Engenharia de Fundações brasileira ganhou impulso com a criação de institutos tecnológicos e com estudos sobre recalques de edifícios de Santos
Por Renato Faria
Estacas
Estacas Franki
De origem belga, as estacas Franki foram introduzidas no Brasil em novembro de 1935, na construção da Casa Publicadora Batista, no Rio de Janeiro. Foram executadas 72 estacas de 8 m de comprimento e diâmetros de 300 mm e 400 mm. Sua execução se dá com a cravação, no solo, de um tubo de aço cuja ponta é obturada por uma bucha de concreto seco, areia e brita, estanque e fortemente comprimida contra a parede do tubo. Ao bater com o pilão na bucha, arrasta-se o tubo, impedindo a entrada de solo ou água. Atingida a profundidade desejada, o tubo é preso e a bucha é expulsa por golpes de pilão e fortemente socada contra o terreno, formando uma base alargada. Coloca-se a armadura, inicia-se a concretagem, extraindo-se o tubo simultaneamente.
Tubulão a ar comprimido
Evolução tecnológica do tubulão a céu aberto, os tubulões a ar comprimido começaram a ser utilizados em São Paulo em meados da década de 1940, como alternativa tecnológica ao uso de estacas em terrenos moles e instáveis. Esse tipo de fundação é adequado para solos com presença de lençol freático e que apresentam riscos de desabamento. Demanda equipamentos grandes e pesados, como entubadeiras e perfuratrizes, o que não faz dela uma das alternativas mais desejáveis para execução de fundações em locais confinados. Entretanto, é hoje um dos métodos mais utilizados no País para fundações de pontes e viadutos. Consiste no encamisamento da estrutura do fuste com anéis de concreto ou tubos de aço e escavação do solo até a camada apropriada para abrir a base do tubulão. Em descidas manuais, a camisa garante a segurança do operário, mas deve atentar-se à pressão do ar aplicado na tubulação e à velocidade de pressurização e despressurização.
Estacas pré-fabricadas
O uso das estacas metálicas em fundações no Brasil começou a se popularizar na década de 1950, com o fornecimento dos perfis pela CSN (Companhia Siderúrgica Nacional), criada pelo presidente Getúlio Vargas na década anterior. Apesar do custo maior em relação às pré-moldadas de concreto, podem atingir grande capacidade de carga e trabalham bem à flexão. Demandam, no entanto, cuidados no que se refere à corrosão do metal. A primeira grande obra com o emprego de estacas pré-moldadas de concreto data da década de 1920, na construção do Jóquei Clube do Rio de Janeiro. Na década de 1950 eram produzidas as primeiras estacas de concreto protendido e, mais recentemente, vêm ganhando maior capacidade de carga com a aplicação de concretos de alto desempenho. Ambas apresentam a desvantagem da necessidade de bate-estacas para a cravação, que gera ruído e propaga vibração para imóveis vizinhos. No entanto, ainda é uma solução mais barata do que as estacas escavadas.
Última geração: Hélice Contínua e Ômega
As estacas Hélice contínua e Ômega foram utilizadas pela primeira vez no Brasil no final das décadas de 1980 e 1990, respectivamente. Os métodos executivos de ambas são parecidos e constituem-se de três etapas principais: perfuração, concretagem e armação. Ao chegar à cota prevista em projeto, o equipamento de perfuração é recolhido ao mesmo tempo em que realiza a concretagem da estaca. Por fim, a armação é posicionada após o preenchimento do furo com concreto. A diferença entre a estaca Hélice Contínua e a Ômega está, basicamente, na configuração da haste de perfuração. Na primeira, as pás perfazem toda a haste, de modo que, com a rotação, a terra deslocada na perfuração é transportada pelos sulcos metálicos até a superfície do terreno. Nas estacas Ômega, as pás se concentram apenas na região da ponta da haste. Com a rotação do eixo, o volume de terra é transportado até um nível da haste projetado para compactá-lo contra a parede do furo. Por não gerar ruídos nem vibrações, tem sido opção para obras em bairros sujeitos a programas de restrição de ruídos.