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| O Pólo de Urucu produz diariamente 54 mil
barris de petróleo, 9,7 milhões de metros cúbicos
de gás natural e 1.600 t de GLP |
Resumo
Complexo Hoteleiro Vitória-Régia - 1ª fase
Local: Base Operacional de Urucu, Coari (AM)
Área do terreno: aproximadamente 100 km²
Área construída: dois alojamentos de 1.386
m² cada, um prédio central com 2.035 m² e um edifício
de recepção com auditório de 610 m²
Duração da obra: seis meses
Sistemas construtivos adotados: fundação
com radier de concreto; estrutura em steel frame; fechamento externo com
placas cimentícias; fechamento interno com drywall; cobertura com
telhas metálicas tipo sanduíche Qualquer construção
de médio e grande porte em meio à Floresta Amazônica
requer ações especiais, seja por causa das condições
do local - precária na maior parte das vezes em função
da falta de infra-estrutura e do clima tipicamente tropical - seja
pela necessidade de rigoroso controle ambiental.
Esses desafios foram enfrentados também durante as obras do conjunto
de alojamentos que fazem parte do Complexo Hoteleiro Vitória-Régia,
na estação de Urucu, em Coari (AM), a 650 km a sudoeste
de Manaus. Ali, onde há um campo de extração de petróleo
e gás natural em operação desde 1986, os trabalhadores
até então utilizavam alojamentos erguidos de forma improvisada
e dispersa. Um novo projeto, porém, atualmente em andamento, deve
concentrar a estrutura em uma área de 100 km², incluindo não
só os alojamentos, como também prédio de escritórios,
restaurante, centro de treinamento e um centro de integração
(com espaço para a prática de esportes e atividades de lazer).
A prioridade era garantir a criação de uma infra-estrutura
compatível com as necessidades atuais, minimizando os impactos
ambientais de sua construção ao máximo. Uma das prerrogativas
era a de que a produção dos campos de petróleo não
é eterna. Portanto, quando se decidir suspender as atividades,
será preciso desmontar toda a infra-estrutura construída
e devolver à selva a sua condição inicial. Ao mesmo
tempo, buscava-se uma solução construtiva limpa, que não
exigisse o uso de madeira nativa, que trouxesse baixo risco ambiental
à floresta e com o mínimo de desperdício de materiais.
Na primeira etapa do empreendimento, recém-concluída, foram
erguidos dois alojamentos para 260 pessoas e um prédio central,
somando 5 mil m². A necessidade de reduzir os danos ambientais justificou
a especificação do steel frame como solução
estrutural. Alexandre Mariutti, diretor da construtora Seqüência,
responsável pela execução da obra, explica que a
escolha levou em conta o peso global e a quantidade de insumos demandados
para se construir com o sistema. Isso porque todos os materiais deveriam
ser levados até o meio da selva, exigindo rigoroso planejamento
logístico e custando emissões de CO2 decorrentes do transporte
(veja boxe).
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| O impacto da construção
das novas instalações foi rigorosamente analisado. A
idéia é que um dia toda a infra-estrutura construída
possa ser desmontada e reciclada |
Também por influenciar diretamente a sustentabilidade, a quantidade
de entulho gerado, bem como a sua capacidade de ser reciclado, foi considerada.
Todo o material remanescente da obra era armazenado em um pátio e,
ao final, foi retirado da floresta e devolvido a Manaus para ser separado
e reciclado. Dos 53 contêineres de material de construção
transportados até Urucu, apenas meio retornou à cidade na
forma de entulho. Outro item que pesou na avaliação
da eco-sustentabilidade do empreendimento foi o número de profissionais
envolvidos na obra. A construção industrializada permitiu
redução da quantidade de mão-de-obra em aproximadamente
40%, em comparação a uma construção tradicional,
conforme dados do construtor. O perfil do pessoal também é
diferente. "Uma obra baseada em montagens envolve maior participação
de profissionais mais capacitados. Proporcionalmente há mais técnicos
que ajudantes", diz Mariutti.
Um grupo de montadores foi deslocado de São Paulo para a reserva
de Urucu. Divididos em duas turmas, eles se revezavam no trabalho em regime
de confinamento durante 15 dias. Uma conseqüência desse tipo
de escala é sobre a produtividade, que inevitavelmente cai. "Sabíamos
que a cada troca de equipe haveria uma quebra no ritmo", conta Mariutti.
Segundo ele, para minimizar esse efeito, preferiu-se substituir o pessoal
aos poucos. Assim, em vez de trocar uma equipe inteira por outra, a cada
semana apenas dez membros eram substituídos.
Produção e segurança
As edificações foram concebidas, desde o início,
para serem estruturadas com perfis leves de steel frame. Ao contrário
do que ocorre na maior parte das obras que empregam esse sistema construtivo,
a velocidade de execução era algo importante, mas não
prioritário. A estratégia foi investir tempo e dinheiro
em planejamento, o que conseqüentemente permitiu que a obra ocorresse
em um bom ritmo, apesar das restrições e cuidados adicionais
decorrentes de suas particularidades.
Durante dois meses, a equipe de engenheiros e arquitetos se dedicou ao
desenvolvimento de protótipos que permitiram avaliar a compatibilidade
de materiais, identificar os custos de transporte etc. Somente quando
esse protótipo foi aprovado com todas as interfaces - caixilho,
calha, acabamentos - foi dado início à parte executiva.
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