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| Principal fator complicador dos projetos de reúso
de água, tanto pluviais como de águas cinzas e negras,
a separação dos ramais e cisternas obedece a critérios
rigorosos, a fim de se reduzir riscos de contaminação.
Os custos operacionais também pesam bastante |
Comumente difundida em indústrias, a adoção de sistemas para aproveitamento
de águas pluviais e de reúso de águas cinzas e negras vem se disseminando
em empreendimentos residenciais e comerciais que enfatizam, sobretudo,
o caráter sustentável de seus projetos. Graças às tecnologias disponíveis
para atender a esse mercado, tais águas, quando adequadamente tratadas,
podem ser totalmente reaproveitadas de modo não-potável ou até mesmo potável
para os mais diversos usos.
A implantação desses sistemas, no entanto, não é
simples e implica acréscimos de custo significativos à obra.
A especificação de componentes como reservatórios,
sistemas de tratamento e redes de distribuição exclusivas
exige projetos criteriosos que devem ser acompanhados por engenheiros
especializados, além de mão-de-obra capacitada para fazer
a correta manutenção dos equipamentos. Ainda que as perspectivas
de retorno do investimento sejam animadoras – em processos industriais,
por exemplo, tais sistemas reduzem em até 80% o consumo de água
– esses fatores associados têm contribuído para limitar
seu uso. "O potencial é enorme, mas é preciso ter uma
visão macro, vontade política e investimento em tecnologias
para que os sistemas se desenvolvam e se tornem acessíveis",
acredita o professor titular da Escola Politécnica da USP (Universidade
de São Paulo), Ivanildo Hespanhol, fundador e diretor do Cirra
(Centro Internacional de Referência em Reúso de Água).
Vale lembrar que os custos dos sistemas variarão de acordo com
a finalidade e, conseqüentemente, com o grau de potabilidade da água
a ser usada. A relação é direta: quanto maior a qualidade
exigida, maior o investimento. Se viabilizado técnica e economicamente,
o uso de fontes alternativas de água – sejam pluviais, de
drenagem, cinzas ou negras – deverá ser detalhado ainda na
etapa de estudo preliminar já que um dos pontos principais para
o sucesso da execução é a instalação
de sistemas de reserva e distribuição independentes da rede
de água potável.
Entre as variáveis a serem analisadas em projeto estão
o uso da água, tecnologia envolvida, parâmetros de custos
operacionais atrelados à energia consumida e aos produtos aplicados
no tratamento da água, entre outros quesitos. "O ideal é
contar com projetos sob medida já que cada obra possui suas particularidades",
observa André Negrão de Moura, gerente técnico da
Haztec/Geoplan.

Parâmetros de projeto
Outro ponto que requer cuidado especial é a qualidade necessária
ao consumo destinado. "Fazer tratamento para aproveitamento ou reúso
de água implica assumir a responsabilidade pela sua qualidade,
fator de saúde e que envolve enormes riscos", afirma o engenheiro
Luiz Olimpio Costi, presidente da Abrasip (Associação Brasileira
de Engenharia de Sistemas Prediais) e sócio-diretor da Procion
Engenharia. De acordo com o engenheiro, a falta de projetos que considerem
a instalação do sistema desde a concepção
arquitetônica da edificação, de projetistas hidráulicos
habilitados e número limitado de produtos oferecidos são
fatores que dificultam a boa execução dos sistemas.
Outro agravante é a falta de normalização. Com exceção
da NBR 15527 (Água de Chuva – Aproveitamento de Coberturas
em Áreas Urbanas para Fins Não-Potáveis), válida
desde outubro de 2007, ainda não existem normas brasileiras que
atendam aos sistemas de coleta e reúso de águas cinzas e
negras. Por enquanto, além do Manual de Conservação
e Reúso de Águas em Edificações do SindusCon-SP
(Sindicato da Indústria da Construção Civil do Estado
de São Paulo), uma das principais referências adotadas nesse
setor é o Guidelines For Water Reuse da EPA (Environmental Protection
Ageny)
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| A configuração básica de um
projeto para a utilização de água cinza prevê
um sistema de coleta de água servida, subsistema de condução
da água (ramais, tubos de queda e condutores), unidade de tratamento
da água (gradeamento, decantação, filtro e desinfecção),
reservatório de acumulação, sistema de recalque,
reservatório superior e rede de distribuição.
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De acordo com Carla Araujo Sautchuk, gerente da Tesis e mestre em Engenharia
Civil pela Escola Politécnica da USP no tema Implantação
de Programas de Conservação de Água, esse documento
preconiza que as tubulações destinadas para esse fim possuam
cor diferenciada das que transportam água potável. A água
de reúso também deve ser pigmentada na cor roxa e os pontos
de consumo e ambientes abastecidos por tal fonte devem ser corretamente
sinalizados. Outro ponto importante a ser previsto em projeto é
evitar conexões cruzadas, eliminando qualquer contato entre tubulações
de água potável e de efluentes tratados. "Os sistemas
de reservas têm de ser totalmente independentes, minimizando as
possibilidades de contaminação dos líquidos",
observa a gerente.
As tecnologias para tratamento variam bastante, mas os processos mais
comuns são de sedimentação (tratamento primário)
e filtração visando a separação dos sólidos
seguidos por tratamentos aeróbio-biológicos para a remoção
de matéria orgânica, desinfecção e controle
e eliminação de agentes patogênicos. "A desinfecção
pode ser feita com uso de cloro, aplicação de raios ultravioleta
e ozônio, entre outras possibilidades", explica Costi. O mercado
ainda oferece outros tratamentos mais avançados tais como coagulação,
floculação química, filtração de membrana
e até osmose reversa, que se destinam a controlar o pH e remover
microrganismos, sais, minerais e outras partículas da água.
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