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Concreto auto-adensável - características e aplicação


Por Wellington L. Repette


Aplicação do CAA e do concreto convencional
Na obra, amostras do concreto de todos os caminhões foram avaliadas pelos ensaios de espalhamento (figura 6), funil-V e caixa-L (figura 7). Tanto o concreto convencional quanto o CAA foram transportados/aplicados pelo mesmo conjunto bomba-lança, e a execução de cada pavimento deu-se segundo o mesmo plano de concretagem. No total, foram aplicados 57 m³ de CAA (vigas invertidas e escada foram concretados com concreto convencional) e 64 m³ de concreto convencional. Aproximadamente metade do volume de CAA foi produzido com espalhamento maior que 750 mm e a outra metade com espalhamento em torno de 650 mm, objetivando a análise da influência da aplicação de CAA com "classes" diferentes. Todo o processo de aplicação foi filmado ininterruptamente, para permitir a análise detalhada das operações de aplicação do CAA (figuras 8 a 19).

Fotos acervo do autor

Considerações sobre a produtividade da mão-de-obra e o uso do CAA
O resumo dos resultados sobre a produtividade da mão-de-obra na aplicação dos concretos é apresentado na tabela 3. Os resultados foram obtidos considerando-se, exclusivamente, os operários diretamente envolvidos na aplicação do concreto e as horas efetivamente trabalhadas, não sendo computados os tempos de espera de descarga do concreto.

Conclui-se que o consumo de mão-de-obra é consideravelmente menor para a aplicação do CAA, enquanto que a aplicação de concreto convencional requer intensa mão-de-obra. A taxa de aplicação do CAA de elevada fluidez (espalhamento maior que 750 mm) foi praticamente a mesma do concreto de menor fluidez (espalhamento em torno de 650 mm). O CAA de menor fluidez foi mais fácil de aplicar e de controlar (ex.: rastreabilidade) na concretagem realizada.

Fotos acervo do autor

Pelo fato dos salários pagos no Brasil não serem expressivos, a redução no consumo de mão-de-obra, por si só, não justificaria a adoção do CAA como substituto do concreto convencional em todas as aplicações. Nesse caso, a disseminação do uso do CAA será maior quando outros aspectos forem considerados, técnica e economicamente, como por exemplo:
 os custos com aquisição, manutenção e uso de vibradores podem ser completamente eliminados;
 a reutilização do conjunto de fôrmas é maior, uma vez que não ocorrem danos causados pelos vibradores de imersão;
 como não há ninhos de concretagem (bicheiras), e como tem-se reduzida a presença de bolhas na superfície do concreto, os custos com reparos e "maquiagens" são significativamente diminuídos;
 a remoção das fôrmas ocorre mais facilmente, causando menos danos e resultando em maior possibilidade de reúso;
 elementos de concreto com elevada taxa de armadura não precisam ter sua seção aumentada para permitir a concretagem, o que reduz o volume de concreto;
 há redução significativa dos ruídos na aplicação do CAA, representando a possibilidade de aumentar o tempos de trabalho em áreas urbanas onde haja restrições dos níveis de poluição sonora.

Foto acervo do autor

Considerações finais
A investigação suportou a afirmação de que o CAA é um material inovador e que representa um avanço significativo para o setor da Construção Civil. O CAA apresenta muitas vantagens se comparado ao concreto convencional e pode ser aplicado na construção de estruturas de concreto armado sem que sejam necessárias alterações significativas nas fôrmas, nos equipamentos de transporte, no lançamento ou nos métodos de cura. Em muitos aspectos, o CAA é um "concreto tradicional".

Para o emprego mais difundido do CAA é necessária a redução de seu custo. Isso pode ser conseguido, em parte, pela redução dos preços dos aditivos superplastificantes de base policaboxilato, devido à maior demanda e à diminuição nos custos de produção. O impacto do CAA não deve ser avaliado somente com base no custo de produção, mas considerando-se também outras vantagens que se obtêm do seu emprego. O destino do CAA é tornar-se o "concreto convencional" do futuro.

Wellington L. Repette, engenheiro civil, professor-doutor Departamento de Engenharia Civil da UFSC (Universidade Federal de Santa Catarina), wellington@ecv.ufsc.br

Leia Mais

Concreto de Última Geração: Presente e Futuro, Capítulo 49, Vol. 2, pp.1509-1550. W.L. Repette, In: Concreto: Ensino, Pesquisa e Realizações, Editor: Geraldo C. Isaia, Ibracon, 2005.

Relatório Comunidade da Construção Florianópolis. Ação 6 - Concreto auto-adensável. W.L. Repette, Universidade Federal de Santa Catarina, Associação Brasileira de Cimento Portland. 2005. 50 p.

European Federation for Specialist Construction Chemicals and Concrete Systems - The European Guidelines for Self-Compacting Concrete Specification, Production and Use. EFNARC. (2005). United Kingdom, 2005. 63 p.

Proposição de método de dosagem de concreto auto-adensável com adição de fíler calcário, Dissertação - Pós-graduação em Engenharia Civil, Universidade Federal de Santa Catarina, K. A. Melo. Florianópolis, 2005.

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