Existem ressalvas para aplicação de pesticidas
contra cupins de solo em ambientes construídos sobre áreas
infectadas? A que profundidade as agulhas devem chegar? Os furos são
feitos apenas em volta da casa ou, quando necessário, também
na área interna?
Marco Antonio Felix, Campinas (SP)
Inicialmente,
é preciso ressaltar que os produtos normalmente utilizados para
a execução de uma barreira química em edificações
não podem ser adquiridos por pessoas físicas - só
podem adquirir os produtos as empresas especializadas. Além disso,
entendemos que o consumidor deve evitar o manuseio de produtos químicos
sem o pleno conhecimento sobre as restrições de uso, forma
de manipulação e de aplicação, bem como sobre
o objetivo da realização de qualquer tratamento para controlar
uma infestação de cupins. Sugerimos, ao detectar problemas
de infestação de cupins, ou mesmo de outros organismos xilófagos
em seu imóvel (residencial ou comercial), como fungos e brocas-de-madeira,
chamar duas ou três empresas especializadas para a realização
de uma vistoria e posterior apresentação de uma proposta
comercial baseada nas informações coletadas nessa vistoria.
O primeiro passo para controlar a infestação de cupins é
diagnosticar corretamente o problema por meio de uma inspeção
do imóvel. Com a identificação da(s) espécie(es)
de cupins, será possível definir os tratamentos a serem
realizados para controlar o ataque desses insetos. Os cupins subterrâneos,
por exemplo, têm grande capacidade de dispersão pelo imóvel.
Assim, a inspeção deve avaliar, além da intensidade
do ataque, a dispersão dos cupins, preferencialmente com a utilização
de plantas do imóvel. No caso desses insetos, a investigação
é abrangente, incluindo o madeiramento em contato com a alvenaria,
como batentes, guarnições, rodapés e armários
embutidos, os espaços vazios, como caixões perdidos, colunas
de distribuição, juntas de dilatação e, ainda,
o entorno da edificação, como jardins e anexos eventualmente
existentes. Entendemos que somente a partir desse diagnóstico pode-se
definir e indicar os tratamentos a serem realizados na edificação.
Esses tratamentos envolvem medidas tanto de caráter curativo quanto
preventivo. Os principais são:
>> tratamento de solo: visa criar uma barreira química
no perímetro externo da construção impedindo o
acesso dos cupins subterrâneos à edificação;
na dependência da abrangência da infestação
pode ser executada, também, no seu perímetro interno;
>>tratamento de espaços vazios: consiste na aplicação
de inseticidas nos espaços pelos quais os cupins estão
se dispersando ou mesmo constituindo colônias;
>> tratamento de madeira: restringe-se àquelas peças
ou partes delas em contato com a alvenaria.
Deve-se destacar, também, a possibilidade de se utilizar outras
tecnologias para o controle da infestação de cupins, como,
por exemplo, o uso de iscas para o controle de algumas espécies
de cupins subterrâneos. Finalmente, a extensão dos tratamentos,
a escolha dos produtos químicos e a metodologia a ser empregada
em cada edificação são diretamente dependentes dos
resultados do diagnóstico detalhado.
Gonzalo Lopez, biólogo, Centro de Tecnologia
de Recursos Florestais