Descarte
Estudos do IPT mostram que o descarte das primeiras águas escoadas
de coberturas é altamente recomendado, particularmente após
vários dias sem chuva como ocorre na estiagem de inverno, dada
à concentração de poluentes e microrganismos.
Segundo pesquisas realizadas no âmbito do Prosab, o volume de descarte
corresponde ao escoamento do primeiro milímetro de precipitação,
ou seja, 100 l para cada 100 m² de cobertura. Um dispositivo de descarte
bastante prático é ilustrado na figura 7.
Os dispositivos de descarte podem contar com esvaziamento automático
ou manual.
Filtro de finos
A operação de sistemas de aproveitamento de águas
pluviais tem mostrado que mesmo as instalações dotadas de
filtro de grosseiros e aparelho de descarte podem requerer a filtração
de material particulado mais fino.
Existem diversos fabricantes de filtros de areia ou de resina no mercado.
Grande parte dos filtros de areia opera com a água sob pressão
e permite retrolavagem para remoção do material retido.
Deve ser previsto reservatório de água para retrolavagem,
segundo a freqüência estabelecida pelo fabricante, ou ditada
pela prática operacional.
Em pesquisa em curso no IPT foi desenvolvido um filtro de fabricação
simples e que não requer pressurização da água
para filtração. O filtro foi construído de modo a
incorporar a filtração de material grosseiro na parte superior
e de material particulado fino na parte inferior utilizando areia como
meio filtrante. A figura 8 ilustra o esquema básico do filtro.
O meio filtrante é de areia média lavada com 10 cm de espessura
e taxa de aplicação de 336 m3/m2/dia.

Desinfecção
A ocorrência de microrganismos em águas de chuva escoadas
de coberturas recomenda fortemente a desinfecção.
Os sistemas de desinfecção mais utilizados são
os baseados na aplicação de cloro, ozônio ou raios
ultravioleta. A desinfecção com cloro permite manter ação
mais prolongada por meio de concentração residual de cloro
livre que permanece efetiva por algum tempo.
Em instalações prediais prevê-se a aplicação
de cloro através de dosadores de cloro líquido injetados
na tubulação que conduz a água pluvial ao reservatório,
através de pastilhas ou de uma solução simplificada
desenvolvida no âmbito do Prosab, em que a desinfecção
é obtida por difusão do cloro contido em uma garrafa plástica
perfurada colocada no fundo do reservatório (Daniel, 2001).
O ozônio é um agente desinfetante bastante eficiente, mas
sua aplicação deve ser cuidadosamente projetada para que
ocorra a mistura completa da quantidade correta de gás no fluxo
de água escoando. O emprego do ozônio permite realizar a
desinfecção na tubulação que conduz a água
ao ponto de uso, ou por meio de sistema cíclico conforme ilustra
a figura 9.
Armazenamento
de águas pluviais
O armazenamento de águas pluviais tem destacada importância
dados os impactos arquitetônicos, estruturais, financeiros e operacionais
que envolve.
As soluções de armazenamento podem ser agrupadas nas três
formas básicas já citadas anteriormente (somente reservatório
elevado, somente reservatório inferior e reservatórios inferior
e superior).
O primeiro caso supõe que a alimentação do reservatório
será feita a partir de cobertura, calhas e condutores, situados
em nível superior ao do reservatório. A figura 10 ilustra
duas possibilidades de assentamento do sistema de tratamento no caso de
reservatório de águas pluviais elevado.
Experimentos realizados pela Universidade Federal da Bahia, em conjunto
habitacional de baixa renda, levaram à solução ilustrada
na figura 11. Observa-se que o reservatório é alimentado
diretamente a partir da cobertura e situado em cota tal que permite o
uso de água de chuva no tanque e em torneira de jardim.
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