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Melhor areia

Para o uso como emboço, a areia deve possuir quais características? É preciso realizar ensaios de caracterização?

Armando Lemos Ueldi, Goiânia

As argamassas, tanto de assentamento quanto de revestimento, representam custo muito importante na construção, chegando seu preço a superar o próprio preço do concreto. Para aplicações idênticas, em função da forma do grão, do módulo de finura e da distribuição granulométrica da areia, podem ser produzidas argamassas com grande variação no consumo de aglomerante (por exemplo, desde 300 kg/m³ até 450 kg/m³), podendo-se daí inferir a grande influência da areia no consumo necessário de aglomerante e, conseqüentemente, na composição do custo da argamassa. Dos pontos de vista econômico e técnico, as melhores areias para preparação de argamassa são as areias médias a grossas (módulo de finura entre 3 e 4, por exemplo), com distribuições granulométricas contínuas (grãos pequenos encaixam-se nos médios, que por sua vez encaixam-se nos graúdos etc.). Quanto maior o módulo de finura, menor a quantidade de água necessária para lubrificá-los e menor a quantidade de pasta necessária para revesti-los – conseqüentemente, menor consumo de aglomerante, menor custo, argamassa menos retrátil, menos fissuras, argamassa com maior poder de assimilar deformações impostas etc. Mais decisiva que a própria granulometria, é a forma do grão. Grãos arredondados apresentam menor atrito interno e menor área específica que, por exemplo, grãos achatados ou lamelares – conseqüentemente, melhor trabalhabilidade com menor consumo de água e de aglomerante, potencializando-se ainda mais as vantagens apresentadas no parágrafo anterior.

Areias naturais tendem a apresentar grãos arredondados. Nas areias artificiais, obtidas a partir da britagem de rochas, os grãos geralmente são angulosos, ásperos e lamelares, exigindo maior quantidade de água e de aglomerantes. Tais desvantagens podem ser contrabalanceadas com o emprego de aditivos plastificantes e incorporadores de ar, o que muitas empresas fabricantes de argamassa industrializada já vêm fazendo. O emprego dessas areias artificiais tornou-se quase que obrigatório nos grandes centros urbanos, onde as jazidas de areias naturais foram praticamente exauridas. Além das características acima, é importante que a areia não apresente teores consideráveis de matéria orgânica, argila, mica e outras impurezas, recomendando-se sempre a realização de ensaios de caracterização e o atendimento da areia à norma NBR 7211.

Ercio Thomaz, Cetac (Centro de Tecnologia do Ambiente Construído)

Tinta para área úmida

Qual o tipo de tinta mais indicado para uso em banheiros, mesmo que tenha ventilação? Existem tintas que impedem a formação de bolor?

Gerson M. Dias, Santo André (SP)

As pinturas de paredes e, principalmente, de tetos de banheiros providos com boxe de chuveiro são submetidas a solicitações extremamente adversas, com subseqüentes ciclos de umedecimento e secagem. Além disso, de encontro a superfícies resfriadas, principalmente no inverno, ocorre condensação do vapor de água, que favorece o umedecimento da película e a proliferação de fungos. Assim sendo, as pinturas sintéticas devem possuir grande flexibilidade e impermeabilidade, com teor de resina suficiente para dificultar ao máximo o acesso da umidade aos pigmentos e cargas que compõem a tinta, materiais que são, em última instância, os responsáveis pelas movimentações higroscópicas. Caso os materiais das paredes e tetos apresentem boa porosidade e razoável capacidade de "respiração", a caiação pode ser a solução ideal. Caso contrário, bases de concreto por exemplo, é recomendável o uso de tintas à base de borracha clorada, poliuretano, resina epóxi ou resina acrílica. Em qualquer situação, para evitar o desenvolvimento de microrganismos, é recomendável que a tinta seja formulada com aditivos fungicidas e bactericidas.

Ercio Thomaz, Cetac-IPT (Centro de Tecnologia do Ambiente Construído)

Trincas de alvenaria

Quais podem ser as causas de trincas entre a alvenaria e a laje? É possível evitá-las?
Jorge Reski Santos, São Paulo

Tais patologias normalmente estão associadas a movimentações das lajes, desde a retração de secagem do concreto até as contrações e dilatações térmicas nas lajes de cobertura. Flexibilidade de lajes pode provocar fissuras em alvenarias estruturais que lhes sirvam de apoio. Retração de secagem/encunhamento precoce de alvenarias também podem causar fissuras ou destacamentos. Para evitar o problema há uma série de recursos relacionados ao projeto e aos processos construtivos, ou seja: adequado dimensionamento estrutural da laje (rigidez e armaduras de combate à fissuração), cura adequada do concreto, cintamento/introdução de armaduras nas alvenarias, retardamento ao máximo do encunhamento de paredes etc. Relativamente às lajes de cobertura, onde o problema se manifesta com intensidade muito maior, alguns dos recursos que podem ser utilizados são:

  • sombreamento da laje/introdução de telhado;
  • utilização de telhas-sanduíche, com recheio isolante térmico;
  • pintura da face superior das telhas com tinta branca ou reflexiva;
  • emprego de subcobertura que impeça ou minimize o calor irradiado a partir da face inferior das telhas;
  • ventilação do ático;
  • subdivisão da laje de cobertura com diversas juntas de dilatação;
  • aplicação de camada de isolação térmica sobre a laje;
  • reforço/entelamento do revestimento da parede no encontro entre a alvenaria e a viga superior;
  • criação de friso, rebaixo ou junta flexível no mesmo encontro;
  • no caso de alvenaria estrutural, criação de apoio deslizante entre a laje de cobertura e a alvenaria.

    Ercio Thomaz, Cetac-IPT (Centro de Tecnologia do Ambiente Construído)

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