Épocas de crescimento costumam criar vetores de transformação nos modos de produção. Por conseqüência, mudam também as profissões. O processo de expansão vivido hoje pelo setor, em especial na área imobiliária, tem acentuado algumas novas expectativas em relação aos profissionais da construção civil. O que se exige do engenheiro civil de hoje certamente é bastante distinto do que se valorizava há 30 anos. Há quem aponte, com alguma razão, que estamos dando cada vez mais importância à gestão e menos à engenharia civil. Óbvio que, sem os conhecimentos elementares da técnica, nenhum princípio de gestão tornará boa uma obra malprojetada ou mal-executada. Mas também é verdade que, sem uma gestão adequada, obras não são entregues no prazo, não geram o retorno esperado e acabam prejudicando as empresas. A função primordial da engenharia está justamente nessa linha tênue entre controle de custos, cumprimento de prazos e boa técnica. E como ninguém é capaz de dominar todos os conhecimentos, é natural que os profissionais acabem se especializando nas áreas mais diversas: orçamento, planejamento, coordenação de projetos, estruturas, fundações, fachadas, impermeabilização, sustentabilidade etc. Embora os detratores da especialização levantem a voz, a realidade é que o mundo caminha nessa direção. Não é predisposição ou capricho de escolas - são nos canteiros e nos escritórios que batem as novas demandas. Possuir diferenciais de conhecimento e saber aproveitar o novo ciclo de expansão do setor poderá impedir que engenheiros vocacionados tenham que bater à porta de bancos, financeiras e seguradoras para ganhar a vida. Vale fazer, entretanto, uma ressalva. Bons generalistas são como faróis do conhecimento. Sugerem, ponderam e analisam o todo com propriedade. Exatamente por isso serão sempre imprescindíveis. Infelizmente, restam poucos.