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| A evolução das instalações
elétricas foi impulsionada pelo crescimento da demanda por
energia e pela necessidade de proteger pessoas e patrimônio.
Grandes incêndios em edifícios motivaram busca por projetos
mais seguros |
Em 1996, apenas 9% dos edifícios novos contavam com fio terra.
Hoje, esse recurso está presente em 98% dos prédios entregues
pelas construtoras. Os dados são do Procobre (Instituto Brasileiro
do Cobre), que verifica a aplicação da NBR 5410 –
Instalações Elétricas de Baixa Tensão em 30%
dos edifícios lançados em São Paulo, e refletem uma
crescente preocupação do setor da construção
civil no que se refere à qualidade das instalações
elétricas. No mesmo período, todos os novos prédios
passaram a ter o DR (dispositivo residual). Em 1996, nenhum edifício
contava com esse equipamento.
Não se trata apenas do surgimento de novas tecnologias, mas de
uma nova forma de entender e encarar as instalações elétricas.
"As mudanças na concepção dos projetos foram
enormes, principalmente quanto à segurança, proteção
do patrimônio e capacidade de atender à demanda", ressalta
o engenheiro eletricista Hilton Moreno, presidente da Associação
Nacional de Fabricantes de Produtos Elétricos Nema Brasil.
Como exemplo dessas significativas mudanças, ele cita, além
do uso de sistemas de aterramento e de DRs, tomadas com contato de aterramento,
DPSs (Dispositivos Protetores de Surtos), cabos elétricos retardantes
de chama e baixa emissão de fumaça, gases tóxicos
e corrosivos, além de eletrodutos normalizados. "A grande
vantagem desses recursos é a proteção tanto do circuito
quanto das pessoas", salienta Hélio Eiji Sueta, diretor da
divisão de potência do IEE (Instituto de Eletrotécnica
e Energia).
Outro motivo para a modernização na forma de conceber
projetos e realizar instalações elétricas é
o contínuo crescimento da demanda pelo uso de energia elétrica.
"As instalações eram projetadas para cargas limitadas
e ficavam sujeitas a sobrecargas sempre que o usuário comprasse
novos equipamentos", conta Moreno. O risco vem sendo minimizado por
meio da adequação do projeto às necessidades do usuário,
visando obter uma capacidade de carga pertinente e proporcionando conforto
e flexibilidade aos consumidores.
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| Estudos setoriais indicam que quase a totalidade
dos novos edifícios conta com aterramento para as instalações.
Situação é bastante diferente para casas |
Busca por padronização
De acordo com o Procobre, esses resultados decorrem do amadurecimento
do setor. "As construtoras têm se conscientizado, mas ainda
há grande discrepância entre edifícios e casas",
alerta Milena Guirão, coordenadora de marketing do Instituto. Ela
conta que no ano passado o Programa Casa Segura passou a pesquisar, além
de apartamentos, casas. Enquanto quase todos os apartamentos contavam
com aterramento, apenas 22% das casas – de um total de 180 –
tinham fio terra. "Percebemos que era o momento de reforçar
o Programa para modernizar as antigas instalações e adequar
novos projetos à lei", conta.
Ela se refere à Lei 11.337, de 26/07/2006, que determina a obrigatoriedade
do uso do fio terra em todas as instalações. Dessa lei também
decorre a adoção da nova tomada com três pinos redondos.
"Vai gerar um mercado paralelo de adaptadores, o que não dá
para evitar", pondera José Aquiles Baesso Grimoni, diretor
do IEE. Segundo Moreno há, de fato, uma maior obediência
aos requisitos de normas técnicas e ao crescimento do grau de automação
das instalações.
Também há polêmica em torno dos debates para adoção
de padrões de disjuntores. De acordo com Sueta, os prazos estão
vencendo e os fabricantes não conseguem informar precisamente quais
as curvas de potência de seus equipamentos. Dessa maneira, explica,
"é necessário que o projetista considere alguns parâmetros
a mais". O Inmetro (Instituto Nacional de Metrologia, Normalização
e Qualidade Industrial) exige que tanto disjuntores do padrão americano
quanto do europeu obedeçam às mesmas curvas.
A questão da segurança foi abordada na Téchne 92,
publicada em novembro de 2004. Naquela ocasião, a reportagem alertava
para a intenção de se aplicar a certificação
compulsória das instalações como forma de avaliação
da conformidade. O tema é debatido há bastante tempo, conforme
conta Grimoni, mas existe muita dificuldade para sua implantação.
Dentre os principais entraves estão os custos e a burocratização
decorrentes. "A França prevê a revisão das instalações
de tempos em tempos", compara. "Provamos que um projeto atualizado
de acordo com as normas tem menos perdas", complementa. Em escala,
isso poderia diminuir a pressão sobre o sistema e, conseqüentemente,
a necessidade de construir mais usinas.
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