 |
| Piso demandou especificações arrojadas para manter o bom
desempenho sob temperaturas extremas de até -25ºC |
Um
armazém da companhia de alimentos Perdigão, em obras no município de Embu, na
Grande São Paulo, demandou características especiais do piso sobre o qual ficará
sustentado. A superfície teve de atender aos rígidos requisitos de planicidade
exigidos pelo maquinário de transelevadores que irá operar no local. Além disso,
o piso ficará permanentemente submetido a temperaturas oscilantes entre -5ºC e
-25ºC, já que o armazém abrigará setores de resfriamento e congelamento da
empresa. Por último, as largas dimensões da área, 4.350 m² ao todo, excediam o
padrão de empreendimentos dessa natureza.
Para viabilizar os índices de planicidade requeridos, o projeto eliminou o
emprego de juntas de dilatação, a despeito dos comprimentos de 104 m e 114 m das
duas porções do piso. "Normalmente, um piso desse tipo exigiria juntas a cada 40
m", observa Luiz Nobre de Lima, gerente de projetos da Unidade Indústria, da
Método Engenharia, responsável pela coordenação do serviço.
A supressão das juntas, além de atender à linearidade da superfície, também
foi adotada por força das reduzidas temperaturas a que o local ficará exposto.
"As temperaturas negativas poderiam causar retração de até 2 cm no piso de
concreto. A existência de juntas nessa condição poderia trazer problemas ao
sistema de automação dos transelevadores", pondera Mauricio Vizeu de Castro,
diretor da Unidade Indústria, da Método.
Com o intuito de fortalecer o desempenho do piso no ambiente hostil, o
projeto determinou também a utilização de fibra de polipropileno no traço do
concreto, de fck 30. "O material foi responsável por conter retrações
plásticas", explica Lima, que também destacou o emprego de taxas de armaduras
compatíveis com as dimensões das placas, de maneira a coibir retrações
hidráulicas.
Outra medida para preservar a qualidade do piso foi a especificação de uma
área vazia, um "caixão perdido", com cerca de 80 cm de altura, separando a
superfície do solo. "O objetivo é proporcionar um equilíbrio de temperatura
entre o meio externo e o meio interno, evitando riscos de fissuras e
congelamento do piso", justifica Carlos Eduardo Olivares, chefe do canteiro.
 |
(*) EPS (mínimo classe PIII) NBR 11752 com resistência à
compressão mínima 110 KPa (10% de deformação). O isolamento deverá ser
especificado pelo fornecedor da câmara frigorífica. Detalhe da composição
dos pisos no ponto em que se separam por uma pequena junta, à qual será fixado
um painel térmico com espessura de 12 cm. Abaixo da superfície de concreto de 41
cm, há uma laje pré-moldada de 24 cm |
Planejamento e execução
Dois meses antes da execução,
todos os profissionais envolvidos passaram a se reunir semanalmente para
discutir itens como a logística de fornecimento do concreto, além de promover
verificações em campo acerca do traçado do plano de concretagem. "Estabelecemos
um plano de contingência de equipamentos para eventuais reboques de
caminhões-betoneira", conta Luiz Lima.
A Método também comunicou o DER (Departamento de Estradas de Rodagem do
Estado de São Paulo) sobre a necessidade de liberação de fluxo de caminhões,
considerando-se que as estradas envolvidas passam por um período de obras do
Rodoanel - o terreno fica na encosta da rodovia Régis Bittencourt, sentido
PR-SP.
A concretagem ocorreu separadamente em cada uma das duas células do piso -
uma menor, com 1.501 m², que abrigará o setor de produtos resfriados da
Perdigão, e outra célula maior, com 2.845 m², onde funcionará o setor de
congelados. Dividindo as duas câmaras, haverá somente um painel térmico com 12
cm de espessura.
PÁGINAS :: 1 | 2 | Próxima >>