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| No escritório da Citroën do Brasil,
projetado pela Hochheimer Imperatori Arquitetura, aberturas na cobertura
somam-se à reformulação dos "sheeds"
e possibilitam, além da utilização de luz natural,
a criação de uma paisagem interna |
Dentre os quesitos básicos de certificação em sustentabilidade
de edificações, a luminotecnia é fator relevante ao
prever economia de eletricidade, seja por uso consciente do menor número
de pontos de iluminação artificial, ou mesmo pela redução
da potência nos sistemas de ar-condicionado. O conceito de
conservação de energia deve ser compreendido antes da concepção
de um projeto luminotécnico. "Conservar energia significa
melhorar a maneira de utilizá-la sem abrir mão do conforto;
é diminuir consumo, reduzindo custos e impactos ambientais, sem
perder eficiência e qualidade dos produtos," define o projetista
luminotécnico Davis Paro, da Scene Iluminação.
Segundo arquitetos, a viabilização do projeto sustentável
em luminotecnia pode reduzir os custos de operação e manutenção
de edifícios em até 60%. Se a sustentabilidade fizer parte
do negócio desde sua idealização, os custos totais
da obra terão um acréscimo médio de 10%. No caso
de adaptações aos projetos em obras que já estão
em andamento, os custos podem chegar a 20% do orçamento inicial
para o empreendimento.
A eficiência da luminotecnia também está relacionada
à melhor viabilidade técnica de operação e
manutenção. "Sistemas eficientes geram menor carga
térmica com número menor de pontos de luz instalados, o
que resulta em conta energética mais barata; por outro lado, podem-se
adiar os custos de manutenção e troca de equipamentos com
o aumento do seu ciclo de vida útil, pelo uso controlado,"
afirma a consultora luminotécnica Neide Senzi.
Para que tudo isso seja possível é preciso, contudo, que
o projetista de iluminação acompanhe o projeto desde o início.
"Ele deve estar presente já no ato da aprovação
dos projetos executivos, e não só participar da inserção
de luz artificial, como geralmente ocorre", defende Davis Paro. "Instalações
elétricas, infra-automação para iluminação,
ar-condicionado, forros; são diversas as etapas a serem pensadas
em conjunto com a luminotecnia e que vão limitar ou possibilitar
uma maior eficiência sustentável do edifício,"
completa.
Luz do sol
Guinter Parschalk, do Grupo de Trabalho "Sustentabilidade",
da AsBEA (Associação Brasileira dos Escritórios de
Arquitetura), relembra que a arquitetura tem que ser concebida para aproveitar
a luz natural levando também em consideração seus
malefícios, como os raios infravermelhos, que geram calor dentro
do ambiente. A idéia é, assim, aproveitar o máximo
possível de luz natural, dentro da função que o espaço
vai assumir, para que se possa, em segundo plano, equacioná-la
ao uso do ar-condicionado e da iluminação artificial. "Tudo
depende do clima da região e da própria implantação
do edifício; se vai ser possível abrir janelas e deixar
que a ventilação cumpra, pelos menos parcialmente, a função
do ar-condicionado", afirma Parschalk.
O arquiteto George Frug Hochheimer concorda com o fato de que a luz natural
deve ser a primeira a entrar nos espaços: "Criamos um conjunto
de ações que visam reter raios solares ou direcioná-los
da forma mais interessante, para que somente a luz entre, e não
o calor, com o uso de brises, tipos especiais de caixilhos e vidros com
persianas externas brancas, refletivas".
A opinião do arquiteto Roberto Aflalo é de que o tratamento
das fachadas deve acontecer antes do projeto luminotécnico. "Para
aproveitamento máximo da luz natural, a fachada pode ser até
dinâmica, adaptando-se aos diferentes horários do dia, em
cada situação", diz.
Resolvida a questão de como o sol vai bater na janela, é
preciso medir a quantidade de luz necessária nos ambientes, de
acordo com suas respectivas funções, para a aplicação
da luz artificial.
Na ponta do lápis
O projeto luminotécnico leva em consideração fatores
que realizam equilíbrio entre luz e consumo de energia. E nesse
quesito, a climatização do ambiente tem tanta importância
quanto a luminotecnia. "A cada 3,5 W de luz reduzidos no consumo
elétrico, fica economizado 1 W no uso do ar-condicionado, o que
totaliza uma economia operacional de 4,5 W," calcula Yoon Kim, vice-presidente
de iluminação da Phillips/Brasil.
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