Instalação
dos estais
A complexidade dessa etapa da obra iniciava com a topografia e a locação
dos tubos-fôrma, que deveriam ser as mais precisas possíveis. Esses tubos,
posicionados primeiro no mastro e depois no tabuleiro, foram concretados
juntamente com a estrutura, o que complicaria qualquer retrabalho. Após
a instalação desses elementos eram colocadas, com auxílio de grua, as
bainhas de PEAD (polietileno de alta densidade), que além de proteger
contra corrosão e radiação solar serviam de guia para a passagem das cordoalhas.
Uma flange metálica soldada faz a emenda da extremidade superior da
bainha com o tubo-fôrma do mastro. Na outra ponta, no tabuleiro, a conexão
é feita por intermédio de um tubo antivandalismo. Os tubos de estaiamento
foram passados um a um por dentro dessa bainha no sentido do tabuleiro
em direção ao mastro com auxílio de um guincho metálico no interior do
mastro.
Os cabos foram encunhados individualmente à ancoragem para o tensionamento.
Um macaco tipo monocordoalha, que tensiona cada cabo, realizava a protensão.
A quantidade de cabos em cada estai aumenta conforme a distância para
o mastro e a quantidade de força de cada conjunto varia entre 40 tf e
160 tf, aproximadamente. No total, são 18 pares em cada um dos quatro
vãos, totalizando 144 estais. Estes são compostos por nove a 25 cordoalhas,
o que leva a um consumo de 462 t de aço e a 374.350 m de cordoalha.

Prós e contras
A maior parte dos recursos para construção do complexo veio do leilão
de Cepacs (Certificados de Potencial Adicional de Construção). São títulos
de captação de recursos para financiamento de obras públicas. Os investidores
que os adquirem ganham o direito de construir além dos limites normais
em áreas que terão a infra-estrutura ampliada. Os recursos obtidos nesses
leilões só podem ser usados em obras específicas. Os cinco leilões de
Cepacs da Água Espraiada arrecadaram
R$ 102.808.720,00. Outros R$ 53.519.219,31 vieram da Siurb.
O edital de concorrência foi lançado e as primeiras obras foram iniciadas
durante a gestão da então prefeita Marta Suplicy.
A obra foi colocada em xeque no início do mandato de José Serra, quando
foram encomendadas análises técnicas aos engenheiros Fernando Rebouças
Stucchi e Augusto Carlos de Vasconcelos.
A constatação, segundo o engenheiro Catão Ribeiro, responsável pelo projeto
estrutural, foi de que, além do desgaste, os custos decorrentes da interrupção,
com inevitáveis quebras de contrato, seriam semelhantes aos da conclusão
da estrutura já existente. Tecnicamente, também seria caro adotar balanços
sucessivos. "Entraria num campo excepcional de uso dessa tecnologia.
A solução estaiada é cara porque não é de uso corrente", justifica.
Ainda assim, o meio técnico questiona a adoção de estais para vencer um
vão com menos de 200 m. Mesmo fatores estéticos, que poderiam ter pautado
a decisão da Emurb (Empresa Municipal de Urbanização), não são unanimidade.
Urbanisticamente, ainda, a obra é polêmica por se voltar ao transporte
individual e por não estar associada ao prolongamento da avenida Jornalista
Roberto Marinho. Confira as opiniões de arquitetos e engenheiros sobre
a obra.
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"Não concordo com soluções de médio
e longo prazo e custo elevado. E esse é um gasto inoportuno para uma
cidade com estigma de rica e comportamento de pobre. Poderia ter sido
adotada uma solução mais simples, com vãos menores. Além disso, como
a [avenida Jornalista] Roberto Marinho não tem continuidade, os benefícios
da obra são questionáveis"
Maurício Bianchi, engenheiro |
"A Marginal passou a ser um pólo
comercial nos últimos 20 anos, sendo um dos motivos para o congestionamento
em São Paulo a falta de pontes. Não acho que seja uma obra catastrófica,
e não tenho como avaliar se todo aquele volume de concreto é indispensável.
No entanto, talvez fosse o caso de pensar na possibilidade de uma
solução metálica, mais esbelta"
Sergio Teperman, arquiteto |
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"A escolha técnica foi suplantada
pela beleza e arquitetura. Soluções estaiadas são mais compatíveis
com vãos maiores, como as pontes do rio Tejo (Portugal). No entanto,
uma solução mais barata não ficaria tão bonita, e São Paulo estava
precisando de algo imponente, que acabasse com a mesmice das pontes
sobre o rio Pinheiros"
Virgílio Ramos, projetista estrutural |
"Certamente não é a solução mais
barata, mas um marco tem seu preço. A solução para o vão do Masp (Museu
de Arte de São Paulo) também não é a mais barata, mas se houvesse
20 pilares ali embaixo não seria o Masp. A ponte é extremamente arrojada,
com muita solicitação ao pilar. Há outras alternativas, mas essa é
tecnicamente adequada"
Roberto de Oliveira Alves, projetista estrutural |
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"Nossa administração pública está
50 anos atrasada. Em hipótese alguma se deveria gastar dinheiro com
transporte individual. Deveríamos canalizar os recursos para transportes
coletivos, especialmente o Metrô. É a coisa mais óbvia do mundo, mas
não é o que se faz. A discussão deveria acabar antes de entrar no
mérito da questão técnica. Eu imploro para que nossos administradores
parem com isso"
Marcio Kogan, arquiteto |
"Gostei muito da concepção, que
foi adequada por ter conseguido vencer o vão do rio Pinheiros. E também
há que se levar em conta fatores estéticos, de navegabilidade, de
greide. No entanto, não é o vão indicado para os estais, que não se
justificam economicamente para vãos abaixo de 200 m. Deve ter ficado
mais caro e com maior prazo, pois é de execução complexa e singular"
José Luiz Cardoso, projetista estrutural |
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