No último dia 15 de abril a revista Téchne promoveu, na sede da Editora PINI, um debate sobre coordenação de projetos. Foram convidados coordenadores e gerentes de projetos de construtoras, de escritórios de arquitetura e de consultorias especializadas, além de pesquisadores acadêmicos. Na ocasião foram apresentados conflitos e problemas recorrentes da atividade de coordenação. Os profissionais presentes tiveram a oportunidade de expor pontos de vista e formas encontradas para minimizar o impacto dessas questões.
Projeto envolve desde os levantamentos iniciais, a pré-concepção, até o acompanhamento de obra. Sendo assim, a coordenação de projetos tem sido contemplada na plenitude por construtores e incorporadores?
Daniele - Iniciei quatro trabalhos, todos com o projeto já em desenvolvimento e que vão entregar o projeto executivo sem acompanhamento de obra.
Cecília - Nenhum contrato meu prevê acompanhamento até o final da obra, mas eu sempre vou. O retorno da obra é importante.
Liris - Na Tishman, a necessidade de estender o escopo da coordenação surgiu quando entregamos o primeiro empreendimento residencial. Muitas vezes temos que verificar a viabilidade de um projeto concebido e desenvolvido dois anos antes. É uma compatibilização de questões técnicas e construtivas, não apenas comerciais.
Sempre de modo informal e sem remuneração?
Cecília - Exatamente, mas o retorno da obra move o que precisamos no projeto.
Ito - O atendimento é informal, mas o retorno é para problemas que ocorrem em função da coordenação.
Melhado - Embora haja um potencial enorme de ganhos com a coordenação em todas as fases, isso ainda está na ponta do mercado como uma tendência, como melhores práticas.
Cunha - O normal é o coordenador entrar no projeto executivo, como organizador da execução, mas deveria entrar no processo de criação. É o que temos feito na Rossi, para que o produto tenha as interfaces resolvidas e o trabalho organizado desde o início. Existe a visita do coordenador ao protótipo, mas não é suficiente.
A coordenação de projetos tem sido realizada apenas para compatibilização geométrica ou também sob os aspectos de racionalização do processo construtivo?
Miriam - O coordenador precisa de experiência de obra ou vai parar na compatibilização geométrica, que pode ser resolvida até por softwares.
Cecília - Tentamos extrapolar o geométrico, mas há dificuldade em fazer com que o resto da equipe tenha essa visão. Com o volume atual, recebemos alguns projetos, feitos por terceiros, que passam pelo escritório sem sequer terem sido revisados.
Cunha - O coordenador é um generalista, conhece todos os sistemas, mas não é especialista em nenhum. Por isso, não podemos delegar a ele a responsabilidade dessa compatibilização.
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