 |
| Além dos caixilhos, também a tecnologia dos vidros evoluiu no País. Se há 20 anos era preciso importar até vidros laminados, hoje o mercado já conta com grande variedade de vidros duplos insulados e refletivos |
A crescente preocupação de arquitetos e construtores com a eficiência energética das novas edificações mudou a maneira de se especificar os caixilhos. De elementos isolados, sem muita interação com outros subsistemas da construção, as esquadrias passaram a ser vistas como um sistema importante no desenvolvimento de projetos com boa performance térmica e energética. A tendência é a procura por produtos que maximizem a entrada de luz natural no ambiente ao mesmo tempo em que bloqueiem as trocas de calor com o exterior. A indústria de esquadrias nacional desenvolveu seus processos e produtos para atender à demanda mais sofisticada.
Até a década de 1950, apenas esquadrias em madeira ou aço eram fabricadas no Brasil, dada a abundância desses materiais. Eram, em geral, confeccionadas artesanalmente por serralharias e marcenarias, sob medida e com desenhos e estilos rebuscados. No caso das metálicas, utilizavam-se perfis em forma de T, L e I. A herança do pioneirismo se reflete no domínio do mercado brasileiro por esse tipo de esquadrias: juntos, os produtos em madeira e em aço ou ferro respondem por mais da metade das unidades fabricadas no País. Seu principal mercado consumidor é o segmento popular.
A produção industrializada dos caixilhos foi possibilitada pela introdução de perfis tubulares e abertos, obtidos a partir de chapas de aço. É nesse momento que começam a ser fabricadas as primeiras esquadrias padronizadas - janelas venezianas, de correr, basculantes e em outros formatos. O alumínio começava a ser utilizado "timidamente" nas peças e componentes dos caixilhos.
 |
| Com uma fatia de 20% do mercado de esquadrias, caixilhos de alumínio têm forte presença no segmento residencial de médio e alto padrão |
A estréia desse material como protagonista no mercado de esquadrias ocorreu em um momento marcante da história da engenharia brasileira: a construção de Brasília. As fornecedoras de perfis começaram a atentar para o mercado da construção civil e a aprimorar sua tecnologia de extrusão, apresentando perfis mais adequados à produção de caixilhos. O Brasil importava alumínio primário até a década de 1980, quando passou de um dos maiores importadores dessa matéria-prima a quinto maior exportador do mundo - em 2008, o País deve alcançar a meta de produção de um milhão de toneladas do produto. As esquadrias produzidas com esse material ganharam participação no mercado e respondem hoje por 20% do volume de caixilhos fabricados no País, de acordo com informações da Afeal (Associação dos Fabricantes de Esquadrias de Alumínio).
Com menor participação no mercado estão as esquadrias de PVC, cerca de 2%, marca ainda distante das esquadrias de madeira, de aço e de alumínio. E parte da "culpa" pode ser atribuída ao baixo desempenho dos primeiros caixilhos do tipo produzidos no Brasil. "Na década de 1980 houve esse problema porque os perfis importados eram desenvolvidos para resistir às condições climáticas européias", afirma Miguel Bahiense Neto, diretor-executivo do Instituto do PVC. A melhoria foi feita na década seguinte, quando alguns fabricantes reformularam o composto para adaptá-lo ao clima brasileiro.
 |
| Durante décadas, vidros temperados precisaram ser importados. Hoje, mercado dispõe de variedade de vidros insulados e refletivos |
Para conquistar espaço no mercado, os fabricantes apostam nas características do material para atender às novas exigências dos consumidores. Além da leveza, Bahiense aponta a alta capacidade do PVC em impedir as trocas de calor entre os ambientes internos e externos. "Esses produtos têm maior potencial de manutenção térmica, o que possibilita economia de energia com sistemas de ar-condicionado e sistemas de calefação", argumenta.
Além do caixilho, o vidro também é responsável pelo conforto térmico do ambiente. E a tecnologia desse componente evoluiu rápido, acompanhando a demanda dos consumidores. A diversidade de produtos atualmente disponíveis no mercado nacional é incomparável com o que havia há 20 anos. "Durante décadas foi preciso importar até mesmo vidros laminados", lembra Papaiz, da Afeal. Hoje, os consumidores têm à disposição produtos como os vidros duplos insulados e o Low-e, por exemplo, que apresentam ótimo desempenho quanto à emissividade, ao isolamento térmico, à transparência e à refletividade.
 |
| Fórmula do PVC europeu foi alterada para adaptar resistência do material às condições climáticas brasileiras. Essas esquadrias têm boa performance no isolamento térmico e acústico |
Os arquitetos passaram a vislumbrar novas possibilidades, como o uso mais intensivo das fachadas-cortina em edifícios comerciais. E nesse segmento, afirma Papaiz, "o alumínio se impôs e atualmente está presente na maioria dos edifícios comerciais e corporativos". "Da pele de vidro ao mais atual sistema de instalação das fachadas-cortinas, o unitizado, passando pelo structural glazing, esse segmento evoluiu muito", conclui.
Uma tendência que vem se consolidando na Europa e já foi até aplicada no Brasil é o uso de esquadrias mistas em edifícios históricos. Desgastadas pela ação do tempo, as janelas em madeira vêm sendo substituídas por caixilhos que mesclam a madeira e outros materiais. Do lado de fora, atende-se às exigências de preservação da fachada original; dentro, os benefícios de uma estrutura mais resistente. Bahiense, do Instituto do PVC, conta que a solução foi adotada recentemente na restauração e transformação do Convento do Carmo, no bairro do Pelourinho, em Salvador, em um hotel de luxo. "O PVC proporcionava, além do conforto térmico, isolamento acústico aos ambientes internos", explica. "Com a banda Olodum passando na rua, o isolamento precisa ser muito bom", brinca.