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| O projeto de Norman Foster é um dos primeiros
modelos de edifícios ecológicos de Londres. As fachadas
são formadas de vidro duplo com metalização e
cavidade de 15 cm ventilada |
Fachadas ventiladas
Além da tradicional solução de proteção
solar passiva, tem-se discutido no Brasil o projeto de edifícios
com fachadas duplas ventiladas. Primeiramente, o termo foi conferido às
soluções com painéis opacos fixados afastados do
paramento. A função da segunda pele nas fachadas ventiladas
opacas é de promover um sombreamento na fachada, além da
ventilação retirar carga térmica. Nesse tipo, já
utilizada no Brasil há mais de 13 anos, são usados como
revestimentos da segunda camada produtos panelizados, como pedras, cerâmica
e alumínio compósito, na maioria das vezes com juntas seladas,
com distância entre camadas de no mínimo 10 cm.
O uso desse tipo de fachadas deve obedecer aos requisitos técnicos
de estanqueidade (veja tabela 2). Deve-se impermeabilizar muito bem o
paramento por trás dos elementos da segunda camada, independentemente
do envelope externo. "Não há o conhecimento pelo usuário
final, e muitas vezes nem pela construtora, da necessidade de se tornar
estanque esse paramento", explica Duarte. "A falta da impermeabilização
é tratada apenas como uma simples redução de custos",
conclui.
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| Com quase 50 anos, o prédio do arquiteto
Rino Levi, hoje do Banco Itaú, na avenida Paulista, em São
Paulo, é um dos mais eficientes em conforto ambiental e consumo
de energia (acima). Sistemas de proteção solar passivos
como os brises (detalhe), aliados às fachadas cegas, com massa
exposta e alta inércia térmica, garantem controle da
incidência de carga térmica e sombreamento estratégico |
Já o uso de duas peles de vidro com uma cavidade entre elas, ventilada
ou não, são largamente empregadas fora do Brasil e estão
associadas a edifícios altos. "Por sua natureza intrínseca,
as fachadas duplas transparentes ventiladas resultam em sistemas tecnologicamente
complexos, com custos iniciais elevados", explica Mônica. Dentre
os argumentos mais defendidos pelos projetistas para o emprego desse tipo
de fachada está o aumento na eficiência energética
e no conforto dos usuários, a diminuição da transmissão
sonora, pois barra ruídos externos, e a redução dos
ganhos solares, aliada a uma maximização da transparência.
Além dessas características, esse sistema permite a ventilação
natural em andares mais altos.
Em
climas mais frios a grande preocupação é manter o
calor no edifício, necessidade exatamente oposta à brasileira.
As fachadas duplas garantem que a luz incidente sobre a primeira camada
gere um calor que fica estocado na cavidade. Nas primeiras tipologias,
em dias mais amenos esse calor podia ser retirado por meio da convecção
do ar provocada por vãos existentes nos limites superior e inferior
da cavidade. Esse modelo foi abandonado devido à ventilação
que percorria toda a extensão vertical da fachada não ser
suficiente para retirar toda a carga térmica dos andares mais elevados,
onde o acúmulo é maior. Hoje, a tipologia básica
conta com aberturas de vãos superiores e inferiores em cada pavimento,
separados por chapas opacas ou grelhas. Além da separação
entre andares o sistema conta com proteção solar interna
à cavidade, que auxilia na reflexão da luz e calor. Esse
tipo de solução pode ser visto no novo edifício do
New York Times, na cidade de Nova Iorque e no edifício de escritórios
Aurora Place, em Sidney, Austrália, ambos os projetos do arquiteto
Renzo Piano. Os avanços tecnológicos nessa área não
param, e já existem projetos em que a segunda camada conta com
uma sucessão de aletas em toda a sua extensão, com abertura
automatizada, mesmo em situações de altas velocidades de
vento, de maneira a prolongar o período no qual o edifício
pode ser naturalmente ventilado. É o caso do Debis Building, outro
projeto de Piano, em Berlim, com solução de fachadas totalmente
automatizada, mas a um custo altíssimo mesmo para os padrões
internacionais. Em dias quentes com baixas velocidades de vento, e em
dias de chuva as aletas se fecham e o ar-condicionado é automaticamente
ligado.
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| O edifício Debis, em Berlim, Alemanha, apresenta
fachada dupla ventilada com camada exterior com aletas de vidro passíveis
de abertura automatizada. É a última geração
em fachadas duplas ventiladas. O projeto é de Renzo Piano |
Quando se abrem todas as aletas, o sistema funciona como uma pele de
vidro simples. O sistema alia a ventilação natural e a artificial,
que deve ser corretamente dimensionada para esse fim, sem excessos de
carga instalada. "Projetos onde trabalhem juntos todos os projetistas
envolvidos, inclusive o do ar-condicionado, garantem os melhores resultados
de eficiência energética no futuro", recomenda. Em São
Paulo, onde o aquecimento é uma das maiores preocupações
em edifícios de escritórios altos, as fachadas duplas ventiladas
(tipologia básica) podem ser empregadas para expandir o período
em que o edifício pode ser naturalmente ventilado, em épocas
de mais frio. Quando há muito calor e pressão de vento insuficiente
aciona-se o condicionamento artificial. "O modo misto de condicionamento
de ar é ideal para o clima brasileiro", acredita Mônica.
Normatização a caminho
No Brasil ainda não existem normas que regulem o conforto ambiental
nos edifícios de escritórios. No máximo, existem
requisitos mínimos de desempenho para fachadas de habitações
em um projeto de norma da ABNT (Associação Brasileira de
Normas Técnicas) que deve ser publicado ainda neste ano. As normatizações
principais são relativas ao funcionamento do ar-condicionado e
à fabricação de vidros e esquadrias.

No entanto, o Laboratório de Eficiência Energética
em Edificações do Departamento de Engenharia Civil da Universidade
Federal de Santa Catarina, por meio de um convênio firmado com a
Eletrobrás no âmbito do programa Procel Edifica (Programa
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| O edifício do Commerzbank, projetado por
Norman Foster, é um ícone de conforto ambiental e eficiência
energética na Europa. Possui modo misto de condicionamento
de ar, que alia a ventilação natural de estratégicas
aberturas e a ventilação mecânica do sistema radiante
de forros gelados |
Nacional de Conservação de Energia Elétrica para
Edificações), desenvolveu um documento em que apresenta
os requisitos técnicos necessários para a classificação
do nível de eficiência energética de edifícios
comerciais, de serviços e públicos, com o objetivo de promover
a etiquetagem voluntária. A regulamentação trata
da eficiência e potência instalada do sistema de iluminação,
da eficiência do sistema de condicionamento do ar e do desempenho
térmico da envoltória do edifício. Ela permite uma
classificação do nível de eficiência A (mais
eficiente) a E (menos eficiente), e inclui incentivos adicionais para
aumento da eficiência ao implementar sistemas como energia fotovoltaica
ou co-geração.
O professor Roberto Lamberts, pesquisador do laboratório e membro
do CBCS (Conselho Brasileiro de Construção Sustentável)
explica que a etiquetagem já está em implementação
junto ao Inmetro (Instituto Nacional de Metrologia, Normalização
e Qualidade Industrial). Os cálculos e simulações
recomendados podem ser efetuados com softwares especiais voltados à
simulação de consumo de energia de edificações,
que estudam o impacto de alternativas de fachada. "Esses programas
simulam o consumo de energia hora a hora durante um ano inteiro e permitem
análises detalhadas", explica Lamberts. Nesse meio tempo,
arquitetos e projetistas que já desenvolvem projetos mais sustentáveis
buscam se adequar a certificações internacionais como o
Leed (Leadership in Energy and Environmental Design), que faz parte do
USGBC (US Green Building Council), conselho norte-americano de construção
sustentável. Para receber esse selo, o empreendimento deve se enquadrar
em critérios que envolvem tipo de terreno, economia de água,
eficiência energética, qualidade do ar interno, reciclagem
e inovação do projeto.
Simone Sayegh, Colaboraram Mônica Marcondes, Paulo Celso Duarte
e Roberto Lamberts
Serviço
www.cobracon.org.br
www.labeee.ufsc.br/eletrobras/reg.
etiquetagem.voluntaria.html
www.usgbc.org
www.cbcs.org.br
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