O segundo caso corresponde à situação na qual os
usos previstos possam ser atendidos com o posicionamento do reservatório
em cota relativamente baixa, como no atendimento de pontos situados em
garagens.
O terceiro caso é, de certa forma, análogo ao sistema
de água potável de um edifício de diversos andares.
O reservatório inferior de água pluvial conta com bomba
de recalque que alimenta o reservatório superior. Deste último
deriva-se o barrilete para distribuição de água pluvial
por meio de colunas de alimentação servindo aos diversos
pontos de uso (descarga de bacias sanitárias, lavagem de pisos
e rega, por exemplo).
Em todos os casos de reservação de águas pluviais
deve ser levado em conta que em períodos de estiagem pode não
haver água de chuva suficiente para a demanda. esse caso os reservatórios
de água pluvial deverão receber complementação
do sistema de água potável, evitando-se o fenômeno
da conexão cruzada. Para tanto deve ser observada a norma brasileira
de água fria NBR 5626 que exige uma separação atmosférica
(gap) de no mínimo 5 cm entre o tubo de alimentação
de água potável e o reservatório de águas
pluviais.
Inversamente,
no período de cheias, o sistema deverá contar com extravasão
compatível.
A complementação da alimentação por água
potável pode ser feita no reservatório superior de água
pluvial. Nesse caso a água potável pode ser conduzida por
gravidade do reservatório superior de água potável
para o reservatório superior de água pluvial ou, ainda,
através de pequena bomba de recalque, conforme ilustra a figura
12.
O projeto dos reservatórios de águas pluviais deve ser
elaborado tomando como diretrizes as normas brasileiras: NBR 12217/1994
relativa aos reservatórios de distribuição de água
para abastecimento público, NBR 5626/1998 aplicável à
instalação predial de água fria e NBR 15527/2007.
Os reservatórios devem ser dotados de extravasor, dispositivo
de esgotamento total, cobertura para evitar entrada de pó, insetos
e minimizar a radiação luminosa, dispositivos ou configurações
que permitam inspeção, manutenção e ventilação.
No caso dos reservatórios serem alimentados com água pluvial
contendo sólidos em suspensão sedimentáveis ou que
flutuam, há necessidade de dispositivos e configurações
específicas para minimizar o acesso de sólidos às
tubulações que servem os pontos de uso.
Para atenuar o risco de extração da mistura de água
com esses sólidos finos presentes no reservatório no momento
do uso ou sucção, recomenda-se situar a extremidade da tubulação
de tomada d'água a meia-altura entre o fundo e a lâmina livre
no reservatório. A alimentação deverá ser
projetada para evitar turbulência no interior do reservatório
para que não ocorra ressuspensão de sólidos.
O dimensionamento do volume de reservação de água
pluvial deve ser elaborado por método que leve em conta a oferta
e a demanda de água pluvial. A oferta é descrita pelas séries
históricas de precipitação pluvial da localidade
ao longo do tempo. A demanda deve ser calculada a partir dos volumes aplicáveis
aos usos não potáveis previstos.
A norma brasileira NBR 15527/ 2007 e Gonçalves (2006) apresentam
uma série de métodos de dimensionamento do volume de reservação
necessário. Alguns métodos levam a volumes excessivos e
onerosos. Recomenda-se o dimensionamento pela fórmula que utiliza
o maior número de dias consecutivos sem chuva e o volume diário
demandado, apresentado por Gonçalves (2006), o método da
simulação de reservatórios ou o método prático
australiano, sugeridos na norma brasileira.
O método de simulação de reservatórios e
o método prático australiano são particularmente
interessantes porque permitem aquilatar em que grau será atendida
a demanda de água pluvial, considerada a série histórica
de precipitações.
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