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| Repleto de painéis fotovoltaicos e coletores
de água, edifício deve produzir quase toda a energia
necessária para seu pleno funcionamento |
O segundo edifício bioclimático da Plataforma Solar de Almería,
inaugurado na Espanha, deve economizar até 90% da energia necessária
para o funcionamento de um edifício convencional de mesmo porte.
A construção, de cerca de 1.000 m² úteis, abriga
escritórios e laboratórios e é um dos nove protótipos
a serem produzidos em um projeto de desenvolvimento de arquitetura bioclimática
liderado pelo Ciemat (Centro de Pesquisas Energéticas, Ambientais
e Tecnológicas), órgão ligado à Universidade
de Almería, e pelo Ministério da Educação espanhol.
A estrutura foi erguida em uma região de clima mediterrâneo
seco, quase desértico, com o desafio de prover aos ocupantes o
máximo conforto térmico utilizando o mínimo de energia
elétrica convencional – não mais do que 20% do total
consumido pela edificação. Para atingir seus objetivos,
a equipe multidisciplinar de pesquisadores – composta por arquitetos,
engenheiros e físicos – lançou mão de estratégias
técnicas passivas e ativas no desenvolvimento do projeto do edifício.
Esteticamente, a construção não apresenta ousadias:
seu desenho é composto basicamente por linhas retas, horizontais
e verticais, e todos os ambientes que a compõem são contíguos,
ao nível do solo. Pilares, vigas e lajes foram confeccionados em
concreto armado simples, moldado “in loco”, e o fechamento,
em alvenaria de tijolos. Externamente, foram aplicados revestimento monocapa
branco e mármore de Macael. De acordo com os pesquisadores do Ciemat,
esses sistemas atribuem grande inércia térmica ao edifício,
proporcionando maior isolamento aos ambientes internos.
As soluções arquitetônicas visaram à eficiência
energética da construção. O edifício tem sua
maior extensão na direção leste-oeste para aproveitar
melhor a iluminação natural. Na fachada sul, uma marquise
garante o sombreamento (e resfriamento) nos meses de verão; no
inverno, permite a incidência direta dos raios solares através
das janelas para aquecer o interior das salas. Placas fotovoltaicas instaladas
na marquise garantem a geração de parte da energia que será
consumida pelo edifício.
Na
cobertura, uma estrutura de duplo pergolado sustenta os painéis
de captação solar. As sombras projetadas pelas placas na
laje contribuem para a redução da temperatura superficial
e, conseqüentemente, nos ambientes. Caixilhos na cobertura tornam
possível a iluminação zenital do corredor central
do edifício. Nas temporadas de calor, podem ser abertos para promover
a ventilação interna; no frio, permanecem fechados para
evitar a dissipação do calor.
Além das placas fotovoltaicas, a construção também
possui painéis solares para aquecimento de água. Ao sair
dos coletores, a água quente tem dupla função. Na
mais "convencional", abastece as instalações sanitárias
e de calefação por pisos radiantes. Sua outra função,
por mais improvável que pareça, é manter em funcionamento
os equipamentos de ar-condicionado. Conhecida como refrigeração
solar, a tecnologia consiste no uso da energia térmica da água
quente para a ativação da bomba de absorção
que irá refrigerar o ar do sistema. Com esse tipo de refrigeração,
há a coincidência dos picos de demanda e produção
de ar frio no ambiente. As tubulações que conduzem o ar
até as unidades de tratamento são enterradas e isoladas,
dificultando trocas de calor com o ambiente. Assim, o ar chega mais frio
aos equipamentos, possibilitando maior economia de energia.
Todos os sistemas estão conectados a uma central de automação.
Até 2010, ano previsto para a conclusão do projeto, serão
feitas as medições de consumo energético e de índices
de conforto ambiental em condições reais de uso do edifício.
Somente após a obtenção desses dados a hipótese
inicial de sensível economia de energia por meio da arquitetura
bioclimática poderá ser confirmada.