Atualmente,
os conceitos relativos à sustentabilidade, decorrentes do aumento
da conscientização global sobre o assunto, estão
influenciando cada vez mais as sociedades do planeta. Questões
como os impactos negativos gerados ao meio ambiente e as crescentes desigualdades
socioeconômicas passaram a ser abordadas em todas as escalas governamentais
e privadas.
No setor da construção civil, especificamente, destacam-se
as preocupações voltadas aos impactos ambientais gerados
pelas edificações, principalmente durante as fases de construção
e uso. Resultados de pesquisas mostram que, em algumas cidades do Estado
de São Paulo, mais da metade do volume diário de resíduos
coletados são oriundos da construção civil. Nos países
do hemisfério Norte, a maior parte do consumo de energia é
decorrente da climatização das edificações.
Nesse contexto, a partir da década de 1990, muitos países
desenvolveram mecanismos para a avaliação do desempenho
ambiental de edifícios por meio de processos de certificação
voluntária, com grande abrangência temática, enfatizando,
porém, os aspectos que representam os maiores desafios ambientais
locais.
Um edifício com alto desempenho ambiental deve impactar pouco
o meio ambiente, propiciando boas condições de conforto
e salubridade para os usuários. Dessa forma, deve-se considerar,
entre outros: baixo consumo de energia para ar-condicionado e iluminação;
racionalização do consumo de água potável
(foto 1); uso de sistemas construtivos e execução da obra
de modo a minorar a geração de resíduos; localização
do empreendimento de forma a facilitar o seu acesso pelos usuários;
não-perturbação da vizinhança, principalmente
durante a obra, como cuidados no espalhamento de poeira e outros (foto
2) .

Sistemas de avaliação ambiental de edifícios
A maioria dos sistemas de avaliação ambiental de edifícios
baseia-se em indicadores de desempenho que atribuem uma pontuação
técnica em função do grau de atendimento a requisitos
relativos aos aspectos construtivos, climáticos e ambientais, enfocando
o interior da edificação, o seu entorno próximo e
a sua relação com a cidade e o meio ambiente global.
Esses indicadores possuem ponderações, explícitas
ou não, que retratam os principais problemas ambientais locais.
Por exemplo, se em determinada região há altas taxas de
geração de resíduos na execução de
edifícios, os critérios adotados em um mecanismo dessa natureza
incentivam a diminuição dessa geração, cabendo
ao construtor escolher a melhor forma de atender a essa exigência,
seja pela melhor gestão do empreendimento ou pelo emprego de sistema
construtivo mais racionalizado.

Os métodos de avaliação possuem aspectos conceituais
em comum na busca pela melhoria do desempenho ambiental dos edifícios,
que podem ser refletidos, de maneira simplificada, pelos seguintes aspectos
principais:
- Impactos do Empreendimento no Meio Urbano, onde há itens sobre
os incômodos gerados pela execução, acessibilidade,
inserção urbana; erosão do solo, espalhamento de
poeira, entre outros (foto 5);
- Materiais e Resíduos, compreendendo gestão de resíduos
no canteiro e uso do edifício, emprego de madeira e agregados
com origem legalizada, geração e correta destinação
de resíduos, emprego de materiais de baixo impacto ambiental,
reúso de materiais (fotos 3 e 4);
- Uso Racional da Água, visando à economia de água
potável, como uso de equipamentos economizadores, acessibilidade
do sistema hidráulico, captação de água
de chuva, tratamento de esgoto etc.;
- Energia e Emissões Atmosféricas, que analisam a eficiência
da envoltória, do sistema de ar-condicionado e iluminação
artificial, entre outros assuntos e;
- Conforto e Salubridade do Ambiente Interno, considerando a qualidade
do ar e o conforto ambiental.

PÁGINAS :: 1 | 2 | 3 | 4 | Próxima >>