Concepções básicas
O fundamento
básico do projeto de aproveitamento de águas pluviais assenta-se
sobre o grau de atendimento das demandas de água não potável
frente à oferta de precipitação pluvial no local.
A quantidade de água pluvial a ser aproveitada é diretamente
proporcional à área de captação.
Exemplos de cálculos sobre demanda e oferta de águas pluviais
são encontrados na publicação "Uso Racional
da Água em Edificações" do Prosab (Programa
de Pesquisa em Saneamento Básico), da Finep (Gonçalves,
2006).
A aplicação de sistemas de aproveitamento de água
pluvial deve passar por avaliação econômico-financeira.
Não raramente sistemas de aproveitamento levam a longos períodos
de retorno financeiro, pois têm grande peso as despesas com energia.
Soluções de captação e condução
de águas pluviais
A condução das águas precipitadas sobre as coberturas
usualmente é feita por meio de calhas, condutores, grelhas, caixas
de amortecimento e outros componentes, projetadas da mesma forma que nas
instalações prediais de águas pluviais, segundo a
norma brasileira NBR 10844/1989.
Três situações básicas podem ser consideradas
quanto à relação entre a área de captação
e o reservatório:
a) reservação somente com reservatório elevado;
b) reservação somente com reservatório inferior;
c) reservação dotada de reservatório inferior e
superior.
No primeiro caso a cobertura, ou a parcela de cobertura destinada à
captação deverá levar em conta a possibilidade do
escoamento da precipitação, por gravidade, para o reservatório
superior. A figura 1 ilustra essa solução.
Variantes dessa solução são apresentadas na figura
2.
No segundo e terceiro caso a captação corresponderá
à área integral da cobertura, dotada de calhas ou canaletas
e condutores verticais.
Uma configuração de simples implantação no
caso de casas térreas existentes é ilustrada na figura 3.
Trata-se de solução promissora para implantação
massiva visando à atenuação do pico de cheias.
Soluções alternativas de calhas e condutores verticais
incluem filtros de materiais grosseiros, conforme ilustram as figuras
4 e 5.

Soluções de tratamento de águas pluviais
Estudos mostram que o tratamento da água pluvial captada é
obrigatório devido aos riscos associados ao material carreado pela
água de chuva quando do escoamento sobre a cobertura. Observa-se
a presença de material grosseiro, como folhas, gravetos, sementes
e sólidos suspensos e dissolvidos originados de fezes de pássaros,
gatos e roedores, além de material particulado fino sedimentado
sobre as coberturas a partir de suspensão aérea, além
de microrganismos patogênicos presentes em águas de coberturas,
conforme mostram pesquisas em cursos no IPT (Instituto de Pesquisas Tecnológicas
do Estado de São Paulo) realizadas também em outras instituições
(May, 2004; Rebello, 2004; Gonçalves, 2006).
O tratamento para usos domésticos não potáveis
é realizado visando alcançar características de qualidade
compatíveis com os usos desejados. A norma brasileira relativa
ao aproveitamento de águas pluviais, NBR 15527/2007, estabelece
que os padrões de qualidade "devem ser fixados pelo projetista
de acordo com a utilização prevista".
No caso dos usos não potáveis previstos neste artigo é
possível estabelecer características de qualidade comuns
a todos eles.
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