Casa de madeira
Por
que a legislação de São Paulo, por exemplo, não
permite a construção de casas pré-moldadas de madeira
em áreas urbanas? Essa lei poderá ser revista? Existiria
um lobby contra a aprovação desse tipo de construção?
João Liure Naves, São Paulo
A restrição
deve-se ao risco de incêndio e foi introduzida na lei há
mais de meio século, numa época em que não havia
recursos como aditivos antichama, materiais retardantes de incêndio,
pinturas intumescentes e outros. Construções em madeira
utilizando-se desses recursos são corriqueiramente adotadas em
sociedades mais evoluídas, como a norte-americana, japonesa, nórdica
e outras. A madeira poderá ainda ser utilizada como estrutura interna
de paredes ou tetos (wood frame), sendo protegida no caso por materiais
com maior resistência ao fogo (placas cimentícias, painéis
de gesso etc.). Não se pode afirmar que existam lobbies, mas é
flagrante em nosso meio a disputa e contrapropaganda entre os materiais
sucedâneos como o cimento, o gesso, a cerâmica e outros.
Ercio Thomaz, Cetac/IPT (Centro Tecnológico do Ambiente Construído)
Construção
metálica
Comparando-se uma mesma área útil, construções
metálicas residenciais seriam muito mais caras do que construções
de concreto e alvenaria? Estruturas reticuladas simples, metálicas,
e divisórias com painéis cimentícios e lajes steel
deck não compensariam, em tempo, o custo proporcional maior com
trabalhadores, materiais que precisam ser preparados etc.? Uma casa metálica
pode ser competitiva?
Paulo Kerr, Porto Alegre
Quando se fala em custo de construção, há que se
diferenciar, em princípio, investimentos iniciais, custos de operação
e de manutenção. Há que se considerar também
as diferentes tipologias de projeto, compreendendo casas térreas
e sobrados, edifícios de médio porte e edificações
altas (acima de 20 pavimentos, por exemplo). Há necessidade de
se considerar, ainda, os custos diferenciados dos materiais, de mão-de-obra,
dos tributos, do "custo Brasil" e outros. Há, ainda,
fatores culturais que influem decisivamente na escolha pelo melhor material
da construção. Os preços dos materiais, como de resto,
são ainda muito influenciados pela demanda. O preço do aço,
por exemplo, depende muito da demanda chinesa. O do cimento pode variar
de R$ 12/saco antes do PAC (Programa de Aceleração do Crescimento)
para R$ 20/saco depois do PAC. Em geral, costumo dizer que "se o
construtor está utilizando, é porque o sistema é
economicamente viável". A velocidade de construção
pode, sem dúvida, antecipar a operação do edifício
e as receitas dela resultantes, justificando a escolha por um sistema
com investimento/preço de construção melhor que outros.
Ercio Thomaz, Cetac/IPT (Centro Tecnológico do Ambiente Construído)