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Técnica e ambiente
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Desperdício estabilizado


Adição de estabilizador ao concreto rejeitado em obra evita descarte de água e de material prejudicial ao meio ambiente


Por Bruno Loturco


Robert Kyllo/Shutterstock
Os resíduos sólidos e líquidos gerados por centrais dosadoras de concreto são classificados como perigosos pelas agências ambientais e, portanto, devem receber tratamento adequado. De acordo com a Abesc (Associação Brasileira das Empresas de Serviços de Concretagem), anualmente cerca de 45 mil t de concreto são dispensadas como rejeito, o que acarreta prejuízos ambientais e custos adicionais de produção. Tais resíduos são gerados pela devolução de concreto fresco, não usado nas obras, lavagem dos caminhões-betoneira para evitar o endurecimento dos resíduos no interior do balão e a lavagem do pátio das centrais.

A água de lavagem dos caminhões fica com pH fortemente alcalino, em torno de 12,5, e com elevado teor de sólidos em suspensão. O problema é ampliado pelo volume de água demandado para a lavagem diária de cada caminhão: em média 700 l. Essa água, na grande maioria das centrais, vai para tanques de sedimentação e recebe agentes químicos para corrigir o pH. O tratamento, contudo, "não evita a formação de resíduos sólidos - lama - e o elevado consumo de água na operação", explica o professor Wellington Repette, do Departamento de Engenharia Civil da UFSC (Universidade Federal de Santa Catarina).

Já existe, no entanto, uma alternativa a esse processo agressivo, que provoca alto consumo de água, contaminação do meio ambiente por águas e resíduos alcalinos e desperdício de concreto rejeitado. Uma pesquisa, desenvolvida no âmbito da UFSC e coordenada por Repette, comprovou a viabilidade e a eficiência do emprego de AEH (aditivo estabilizador de hidratação do cimento, ou hydration control admixture, em inglês) ao término da operação de descarga do concreto. Por evitar o endurecimento dos resíduos, o aditivo permite que a água de lavagem permaneça por muitas horas no interior do balão. A vantagem é a possibilidade de incorporar essa água à composição da próxima carga de concreto, eliminando qualquer descarte ou desperdício de água.

Embora o aditivo e o método sejam conhecidos, havia dúvidas, que a pesquisa visou sanar, sobre os efeitos no concreto produzido com a água aditivada, além da viabilidade econômica da operação. O foco da pesquisa, financiada pelo CNPq (Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico) e Funcitec-SC (Fundação de Ciência e Tecnologia de Santa Catarina), foi investigar os efeitos da solução na pega do concreto, na taxa de ganho de resistência e na resistência final do concreto. As avaliações técnica e econômica da solução foram feitas a partir da observação da quantidade de aditivo incorporado e do tempo de estabilização até a mistura do concreto. Para tanto, os pesquisadores caracterizaram as propriedades dos concretos produzidos com a água aditivada nos estados fresco e endurecido.

A pesquisa ainda visava estabelecer um processo racional de dosagem do AEH, analisar as quantidades de materiais remanescentes em caminhões já descarregados, compreender o comportamento e os efeitos do aditivo nas águas de lavagem, verificar a viabilidade técnica e econômica do método em concretos com resistências de 25 MPa a 45 MPa e definir procedimentos práticos para sua implementação em centrais de dosagem. Concluiu-se que o concreto não sofre alterações nos estados fresco ou endurecido. O custo é competitivo, sobretudo por reduzir o consumo de água e os gastos com deposição dos resíduos resultantes do processo convencional.

Para chegar ao resultado esperado, os pesquisadores realizaram os estudos numa central dosadora, onde estabeleceram que seria necessário, no retorno do caminhão, adicionar uma quantidade conhecida de água ao balão - no caso, 200 l para balões de 8 m³-, e o teor determinado de AEH. Em seguida, rotacionar o balão. A maior parte dos resíduos se depositará no fundo, junto com a água e o aditivo. "É importante que a quantidade de água seja medida e padronizada, pois afetará o traço do concreto que complementará a carga na retomada da produção", salienta Repette. O volume de água também afetará o teor de aditivo necessário para estabilizar completamente a mistura pelo período necessário. Este pode ser de aproximadamente 12 horas - quando a produção encerra num dia e é retomada no outro - ou, até mesmo, 64 horas - com parada na sexta-feira à tarde e retomada na segunda-feira pela manhã. Durante esse tempo, a tampa do balão deve permanecer fechada para que não haja evaporação excessiva ou entrada de água de chuva.

Na retomada da produção, desconta-se o volume de água já adicionado para realizar a nova carga de materiais. "O aditivo, desde que adicionado em quantidades adequadas, perde seu efeito estabilizador com a adição do material da carga", explica o pesquisador. A quantidade de AEH é definida de acordo com o tipo de cimento e as condições de produção do concreto. Observados esses detalhes, não há efeitos colaterais indesejáveis, seja no estado fresco ou endurecido.

 
 
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