MELHADO, Silvio, Doutor em Engenharia Civil, Livre-Docente em Tecnologia de Processos Construtivos, Professor Associado Depto. de Eng. de Construção Civil da Escola Politécnica da USP, Av. Prof. Almeida Prado, trav. 2, n.83 - Cidade Universitária - São Paulo - SP, CEP: 05508-900 -
E-mail: silvio.melhado@poli.usp.br
ADESSE, Eliane, Arquiteta, Especialista em Tecnologia e Gestão na Produção de Edifícios, Mestre em Arquitetura pelo PROARQ - UFRJ -
E-mail: elianeadesse@ig.com.br
BUNEMER, Ricardo, Engenheiro Civil - E-mail: rbunemer@terra.com.br
LEVY, Maria Cecília, Arquiteta - E-mail: cecilialevy@uol.com.br
LUONGO, Márcio, Arquiteto - E-mail: marcio@luongo.arq.br
MANSO, Marco Antonio, Engenheiro Civil, Mestre em Habitação pelo IPT - SP -
E-mail: dptecnico@fortenge.com.br
Resumo
Este artigo apresenta a recente proposição de um escopo de serviços para coordenação de projetos, voltado à aplicação em projetos imobiliários (residenciais ou comerciais). O trabalho foi concluído em meados do primeiro semestre de 2006 e pretende suprir algumas lacunas importantes de referenciais técnicos dos processos de contratação e de coordenação do desenvolvimento de projetos, servindo como orientação para a obtenção da qualidade dos projetos nesse segmento da construção de edifícações.
Palavras-chaves: edificações; gestão de projetos; escopo de projeto; contratação de projetos.
Abstract
The aim of this paper is the introduction of a recent proposal on design coordination scope for real estate projects (both residential and commercial). The work has been finished in the first term of 2006 and it intends to contribute to fulfil the lack of technical guides for design procurement and design coordination processes, being useful as a guidance to the design quality achievement in the building construction sector.
Key-words: building; design management; design scope; design procurement.
INTRODUÇÃO
As relações entre contratantes e profissionais de projeto envolvem diversas dificuldades de ordem técnica e comercial, principalmente pela deficiência de normas e regulamentações que efetivamente possam apoiar tal relacionamento. Particularmente, pode-se dizer que há poucos elementos reconhecidamente aceitos para a definição do conteúdo dos projetos a serem entregues, e dos serviços a serem prestados pelos projetistas - faltam referências para escopo de serviços de projeto. Como conseqüência, constata-se uma tendência a distorções na contratação, que estimulam a concorrência por preços sem uma clara relação com a real prestação de serviços a eles associada, além de induzir conflitos entre contratantes de projetos e projetistas durante o processo, configurando prejuízos para a qualidade do processo e do empreendimento.
E, especificamente com relação à coordenação dos projetos, trata-se de uma atividade que, apesar de sua importância cada vez mais reconhecida, sofre de uma total falta de parametrização para efeito de prestação de serviços. Essa dificuldade de definir precisamente o que faz a coordenação foi, inclusive, uma das polêmicas debatidas durante o I Workshop Brasileiro de Gestão do Processo de Projeto na Construção de Edifícios, em São Carlos (WORKSHOP, 2001).
A coordenação de projetos é uma atividade de suporte ao desenvolvimento do processo de projeto, voltada à integração dos requisitos e das decisões de projeto. A coordenação deve ser exercida durante todo o processo de projeto e tem como objetivo fomentar a interatividade entre os membros da equipe de projeto e melhorar a qualidade dos projetos assim desenvolvidos.
Trata-se essencialmente de reconhecer que o projeto é um processo interativo e coletivo, exigindo assim uma coordenação do conjunto das atividades envolvidas, compreendendo momentos de análise crítica e de validação das soluções, sem no entanto impedir o trabalho especializado de cada um dos seus participantes. Essa coordenação deve considerar aspectos do contexto legal e normativo que afeta cada empreendimento, estabelecer uma visão estratégica do desenvolvimento do projeto e levar devidamente em conta as suas incertezas. (MELHADO, 2001)
A COORDENAÇÂO DE PROJETOS
Ao analisar vários trabalhos acerca da coordenação de projetos, como os de Fabricio (2002), de Novaes; Fugazza (2002) e de Picoral; Solano (2001), fica claro que não existe um modelo único, ideal para todos os tipos de empreendimento e para as diferentes características dos clientes, das empresas construtoras e das empresas de projeto envolvidas.
De fato, cada caso é um caso e a escolha da coordenação deve considerar a estratégia competitiva e a capacidade técnica e gerencial dos agentes envolvidos, bem como as características específicas de cada empreendimento.
Assim, por exemplo, em uma obra de edifícios de uma empresa incorporadora e construtora com estratégia competitiva bem definida e ligada a uma tecnologia construtiva padronizada, a coordenação pode ser exercida por um coordenador interno que conheça bem essa cultura construtiva. No caso de uma empresa construtora sem grande domínio tecnológico sobre as suas obras e sem amplo conhecimento tecnológico e construtivo, a coordenação externa pode ser utilizada para aprimorar tecnologicamente o projeto e incrementar inovações construtivas.
Para uma pequena obra residencial unifamiliar ou em uma obra com um forte viés cultural como, por exemplo, um importante museu, teatro ou centro cultural, provavelmente o arquiteto autor do projeto seria o mais indicado para coordenar, seja pela simplicidade do empreendimento, seja pelo apelo cultural e criativo que a obra suscita.
Quanto ao relacionamento contratual entre o empreendedor e a coordenação de projetos, ela pode, ainda, ser desenvolvida interna ou externamente à estrutura de gestão do contratante de projetos. Assim, o coordenador de projetos pode ser um integrante dos quadros da incorporadora, ou da construtora; e pode ser um profissional externo, contratado por uma delas para o exercício dessa função, em um dado empreendimento.
Em todos esses casos, cabe à coordenação garantir que as soluções técnicas desenvolvidas pelos projetistas de diferentes especialidades sejam congruentes com as necessidades e objetivos dos clientes (empreendedores, investidores ou financiadores, usuários e demais partes interessadas), compatíveis entre si e com a cultura construtiva da empresa construtora que será responsável pelas respectivas obras.
As principais tarefas a serem cumpridas pela coordenação de projetos estão relacionadas à organização e ao planejamento do processo de projeto e à gestão e coordenação das soluções de projeto desenvolvidas. Para desempenhar a contento tais tarefas, o exercício da coordenação de projetos ressente-se, na prática, de orientações que possam nortear o trabalho e, principalmente, auxiliar a sua melhor caracterização aos olhos do empreendedor.
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