Aquecedor solar
Em São Paulo, uma lei impõe que 40% do aquecimento de água seja feito por via solar. Isso obrigará a casa a ter dois boilers de armazenamento? Edifícios terão que ter boiler coletivo, para misturar com a água do aquecedor?
Rui Dante Costa, São Paulo
O sistema de aquecimento solar de água residencial opera elevando gradualmente a temperatura da água no interior do reservatório térmico (boiler) ao longo do dia. Mesmo que o sistema seja projetado para atender a 100% da demanda de água quente, é recomendável a instalação de um sistema complementar para atuar em dias com baixo nível de radiação solar. O sistema complementar pode ser de acumulação ou instantâneo (de passagem) e utilizar energia elétrica ou gás combustível. Diversas configurações são adotadas no mercado.
Não há obrigatoriedade de instalação de um segundo boiler, pois o sistema complementar pode estar integrado ao próprio reservatório térmico ou ser um aquecedor de passagem. O mais adotado para casas possui uma resistência elétrica instalada no interior do reservatório térmico. Caso a temperatura da água não atinja a temperatura desejada via aquecimento solar, o apoio elétrico entra em operação.
De modo geral, existem duas alternativas em edifícios. A primeira (e mais adotada) é distribuir a água quente na temperatura de consumo. Nesse caso, o sistema solar e o complementar (elétrico ou gás) fazem parte de um sistema central coletivo responsável por todo fornecimento de água quente da edificação. A segunda é distribuir a água pré-aquecida pelo sistema solar central coletivo e o aquecimento complementar ser feito na unidade por um aquecedor individual (de acumulação ou instantâneo).
Daniel Sowmy, engenheiro civil Cetac-IPT (Centro de Tecnologia do Ambiente Construído/Laboratório de Instalações Prediais)
Rachaduras
Existe norma sobre limite de abertura de rachaduras em alvenaria? Como avaliar se há risco de colapso?
Marli Inez Gans, Porto Alegre
Não existe nenhuma norma que estabeleça os limites perigosos para as aberturas de fissuras em alvenarias. Até porque os limites variariam muito em cada caso, função do tipo de material (concreto, cerâmica etc.), da natureza da parede (vedação ou estrutural), intensidade e tipo de tensões, esbeltez e espessura das paredes, distribuição e tamanho de vãos de portas ou janelas, configuração dos septos e direção dos furos dos blocos, presença de armaduras nas paredes, tubulações, revestimentos e outros. Em geral, os limites perigosos são representados por incidência considerável de fissuras verticais (causadas por fluxos isostáticos de tração, perpendiculares às isostáticas de compressão), acompanhadas de outras indicações do prejuízo à segurança: desaprumos/desalinhamentos das paredes; destacamentos/seccionamentos nos encontros com pisos, tetos ou mesmo outras paredes; esmagamentos ou destacamento de revestimentos; vazamentos/ruptura de tubulações; emperramento ou mau funcionamento de caixilhos; ruptura de placas de vidro etc.
Ercio Thomaz, engenheiro civil Cetac-IPT (Centro de Tecnologia do Ambiente Construído)