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Carreira
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Benjamin Ernani Diaz


Experiência na Alemanha e criação de grupo de desenvolvimento tecnológico auxiliaram o engenheiro no desafio de projetar a ponte Rio-Niterói e as estruturas da Central Nuclear de Angra 2


Por Bruno Loturco


Acervo pessoal
PERFIL
Nome: Benjamin Ernani Diaz
Idade: 71 anos
Nascimento: Rio de Janeiro
Graduação: Engenharia Civil pela Escola Politécnica da UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro), em 1959
Especializações: em concreto protendido, em Munique, e doutorado na Escola Técnica de Hannover, ambas na Alemanha. É livre-docente na Escola Politécnica da UFRJ
Empresas em que trabalhou: escritório de projeto de Paulo Fragoso, Dyckerhoff & Widmann, Aço Torsima, Noronha Engenharia, Promon Engenharia, Escola Politécnica da UFRJ, Prefeitura da UFRJ, Serviços de Engenharia B. Ernani Diaz
Cargos exercidos: chefe de departamento da Escola Politécnica da UFRJ, professor titular e atualmente professor emérito, decidido pelo Conselho Universitário, prefeito do campus da UFRJ

Especializado em projetos ligados ao concreto armado e protendido de obras pesadas, Diaz participou de projetos como a ponte Rio-Niterói, a Central Nuclear de Angra 2 e duas pontes sobre o rio Pinheiros, na cidade de São Paulo, além de ter prestado consultoria de estruturas para os viadutos da Ferrovia do Aço, dentre inúmeras outras obras de grande porte. O início da carreira se deu com um estágio que o responsabilizava pelo controle e verificação de todos os desenhos de execução do primeiro edifício de porte de aço no País, a estrutura do Edifício Avenida Central, no Rio de Janeiro. Devido à complexidade e responsabilidade da tarefa, o engenheiro considera essa uma de suas principais realizações profissionais. Na mesma época, trabalhou na montagem da ponte em arco de aço da Cachoeira dos Veados, localizada no Rio São Francisco a jusante da Barragem de Paulo Afonso, entre Alagoas e Bahia.

As experiências mais importantes para o encaminhamento da carreira de Diaz, no entanto, se passaram na Alemanha, na década de 1960. Lá atuou por quase quatro anos como engenheiro de estruturas da firma Dyckerhoff & Widmann, desenvolvendo pontes em balanços sucessivos em parceria com o Dr. Herber Kupfer. Na Universidade Técnica de Munique estudou matérias técnicas e preparou uma tese de doutorado sobre cascas. Para isso, não teve nenhuma orientação acadêmica, "como era comum na Alemanha", conta. Anos mais tarde, Kupfer, que foi "o mestre com quem pude aprender engenharia na prática", assumiria o cargo de professor titular de concreto armado e protendido na mesma Universidade.

Sua "teoria de cascas com auxílio de funções hipercomplexas" também figura dentre as principais realizações. No desenvolvimento desse estudo aplicou uma álgebra diferenciada à análise de cascas. "A parte matemática é muito interessante. Foi feita uma discussão inteiramente nova sobre cascas formadas por superfícies de segunda ordem", comenta. Outro importante projeto pessoal foi a criação de um grupo de informática aplicada à engenharia na firma Noronha Engenharia. Esse grupo, nos idos de 1967, desenvolveu pela primeira vez um projeto totalmente concebido em computador. Também desenvolveram os primeiros programas de pontes, de distribuição transversal de pontes, de verificação de tensões em peças de concreto protendido. Utilizaram, de maneira inédita, programas de análise de estruturas reticuladas no Brasil. Todas essas iniciativas se basearam em estudos isolados de linguagem Fortran e de análise de estruturas.

O pioneirismo e o espírito de busca por inovação tecnológica, que inclusive determinaram a escolha da profissão, foram colocados à prova com o projeto e construção da ponte Rio-Niterói. Nela foram exploradas novas tecnologias de colagem de aduelas e de montagem, além de uma grande variedade de tipos de fundações, incluindo estacas escavadas até a rocha, no trecho de mar. "Foram eliminadas as transversinas intermediárias de tabuleiros com longarinas múltiplas nos acessos da ponte sobre o mar", salienta.

A admiração por essa obra vai além de sua complexidade técnica. Do ponto de vista estético, considera que a ponte foi bem inserida ao contexto da Baía de Guanabara, contando com continuidade arquitetônica entres os trechos em concreto e aço, mesmo tendo sido projetados por grupos diferentes. Os processos construtivos das estruturas, considerados revolucionários, são, segundo diz, coerentes e adequados, sem "elementos supérfluos".

Igualmente complexo foi o projeto da Central Nuclear de Angra 2, com inúmeros carregamentos, combinações de cargas e consideração de centenas de possibilidades de acidentes. Exigiu o uso de programas próprios automáticos de dimensionamento de peças de concreto armado. "Talvez o projeto mais bem-feito no Brasil quanto à qualidade de execução e controle impecável", afirma. De acordo com Diaz, o trabalho de dimensionamento das estruturas propiciou uma economia substancial de aço. Os conceitos exigidos para tantas análises vieram da base adquirida ainda na graduação, junto ao professor Lindolfo Dias, que passou conceitos importantes para a resolução de problemas de engenharia.

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