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Marcelo Scandaroli
Na ordem: Rudolf Klemmens, Rolf Eckhoff e Trygve Skjold
Engenheiros europeus debatem segurança e riscos de explosões

Especialistas de universidades européias ministraram aulas no IPT (Instituto de Pesquisas Tecnológicas do Estado de São Paulo), entre os dias 12 e 15 de maio, no curso internacional "Segurança Contra Incêndio e Riscos de Explosão no Ambiente Construído". Métodos experimentais e técnicas de supressão de explosão, além de ensaios em câmaras de explosões foram palestrados pelos professores Rolf Eckhoff, da Universidade de Bergen, Noruega, e Rudolf Klemens, da Universidade de Varsóvia, Polônia. Eles estavam assistidos pelo pesquisador Trygve Skjold, da norueguesa GexCon.

Segundo Anthony Brown, professor da Poli-USP e coordenador do curso, o IPT pretende conduzir o interesse de seus pós-graduandos à questão de segurança contra explosões. "Para isso precisamos, contudo, de um laboratório, e agora começamos a fazer os primeiros contatos com os provedores de infra-estrutura para esse objetivo", explica.

"É possível que, no futuro, tenhamos inclusive uma graduação nessa área específica de estudos", anuncia o coordenador do curso Douglas Barreto. "Estaremos criando, assim, mais um requisito de projeto para a construção civil, principalmente nos casos de armazenamento ou produção de materiais explosivos, diz". Confira entrevista com os especialistas.

Temos ouvido falar em explosões devido a reparos malfeitos nas instalações de gás de uso doméstico ou tubulações de materiais com resistência questionável. Aqui no Brasil vemos a constante substituição de tubos de cobre por plástico PVC, com soldas prontas. Esses novos materiais podem proporcionar maior segurança contra acidentes?
Rolf Eckhoff
- O que define o nível de segurança contra explosões de um determinado material é como sua aplicação, em dada situação, foi previamente estudada. Nada impede a aplicação do PVC aos condutores de gás, desde que especificação e instalação sigam normas baseadas em experiências laboratoriais. A partir daí, os quesitos são os mesmos: o tubo terá de suportar a pressão interna - o que não é difícil de obter -, resistindo também aos impactos mecânicos e até ao contato com agentes químicos variados. Vale lembrar que as tubulações, mesmo em plástico, têm durabilidade limitada e exigem manutenções. Assim como o cobre, também sofrem corrosão ou rompimentos, o que gera vazamentos e, em mistura com o ar, explosões. O melhor que se tem a fazer é estudar o desempenho de cada material.

Há como pensar em um padrão específico de projeto de sistemas prediais para segurança contra explosões?
Trygve Skjold
- Desconheço regras gerais para projetos, mas acredito que um bom estudo de ventilação - natural ou artificial - para ambientes confinados, por exemplo, venha a ser a melhor solução para futuros problemas. É preciso saber quais gases estariam expostos nos ambientes em caso de vazamento; como esses vazamentos seriam possíveis e em quais intensidades, para depois avaliar possíveis explosões (mecanismos físico-químicos causadores) e definir a necessidade de ventilação em cada caso.

O que acontece em aterros sanitários? A acumulação de gás metano é mesmo perigosa? O que fazer para evitar explosões?
Rudolf Klemmens
- É certo que o metano pode gerar explosões, mas, como em todas as outras hipóteses, só se estiver misturado com o ar em uma concentração menor que 15%. Partindo desse princípio, dentro das camadas de solo onde o metano é produzido a partir da decomposição do lixo, não deve, preferencialmente, ocorrer o contato com outros gases, como o oxigênio. Outra saída é controlar a concentração dos gases, para que não se atinja a concentração mínima que gera riscos. Como no Brasil o gás não é confinado em tanques (para reutilização como biocombustível, por exemplo), e os aterros são abertos, o problema é menor. Os tubos que vêm das camadas mais profundas do solo liberam o gás diretamente na atmosfera.

E como testar essas concentrações mínimas, considerando temperatura e pressão? Como se prevenir?
Eckhoff
- A resposta dessas perguntas está na importância de se ter um laboratório específico para pesquisas em explosões. Um País das dimensões do Brasil, e com tantos incidentes, deve ter um. Ao mesmo tempo, para dominar o assunto, é preciso experimentar. Não adianta só conhecer a teoria. É preciso estudar caso a caso, na aplicação e contato com cada um dos materiais. Comprar equipamentos do exterior não basta, é necessário desenvolver a tecnologia própria para experimentação.

Qual o investimento necessário para que se tenha tal laboratório?
Skjold
- Se já há um espaço para o laboratório, como o IPT, basta adquirir infra-estrutura, que se encontra no mercado. Os pós-graduandos interessados podem ir à Europa para se familiarizarem com as informações que já existem e, dessa forma, dar continuidade aos trabalhos aqui mesmo.

Mas não é difícil para países como o Brasil dar continuidade à tecnologia desenvolvida há anos na Europa?
Eckhoff
- A China conseguiu. Ajudamos os chineses com os primeiros laboratórios. Eles são ávidos por aprendizagem. Hoje produzem tudo o que precisam, e têm tecnologia tão boa quanto, talvez até melhor que a Suíça. Bastar investir, ter vontade e mão-de-obra interessada. Tenho certeza que, se eles se modernizaram, o Brasil não ficará atrás.

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