PERFIL
Nome: Alexandre Chan
Idade: 66 anos
Nascimento: Rio de Janeiro
Graduação: Arquitetura e Urbanismo, em
1965, pela Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade Federal
do Rio de Janeiro
Empresas em que trabalhou: atuou sempre como consultor
autônomo ou titular da CJ Projetos
Com 14 anos de idade no final dos anos 1950, influenciado pela revolução
cultural promovida pelo rock e pela bossa nova, além de leituras
sobre o tema, Chan queria ser psicólogo. Alguns anos depois, à
época da escolha para o vestibular, no entanto, precisou adequar
a curiosidade pela mente humana às necessidades mundanas. Como
psicologia não era uma profissão regulamentada, buscou uma
carreira em que pudesse aplicar seus talentos. Foi daí que surgiu
o interesse pela arquitetura, que para ele abrangeu e permitiu explorar,
inclusive, conceitos da própria psicologia.
Ao passar em primeiro lugar no vestibular de arquitetura da UFRJ (Universidade
Federal do Rio de Janeiro) e vivenciando todo o fervor provocado pela
construção da cidade de Brasília, a vocação
se confirmou. Chan fez parte da primeira turma do primeiro prédio
da Cidade Universitária da Ilha do Fundão. Ao se formar,
em 1965, dedicou-se a explorar o interior do País. Em 1966, ia
e vinha de Ilhéus, na Bahia, onde não ouvia falar dos assuntos
que dominavam o mundo naquele momento, como a Guerra do Vietnã,
por exemplo. Embora não tenha conseguido expandir o interesse dos
habitantes locais para tais questões, assim como para o desenvolvimento
da região em que viviam, conseguiu introduzir o plástico
com backlight na ornamentação do Carnaval de 1967 da cidade.
"Enquanto o mundo pegava fogo, essa era a minha revolução",
conta.
Em 1969 passou no concurso para o BNH (Banco Nacional da Habitação).
No entanto, não assumiu o cargo porque queria era escrever uma
monografia defendendo a regionalização e aproveitamento
dos recursos locais nos sistemas construtivos, o que ia contra a vertente
técnica do Banco. Foi também indicado para assumir a cadeira
de professor da Escola de Engenharia, em 1971, e da Faculdade de Arquitetura
e Urbanismo, em 1972, ambas na UFRJ. Como julgava não ter tempo
para se dedicar adequadamente ao magistério, não assumiu
os cargos. Na mesma época fundou a Associação dos
Arquitetos, semente do futuro Sindicato dos Arquitetos do Rio de Janeiro,
do qual também participou da fundação, além
de ter atuado em várias diretorias.
A associação com um ex-professor, entre 1972 e 1982, deu
origem a 1,2 milhão de metros quadrados projetados, com pico de
15 mil m2 num único mês. Dentre os maiores projetos em volume
está o Complexo Rio Sul, com quase 280 mil m2 e que marcou a retomada
dos shoppings centers na capital fluminense. Em 1986, interessado em meio
ambiente e recreação, passou a pesquisar locais, nas zonas
Norte e Oeste da cidade do Rio de Janeiro, para a viabilização
de empreendimentos de lazer aquático popular. O intuito era associar
objetivos de educação socioambiental às demandas
por lazer.
A fundação da CJ Projetos aconteceu em 1988. Essa firma
de projetos de arquitetura nasceu com o objetivo, que mantém até
hoje, de expor a experiência adquirida na viabilidade, otimização
de uso, concepção e condução de projetos de
empreendimentos de grande complexidade urbana e mercadológica.
O caráter empreendedor refletiu também na experiência
acadêmica de Chan, que entre 1982 e 1984 foi gestor-fundador do
NEPPA/FAU (Núcleo de Exercício Profissional e Pesquisa de
Arquitetura da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo), da UFRJ. Lá
buscava, dentre outras atividades, colocar os estagiários em situações
reais de produção. "Seu melhor fruto foi a biblioteca
do Museu Nacional na Quinta da Boa Vista", conta. O arquiteto fugiu
às especializações devido à percepção
desenvolvida para programas que envolvam diversos campos do conhecimento.
Atualmente tem trabalhado com projetos de forte motivação
ambiental e socioeconômica, associando-se a fundações,
empresas, empreendedores ambientais, construtoras, órgãos
governamentais e empresas de terceiro setor.
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