A expressão para o cálculo do volume de reservação
baseado no número máximo de dias consecutivos sem chuva
para um dado período de retorno é dada por:

Onde:
VRES é o volume do reservatório
(l);
QNP é a somatória das demandas
de usos não potáveis (l/dias);
DS é o maior número consecutivo de dias sem chuva na
localidade para um dado período de retorno (dias).
Para uma residência térrea de classe média com cinco
habitantes situada em Florianópolis, cuja soma das demandas de
água para uso não potável totalizou 178,33 l/dia,
a aplicação da última fórmula levou a um volume
de reservação de água pluvial de 1.783,3 l que foi
arredondado para 2 mil l. O serviço de metrologia informou que
o valor de DS para a cidade, em série histórica de dez anos,
é de dez dias. Considerando edifício de quatro pavimentos
com quatro apartamentos por andar na mesma cidade, a demanda de usos não
potáveis foi calculada em 2.218,676 l/dia. Resultou um volume de
reservação de 22.186,7 l arredondado para 22 mil l (Gonçalves,
2006). Observe-se que a eficiência de atendimento global de usos
não potáveis da reservação calculada por esse
método requer verificação do índice de atendimento
da demanda considerado o potencial de oferta, ou seja, alturas precipitadas
segundo série histórica.
Condução de águas pluviais em tubulações
sob pressão
A
condução de águas pluviais sob pressão em
tubulações depende do posicionamento dos reservatórios,
considerando as três situações já mencionadas.
Para um edifício de diversos pavimentos, são ilustradas
na figura 13 configurações das tubulações
sob pressão resultante do posicionamento de reservatórios
de água pluvial e de água potável nas três
posições consideradas.
O dimensionamento das tubulações de água pluvial
sob pressão é feito de maneira análoga ao das tubulações
de água potável, com base na norma brasileira NBR 5626/1998.
Prevê-se a utilização de sistemas de comando automatizados
razoavelmente complexos no caso ilustrado.
Soluções relativas à utilização
A utilização da água pluvial tratada em usos domésticos
não potáveis deve levar em conta as possibilidades de uso
indevido, como ingestão ou banho, e de acidentes que comprometam
a segurança sanitária e operacional dos sistemas prediais
de água, especialmente tendo em conta a potencialidade de ocorrência
da conexão cruzada com o sistema de água potável.
No que tange ao uso indevido é necessário prever barreiras
físicas e conscientização e treinamento do usuário.
Barreiras físicas incluem torneiras de engate rápido, torneiras
sem volante ou com volante lacrado. A pintura das tubulações
e demais partes da instalação em cor convencionada serve
de alerta para uma população usuária previamente
conscientizada e treinada.
Wolney Castilho Alves, engenheiro civil e sanitarista, Dr. pesquisador
e professor do IPT e do Centro Universitário Senac, e-mail: wolneipt@ipt.br
Luciano Zanella, engenheiro civil, Dr. pesquisador e professor do
IPT,
e-mail: lucianoz@ipt.br
Maria Fernanda Lopes dos Santos, Bióloga, Dra. pesquisadora
do IPT e professora do Centro Universitário Senac, e-mail: maria.flsantos@sp.senac.br
LEIA MAIS
Uso Racional da Água em Edificações.
R. F. Gonçalves (coord.). Prosab (Programa de Pesquisa em Saneamento
Básico). Abes (Associação Brasileira de Engenharia
Sanitária e Ambiental), Rio de Janeiro, 2006.
Processos de Desinfecção e Desinfetantes
Alternativos na Produção de Água Potável.
L. A. Daniel (coord.). Prosab (Programa de Pesquisa em Saneamento Básico).
Abes (Associação Brasileira de Engenharia Sanitária
e Ambiental), Rio de Janeiro, 2001.
Conservação de Água em Edificações:
Estudo das Características de Qualidade da Água Pluvial
Aproveitada em Instalações Prediais Residenciais. Rebello,
G. A. O. Dissertação de Mestrado apresentada ao Mestrado
em Tecnologias Ambientais
do IPT, 2004.
Estudo da Viabilidade do Aproveitamento de Água
de Chuva para Consumo Não Potável em Edificações.
May, S. Dissertação de Mestrado apresentada à Escola
Politécnica da USP, 2004.
NBR 15527 - Água de Chuva - Aproveitamento
de Coberturas em Áreas Urbanas para Fins Não Potáveis
- Requisitos. ABNT (Associação Brasileira de Normas
Técnicas), 2007.
NBR 10844 - Instalações Prediais
de Águas Pluviais. ABNT, 1989.
NBR 5626 - Instalação Predial de
Água Fria. ABNT, 1998.
NBR 12217 - Projeto de Reservatório de
Distribuição de Água para Abastecimento Público.
ABNT.
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