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Materiais e composições típicas
Em princípio, todos os tipos de cimento empregados na produção
do concreto convencional podem ser utilizados na produção
do CAA. Não há restrições para os teores dos
materiais componentes do CAA, desde que satisfeitos os requisitos do concreto
nos estados fresco e endurecido. No entanto, algumas particularidades
cabem ser mencionadas:
frequentemente, mas não exclusivamente, um superplastificante à base
de ácido policarboxílico (carboxilato) é utilizado;
o teor de finos (partículas com diâmetro £ 0,075 mm) tipicamente fica
entre 400 kg/m³ e 600 kg/m³. A relação de água - finos totais fica entre
0,80 e 1,10, em volume;
o uso de aditivo promotor (ou modificador) de viscosidade não é essencial
a todas as misturas, mas é especialmente importante quando as partículas
finas não estão presentes em volume suficiente;
em muito casos os CAA podem resultar mais baratos e com melhor qualidade
com o uso de agregados graúdos de até 10 mm de diâmetro;
o volume de agregado miúdo está, em geral, entre 35% e 50%, e o volume
de agregado graúdo entre 25% e 35%.
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Aspectos que merecem particular atenção
Grande parte dos métodos usados com sucesso para a dosagem de concretos
convencionais não são adequados para o proporcionamento
racionalizado do CAA. Além disso, os aditivos não devem
ser usados como forma de corrigir proporcionamentos (traços) inadequados.
O teor de cimento pode ser reduzido pela adição de finos
ativos ou inertes, de forma a garantir o teor necessário de finos
para assegurar adequadas coesão e estabilidade no estado fresco.
Concretos auto-adensáveis não necessitam ser autonivelantes.
Deve-se lembrar que quanto mais fluido for o concreto, maior será
seu custo. Além disso, é difícil o controle de aplicação
e o rastreamento do CAA de elevada fluidez na concretagem de vigas e lajes,
pois o concreto literalmente "foge" do lugar de aplicação.
A obtenção de CAA a partir de traços de concretos
convencionais pela simples incorporação de finos, do uso
de superplastificante de base ácido carboxílico e do aumento
do seu teor, geralmente resulta em CAA de baixa qualidade e com custo
elevado. O uso de métodos de dosagem apropriados para CAA, como,
por exemplo, o de Okamura e o de Repette-Melo, é o primeiro passo
para se alcançar, na plenitude, os benefícios do uso do
CAA.
Aplicação do CAA como substituto do concreto convencional
A avaliação do uso do CAA nas obras convencionais de estruturas
de concreto armado é um passo importante para a disseminação
e aperfeiçoamento desse material e dessa tecnologia. A avaliação,
descrita a seguir, atesta as vantagens e a facilidade do uso desse material.
O estudo deu-se no âmbito dos trabalhos da Comunidade da Construção
Florianópolis e foi realizado entre setembro e dezembro de 2004.
Descrição
As aplicações de CAA e de concreto convencional foram monitoradas
durante a construção de duas lajes de um edifício
residencial, uma feita com CAA e outra com concreto convencional (abatimento
de 10 cm). As fôrmas e cimbramentos foram os mesmos para ambas as
lajes. As características estão apresentadas na tabela 2.
Os concretos foram produzidos em central e transportados em caminhões
com capacidade de 8 m³. As betonadas do CAA tinham 5 m³, e as
de concreto convencional, 8 m³. Todos os materiais constituintes
foram adicionados na central. O tempo médio de transporte foi de
40 minutos e a temperatura média ambiente era de 26ºC. Uma
vista geral do pavimento sendo concretado com CAA é apresentada
na figura 2.
Preparação para aplicação do CAA
Para prevenir que o concreto fluísse dos trechos de lajes com maior
cota para o de menor, foram construídos diques, como ilustra a
figura 3. Vigas invertidas e escadas foram concretadas com concreto convencional
(figura 4). Nos locais onde era possível a entrada de concreto
nas peças cerâmicas da laje mista, os orifícios dos
tijolos foram tampados com argamassa ou membrana plástica. Os furos
dos tijolos, nas faces entre dois tijolos, não necessitaram ser
tampados. Os espaços entre vigotas pré-fabricadas justapostas
foram preenchidos com argamassa (figura 5).
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