Uma lei do deputado Zezéu Ribeiro (PT-BA), em tramitação
no Senado, pretende obrigar todas as prefeituras a contratar arquitetos
ou engenheiros para prestar "assistência técnica pública
e gratuita para projeto e construção de habitação
de interesse social". A idéia tem o apoio da FNA (Federação
Nacional dos Arquitetos), do IAB-DN (Instituto dos Arquitetos do Brasil
- Direção Nacional) e do sistema Confea/Crea (Conselho
Federal de Engenharia, Arquitetura e Agronomia) mas não da totalidade
do setor. Enquanto uns vêem nisso um instrumento de desenvolvimento
urbano ordenado e "direito social à moradia", outros
enxergam no projeto um incentivo à autoconstrução
com reserva de emprego e inchaço na máquina pública.
Embora assistida tecnicamente, a iniciativa não resolve o déficit
estimado de mais de sete milhões de moradias. Os críticos
declaram que apenas as construtoras podem assumir tamanha tarefa. Apesar
de o argumento ser consistente, o que se vê até o momento
é a pouca viabilidade para atender as famílias com renda
inferior a cinco salários mínimos. Empreendimentos para
esse público saem do papel somente com subsídios e sistemas
construtivos de baixo custo. Já há propostas consistentes
nesse sentido, como o Fundo Garantidor Habitacional de São Paulo.
É preciso lembrar, entretanto, que a imensa maioria dos pequenos
municípios brasileiros não possui orçamento para
programas habitacionais. Sendo assim, cabe a pergunta: uma autoconstrução
assistida tecnicamente é melhor do que a ausência plena da
Engenharia? A pergunta está no fórum do site da revista
Téchne, e algumas respostas você pode conferir na página
6 desta edição. E você, o que acha?