| Reportagens |
|
| |
Mão-de-obra
 Produção interna
Inflação dos serviços cobrados por empreiteiras não vem cabendo no orçamento de empreendimentos populares. Para algumas construtoras, contratar mão-de-obra própria pode ser a solução Por Renato Faria
Vale a pena contratar mão-de-obra de
produção própria? Há muito tempo a maioria dos construtores responde, sem
hesitar, que não compensa assumir os ônus da contratação direta dos executores
dos serviços prediais. Mas essa certeza vem sendo posta em xeque por algumas
empresas. O bom momento por que passa a construção estimulou a demanda por
materiais e mão-de-obra, pressionando a inflação no setor. Alguns construtores,
principalmente os que atuam no segmento de baixa renda, identificaram um aumento
sensível no valor dos serviços cobrados pelas empreiteiras e já se preparam para
contratar diretamente os operários que trabalharão em seus canteiros.
 |
| Construtoras apostam na contratação de carpinteiros para
execução das fôrmas das estruturas. Com mais obras no horizonte, essas empresas
devem planejar remanejamento das equipes entre canteiros, reduzindo
ociosidade | Pesam contra a decisão os custos decorrentes
da gestão de recursos humanos, do pagamento de salários, gratificações, férias,
13º salário, horas extras, vale-transporte, treinamento e capacitação. Desde a
década de 1970, quando o processo de terceirização começou no Brasil, as
construtoras têm preferido repassar essas responsabilidades às fornecedoras de
mão-de-obra especializada. Com a proliferação das empreiteiras, cresceu a
competição no mercado e o custo caiu. "Foi quando essas empresas começaram a ser
apertadas. Elas precisavam concorrer com preços competitivos e ser, portanto,
mais eficientes", explica o professor da Escola Politécnica da Universidade de
São Paulo, Ubiraci Espinelli Lemes de Souza. O problema é que muitas não
conseguiram atingir níveis de produtividade satisfatórios que viabilizassem o
preço apresentado e decretaram falência. Por isso, é preciso estar atento às
empresas que apresentam valores muito abaixo da média praticada pelo mercado.
 |
| InMax contrata diretamente operários para produzir e montar
sistema construtivo próprio. Mão-de-obra especializada nessa tecnologia não é
encontrada no mercado | Um canteiro bem planejado pode
facilitar o trabalho do empreiteiro e ser usado como moeda de troca na
negociação com ele. "A responsabilidade pelo aumento da produtividade é também
do construtor, com o correto planejamento do processo construtivo", afirma
Souza. Se apresentar argumentos convincentes, a construtora consegue a redução
do preço do serviço. "Se eu banco uma grua, meu fornecedor pode dispensar 20
homens e me cobrar um valor mais baixo", afirma Alcides Gonçalves, diretor de
engenharia da Rossi Residencial.
Consideradas exceções, algumas empresas já trabalham há muito tempo com
equipes de produção próprias. É o caso da Tarjab, que mantém uma equipe de
carpinteiros e armadores para produção das estruturas de seus edifícios, e da
InMax, que trabalha com um sistema construtivo próprio e necessita de
mão-de-obra especializada, indisponível no mercado (confira estes e outros cases
no quadro ao lado).
 |
| Aumento no preço cobrado por empreiteiras tem inviabilizado
terceirização da mão-de-obra em empreendimentos de baixa renda. Construtoras já
contratam pedreiros e armadores para execução de alvenaria estrutural, principal
tecnologia construtiva usada neste segmento | Se a margem
de lucro dos empreendimentos de alto padrão suporta, até certo ponto, as
variações de preço das empreiteiras, no mercado de baixa renda o orçamento é
apertado demais para absorver as pressões inflacionárias. Segundo construtores
consultados pela Téchne, empreiteiras paulistas que há um ano cobravam entre R$
13/m² e R$ 14/m² de alvenaria estrutural cobram hoje até R$ 19/m² pelo serviço -
um aumento de mais de 40%. Na visão de algumas construtoras, a melhor
alternativa foi migrar da terceirização para a contratação direta.
Com uma margem de lucro estreita, esses empreendimentos são rentáveis apenas
quando produzidos em grande volume. A alta demanda por esse tipo de habitação dá
a essas empresas a segurança de que executarão novas obras a longo prazo. A
inexistência de intervalos favorece a contratação de mão-de-obra própria, pois
elimina períodos de ociosidade das equipes de produção. "O planejamento de
nossos empreendimentos leva em consideração a realocação de nossas equipes de
produção para evitar que fiquem paradas" explica Marcelo Souza, diretor de
operações da Fit Residencial (empresa do grupo Gafisa que desenvolve produtos
imobiliários para o segmento popular). PÁGINAS :: 1 | 2 | Próxima >> |
| |
| |
|
 |
| |
|
|
 |
|