. Transversal ao mastro
está uma rede de tubulações com 1.000 mm de diâmetro que controla a vazão
e eleva as águas do córrego Água Espraiada em direção ao rio Pinheiros.
Não existem outros espaços para apoio, pois de um lado há as linhas de
trem da CPTM (Companhia Paulista de Trens Metropolitanos) e do outro o
próprio rio.
Ao viabilizar uma estrutura única, o trato com as interferências foi
facilitado por diminuir a quantidade de vezes em que há influência entre
as partes. "Foi significativo para determinar a geometria do mastro, com
espaçamento dos blocos de fundação de forma a não interferir com a rede",
explicam os engenheiros Eládio Alves e Francisco Germano, da OAS. Para
as fundações foram executadas duas linhas de estacas-raiz tipo Hollow
Auger (sem utilização de água) e colocadas espessas placas de concreto
armado para que equipamentos pesados pudessem ficar sobre os cabos de
alta tensão.
Estruturas especiais foram criadas para evitar queda de materiais, mesmo
líquidos, sobre as linhas de trens, a Marginal ou no rio. Na margem esquerda
havia linhas de transmissão aérea da AES Eletropaulo. Por interferirem
no trajeto das alças de acesso foram realizados serviços de alteamento
que levaram a um acréscimo de R$ 20 milhões no valor do contrato. "Para
enterrar as linhas a empresa cobrava mais do que o dobro", explica Fabio
Godoy, da OAS.
Licitada inicialmente em R$ 148 milhões, houve acréscimos decorrentes
de inflação e de obras complementares, como o alargamento da Marginal
e a construção de uma alça para acesso direto ao Real Parque, a ser construída
após a inauguração da ponte.
PÁGINAS :: 1 | 2 | 3 | 4 | 5 | Próxima >>