Apesar de ser também autor do Piscinão de Ramos, no Rio
de Janeiro, seu projeto mais conhecido é, sem dúvida, a
Ponte Juscelino Kubitschek, localizada na capital federal, sobre o lago
Paranoá, e que faz a ligação viária entre
o Setor de Clubes e o Setor Habitacional Individual Sul de Brasília.
"Circulam pela internet citações como sendo projeto
de Oscar Niemeyer, o que me honra muito", comenta. Chan credita a
visibilidade desse projeto às suas formas diferenciadas, integração
à paisagem local e a citação a vários elementos
arquitetônicos da cidade. Fato é que essa ponte lhe rendeu
um prêmio internacional, em 2003. Ficou satisfeito, embora curioso,
com o interesse suscitado. "Pudemos observar a variação
evolutiva e contínua do interesse de várias camadas da população,
provando a motivação de um tal equipamento urbano",
comemora.
Apesar do reconhecimento por esse projeto, acredita que a arquitetura
para pontes ainda é pouco explorada no Brasil. Considera que a
beleza e a emoção passada por meio da forma "constituem
apenas mais um item altamente funcional a ser devidamente ponderado para
determinação do grau de representatividade da obra".
É otimista com relação ao futuro dessa arquitetura,
pois percebe um interesse governamental pelo papel dos equipamentos urbanos
no incremento do turismo e das atividades socioeconômicas do entorno.
"Chegamos ao momento em que belas pontes surgirão no Brasil
e me agrada ter participado dessa abertura."
Dez questões para Alexandre Chan
1) Obras marcantes das quais participou: Ponte JK, em
Brasília, Complexo Rio Sul e Piscinão de Ramos, no Rio de
Janeiro, Auditório da Academia Militar das Agulhas Negras, em Resende
(RJ), Parque Ecológico do Mini-Pantanal, em Paulínia (SP),
Parque Tamanduateí-Ipiranga, em São Paulo
2) Obras significativas da engenharia brasileira: as
de Niemeyer, em Brasília e Pampulha, as de Paulo Mendes da Rocha
e de Affonso Reidy, o antigo MEC no Rio de Janeiro e a obra de Severiano
Mario Porto
3) Realização profissional: realizado
significa acabado ou pronto, e ainda estamos aprendendo. As maiores alegrias
foram com o Piscinão de Ramos e a Ponte JK, ambos pela grande e
entusiástica acolhida de seus usuários
4) Mestres: Oscar Niemeyer, Le Corbusier, Frank Lloyd
Wright, Andréia Palladio e muitos outros
5) Por que escolheu a arquitetura: juntei desenho à
matemática e física, história, arte em geral, português
e psicologia para compor ambientes e exteriores beneficamente influentes
sobre as pessoas e escolhi a arquitetura
6) Que tipo de formação falta aos profissionais
recém-saídos da universidade: exercício
do desenho livre manual como mais eficaz, descompromissado, rápido
e completo meio de expressão dos processamentos de cérebro
e coração
7) Conselho ao jovem profissional: atreva-se, com base
no estudo e na intuição desenvolvida
8) Principal avanço tecnológico recente:
todos aqueles baseados na informática
9) Indicação de livro: Saber Ver a Arquitetura,
de Bruno Zevi
10) Um mal da arquitetura: a arquitetura é uma
das marcas da presença física e intelectual dos humanos,
não havendo uma arquitetura integrada de fato ao meio ambiente.
Nossos projetos apenas minimizam a agressividade, buscando recursos sustentáveis
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