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Pisos

Limpeza profunda


Depois de aplicados, os pisos devem ser imediatamente limpos, mas cada material requer um produto diferente. Mármores e madeiras são mais sensíveis a manchas, enquanto os cerâmicos requerem cuidados nos rejuntes


Por Giovanny Gerolla


Fotos Marcelo Scandaroli
Mármore Travertino em área externa exposto às intempéries e chuva ácida. Sujeira biológica deixa a pedra escura e exige limpeza pesada, com o uso de detergentes ou novo polimento
A melhor solução para a limpeza de pisos, logo após o término da obra, ou na manutenção do dia-a-dia, não é a tradicional mistura de água e sabão, como se imagina. Tanto faz o piso ser de concreto, pedra, madeira ou até cerâmica. Para ter beleza durável e não perder seu bom desempenho o material deve ser conhecido por quem o especifica e aplica, além de muito bem protegido durante as obras, com plástico-bolha ou mesmo papelão ondulado.

Mas há sempre quem tropeça no plástico de proteção, deixando um pedaço do mármore exposto aos respingos de cimento, ou quem deixa pingar óleo sobre a madeira crua, ainda sem resina. Na correria do prejuízo, o que resta é verificar bem todos os produtos que são vendidos no mercado, e evitar alguns muito ácidos, outros muito básicos, a depender da situação. Caso sejam usados, devem ser sempre diluídos até a concentração indicada pelo respectivo fabricante.

No caso das pedras,"deve-se colocar e limpar, repetindo essa operação toda vez que uma nova peça é assentada", recomenda a geóloga do IPT (Instituto de Pesquisas Tecnológicas do Estado de São Paulo) Maria Heloisa Barros de Oliveira Frasca. Tendo já visto muitos desastres com pedras em obras de construção civil, ela relembra que "rocha é fácil de limpar, desde que a sujeira não fique por muito tempo em contato com a superfície".

O engenheiro Massashiro Yanaguihara, da Mundial Company, diz que a madeira também precisa ser limpa depois de aplicada. "Em contato com cimento em seu estado cru, não há o que remova as manchas escuras", alerta Massashiro. Se a madeira tiver sido resinada antes do incidente, pode haver ainda uma solução, com um novo tratamento para toda a área. Nesse caso, é feita novamente a raspagem, calafetação e aplicação da resina.

Apesar de serem mais fáceis de limpar, concreto e cerâmica também sofrem risco de ficar com manchas permanentes. "Quando se acaba um piso de concreto, é bom retirar a proteção, como sacos de estopa, raspar com espátula os resíduos existentes, varrer e aplicar jato d'água", recomenda a pesquisadora do IPT, Luciana Oliveira.

Nos pisos cerâmicos, o maior risco é a aderência da argamassa de rejunte, que depois de endurecida é muito difícil de retirar. A limpeza final desses pisos, entretanto, só deverá ser efetuada duas semanas após o rejuntamento. Só então o piso deverá ser escovado com escova ou vassoura de piaçaba, água e detergente neutro. Em seguida, deve ser enxaguado abundantemente e enxugado com um pano, removendo-se a água acumulada nas juntas.

Pedras
Algumas pedras são menos duras, por isso requerem mais cuidados. É o caso do mármore, que é bastante sensível a intempéries e até poeira. Quando os poros do revestimento são preenchidos por sujeiras, a superfície pode ficar permanentemente manchada. Em cidades onde as chuvas são muito ácidas por causa do pH elevado da água, não é recomendável a aplicação do mármore em áreas externas. "Mesmo os granitos, mais duros, podem também oxidar por ação dos raios ultravioleta do sol e perder a coloração", alerta Massashiro.

Manchas em pisos de pedras, em geral, podem ser removidas com um disco abrasivo adaptado a uma enceradeira e com detergente específico para esse fim. O disco deve ser branco, se a pedra já for polida, ou verde, se a superfície já estiver preta de tanto mofo.

"Nos ensaios que fizemos com ácido clorídrico, conseguimos clarear o granito por reação", conta Maria Heloisa, do IPT. "O ácido muriático também é vendido em várias concentrações no mercado, para limpeza em geral, mas é preciso tomar cuidado", alerta.

Se depois desse procedimento a sujeira não sair, vai ser preciso polir novamente a área para apagar os riscos. "De preferência várias vezes, com processos que alternam lixas, das mais grossas (30, 50) para as mais finas (800, 1.500, 3.000 e até 10.000), a fim de dar o melhor acabamento", conclui o engenheiro da Mundial. Ele explica que o brilho natural dos materiais é obtido com a diminuição da rugosidade da superfície.

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