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Máquinas a caminho


Dólar barato e mercado dando sinais de aquecimento fizeram da Conexpo 2008 uma verdadeira vitrine de produtos adaptáveis à construção brasileira


Por Bruno Loturco


É um bom momento para os brasileiros comprarem equipamentos americanos. A afirmação é do vice-presidente da Sobratema (Associação Brasileira de Tecnologia para Equipamentos de Manutenção), Jonny Altstadt, que comparou a moeda nacional em relação ao euro e ao dólar para concluir que "está barato comprar equipamento nos Estados Unidos". Ele visitou a Conexpo-CON/AGG (Concrete and Aggregates Show) 2008 acompanhado de um grupo de quase 200 membros da Associação e conta que as soluções americanas são criativas e práticas, menos sofisticadas que as tecnologias européias e mais adequadas à realidade brasileira de construção civil.

Os construtores brasileiros estão animados com o aquecimento do setor e com as promessas de investimento em infra-estrutura. "Existe uma demanda para geração de energia e construção de indústrias", observou o diretor de suprimentos e equipamentos da Construtora Andrade Gutierrez, Mário Humberto Marques. A própria Sobratema apresentou dados durante a feira que indicam um crescimento anual de 7,5% até 2012 no setor brasileiro de equipamentos, chegando a US$ 14,84 bilhões.

Para Marques, foi surpreendente a quantidade de equipamentos multifuncionais apresentados durante o evento. São máquinas capazes de realizar trabalhos de escavação e perfuração, aumentando a versatilidade da ferramenta. "É interessante porque o empresário reduz o investimento mobilizado", explica. Também chamaram a atenção de Marques e de outros construtores consultados nos pavilhões as máquinas recicladoras de asfalto, concreto e outros materiais. O diretor da Andrade Gutierrez, inclusive, conta que tem informações de que algumas máquinas desse tipo foram negociadas com empresas brasileiras. O objetivo é a reciclagem de pavimentos antigos.

Questionado sobre a possibilidade de uma ampla utilização dos equipamentos apresentados no Brasil, Altstadt afirmou que são produtos mundiais, feitos por empresas globalizadas, e que a adaptação à realidade brasileira depende da filosofia de cada empresa. As demandas estão sujeitas, ainda, à sazonalidade dos investimentos. "A Conexpo permite conhecer o estado-da-arte em novos equipamentos", comenta. Essa atualização se mostra importante devido à falta de continuidade nos investimentos em infra-estrutura, que dificulta a renovação do maquinário, especialmente para construção pesada.

Crescimento em números
Tal qual a edição anterior, um dos destaques da Conexpo ficou por conta da forte presença asiática, com pavilhões dedicados apenas aos produtos chineses e coreanos. Os construtores, embora interessados na capacidade de barateamento de produtos dos chineses, ainda duvidam da confiabilidade dos produtos. "Acredito que os coreanos têm uma qualidade boa e estão preparados para um embate comercial", aposta Marques, da Andrade Gutierrez. Além de preço e qualidade, faz diferença para os fornecedores contar com rede de atendimento instalada no Brasil. "Vi muitas empresas fechando acordos de representação", revela Altstadt, da Sobratema.

Não apenas de asiáticos fez-se a participação internacional na feira. Foram 14 pavilhões dedicados a outros países, sendo dez no âmbito da Conexpo e outros quatro pertencentes à IFPE 2008 (International Exposition for Power Transmission). Esse evento acontece sempre junto à Conexpo e se dedica à transmissão de energia e controle de movimento por meio de tecnologias hidráulicas, pneumáticas, mecânicas e elétricas.

Em comparação à edição anterior, 61% mais pessoas visitaram a IFPE, resultando na presença de mais de 29.400 profissionais. Abrigou a apresentação de 111 trabalhos de especialistas da indústria mundial, além de simpósios sobre controle eletrônico. Contou com o inédito Centro para Inovações e Soluções, com sessões de palestras e conferências para mais de 1.700 pessoas.

Pelos corredores do Centro de Convenções de Las Vegas, que abrigou a Conexpo CON/AGG 2008, circularam 144.600 pessoas. Em 2005, 124 mil profissionais estiveram presentes. O número de visitantes internacionais também aumentou significativamente, saltando de aproximadamente 15 mil para 28 mil em 2008. "A participação internacional superou em muito a nossa expectativa", revelou Arnold Huerta, diretor de desenvolvimento de negócios globais da AEM (Association of Equipment Manufacturers), uma das associações envolvidas com a organização do evento. Entre 750 e 800 brasileiros compareceram a Las Vegas. Os mexicanos eram 1.500.

Alguns dados, como o volume de negócios, ainda não estão disponíveis, mas a expectativa é por resultados muito positivos para os cerca de 2.500 expositores, visitados por 60 delegações mundiais. "É uma boa oportunidade para os fabricantes apresentarem suas novidades", atesta Huerta. Aproximadamente oito milhões de toneladas em equipamentos foram dispostos ao público.

Para o vice-presidente da Sobratema, os objetivos da visita por parte dos brasileiros foram plenamente alcançados. "Queríamos ampliar a gama de fabricantes de equipamentos presentes no Brasil, cada um oferecendo vantagens competitivas", resume.

FICHAS TÉCNICAS

Feira: Conexpo-Con/Agg
Local: Las Vegas, Estados Unidos
Período: de 11 a 15 de março de 2008
Expositores: 2.182
Visitantes: 144.600, sendo cerca de 28 mil estrangeiros
Área de exposição: 211.966 m

Feira: IFPE (International Power Transmission Exposition)
Expositores: 469
Área de exposição: 11.994 m²

>>> Clique e veja: Painel de produtos

 Conteúdo online exclusivo: Veja mais fotos dos equipamentos apresentados na Conexpo-Com/AGG 2008, realizada em Las Vegas.

 
 
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