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Técnica e ambiente
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Território dividido


Implantado em área de preservação ambiental, centro tecnológico convive com fauna silvestre e conta com arquitetura que favorece o conforto térmico


Por Bruno Loturco


Metade do terreno ocupado pelo centro tecnológico e administrativo do grupo Mahle Brasil, dedicado ao desenvolvimento de motores, é classificado como APP (Área de Preservação Permanente). Localizado na Serra dos Cristais, em Jundiaí, cidade do interior de São Paulo, o terreno fica no entroncamento das rodovias Bandeirantes e Anhangüera, no km 48, e foi doado pela Prefeitura.

A preservação da mata nativa e a convivência harmoniosa com os animais que residem na região é inerente às obras em APPs. E como esse terreno é localizado dentro de uma microbacia, foi necessário restaurar a mata ciliar das duas lagoas existentes no local.

Com a implantação do Programa de Gestão da Racional Engenharia, empresa responsável pela execução da obra, foram identificados riscos e impactos decorrentes da atividade construtiva. Daí foram definidos controles operacionais e planos de emergência que contemplaram, inclusive, a coleta seletiva de resíduos.

Uma das primeiras ações, então, foi cercar a APP com arame liso e mourões de eucalipto. Assim, a cada 30 m de cerca foram deixadas aberturas de 1 m de largura para permitir a passagem de animais e restringir a circulação de pessoas. Como complemento a essa medida, foram instituídos serviços de ronda e vigilância patrimonial para impedir o acesso de terceiros, além de treinamentos e trabalhos de conscientização de colaboradores, fornecedores e visitas. "Não se pode entrar na APP sem justificativa e sem comunicar os órgãos responsáveis", salienta Luciana Biondi, coordenadora do Sistema de Gestão Integrada da Racional.

De acordo com os preceitos da ISO 14001 (norma que define os requisitos para estabelecer e operar um sistema de gestão ambiental), a Racional adota materiais recicláveis ou reciclados para montagem do canteiro. Caso, por exemplo, do uso de painéis de madeira e telhas de cimento recicladas sem amianto e das telhas translúcidas para minimizar o consumo elétrico. "O custo de montagem de canteiros é até menor por usar material reciclado", afirma Wilson Pompílio, diretor-executivo da construtora. Além disso, os caminhões que saem do canteiro têm as rodas lavadas em sistema que conta com duas caixas de decantação.

O restauro da mata ciliar se deu com a implantação de um programa de manutenção de plantio de mudas. Entre quatro e cinco mil espécimes vegetais nativas foram reintroduzidas ao meio. A escolha por mudas nativas visou a melhor adaptação às características climáticas da região.

Como a área onde se encontra a obra não conta com redes para abastecimento de água e coleta de esgoto, a captação de água, desde o início da construção, é feita em poço artesiano e os dejetos são acondicionados em tanques até a transferência para a estação de tratamento presente no empreendimento. Após tratamento, a água é armazenada em tanque de reúso, com 150 m³ de volume. A estação de tratamento tem capacidade para processar até 30 m³ de água por dia. Toda essa água será reutilizada para jardinagem, lavagem de áreas externas, arrefecimento dos motores em teste, em vasos sanitários e mictórios.

Projeto sustentável
Parte dos efluentes será aproveitada nos espelhos d'água existentes nas lajes do primeiro e do segundo pavimento. A cobertura do terceiro anel e das marquises conta com telhas zipadas ou trapezoidais. Além do efeito arquitetônico, os espelhos aumentam a inércia das lajes e diminuem os efeitos da carga térmica decorrente da insolação. Como conseqüência direta, há o incremento no conforto ambiental dentro da edificação e a redução no consumo de ar-condicionado. A impermeabilização dessas lajes foi feita com manta dupla e, devido à minimização da oscilação térmica, demanda menos manutenção ao longo dos anos.

A implantação do edifício no terreno íngreme propiciou, além da criação dos espelhos d'água e de melhor aproveitamento da iluminação natural, a incorporação do talude à construção e, logo, sua proteção. A arquitetura, do arquiteto Ricardo Loeb, deixou os taludes aparentes em locais como restaurante, recepção e biblioteca para criar um efeito visual diferenciado. A preocupação com os taludes se deu já no início da obra, com a construção dos acessos ao canteiro. Embora com custo mais elevado, uma das vias de acesso foi executada com gabiões para diminuir o pé do talude e evitar invasão à APP.

A estrutura foi executada com elementos pré-moldados e moldados in loco, a depender da solicitação e da peculiaridade do local. Em alguns pontos adotou-se a execução de vigas pré-moldadas em canteiro, pois a inclinação do terreno impediria a chegada de peças pré-moldadas com 16 m de comprimento. A empresa prioriza o uso de elementos pré-moldados devido à racionalização e ao menor impacto ambiental proporcionado pelo uso de fôrmas metálicas. "Adotamos pré-moldados por questões logísticas e de melhor execução", aponta o gestor de contratos da Racional, engenheiro Waldemar Marotta.

O projeto de distribuição elétrica dentro do empreendimento também levou em conta a otimização no uso de energia elétrica. Previu a instalação de subestações separadas e com divisões de acordo com os usos. Dessa maneira, foi possível receber a energia da concessionária em média tensão e redistribuí-la internamente. Essa estratégia acarretou menor perda de carga ao longo do deslocamento.

Conteúdo online exclusivo:
>>> Confira mais fotos do centro tecnológico e administrativo do grupo Mahle Brasil, na Serra dos Cristais, em Jundiaí (SP).

 
 
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