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Roteiro acidental


Laudo do IPT reconstrói suposta seqüência de fatores que teriam culminado no desabamento do túnel da Linha 4 de São Paulo. Resumimos aqui os principais pontos do relatório


Seleção e organização: Heloisa Medeiros


Gerenciamento de riscos
Uma obra como a construção de um túnel urbano requer um Programa de Gestão de Riscos que deve incluir pelo menos os seguintes processos: identificação de perigos; dimensionamento qualitativo e quantitativo de riscos, avaliação integrada de riscos e planejamento de resposta aos riscos. Essa obra, segundo o IPT, não incorporou esses processos.  Não houve um trabalho de identificação de riscos capaz de constatar que colapsos são eventos que podem ocorrer e merecem cuidados específicos. Também não havia planos de respostas aos riscos (contingência e emergência) capazes de conduzir as tomadas de decisão quando foram necessárias.

Um exemplo da precariedade do plano de emergência é que, desde os primeiros sinais do início do processo de ruptura até o colapso, decorreram cerca de 10 a 15 minutos, tempo esse suficiente para que o tráfego e a circulação de transeuntes fossem interrompidos. Uma medida desse tipo, que teria evitado as conseqüências trágicas do acidente, não se toma de imediato, sem que haja um treinamento antecipado; é por isso que se fazem simulações de acidente. Segundo o IPT, é compreensível que as pessoas envolvidas, aos primeiros sinais da ruptura, não tivessem noção do vulto da catástrofe que se prenunciava e das conseqüências que teria. Entretanto, numa obra da importância como a do túnel-estação, todas as medidas de segurança deveriam ter sido previamente adotadas.

Os 11 fatores decisivos do acidente

Fonte: relatório do IPT

Como foi realizado o trabalho do IPT

Foto extraídas do relatório do IPT
Extração de testemunhos de concreto
O IPT faz questão de informar que não faz parte do escopo do Relatório Técnico identificar os responsáveis pelo colapso do túnel-estação sentido Faria Lima e nem apontar nomes de técnicos ou de empresas que eventualmente tenham cometido falhas, erros ou negligência, em quaisquer etapas do empreendimento. Nas análises contidas nos anexos do relatório completo, alguns técnicos são nominalmente citados como fonte de informações. O objetivo da investigação ficou restrito aos aspectos técnicos e gerenciais do colapso da  Estação Pinheiros e aos processos de engenharia empregados.

Para a realização dos trabalhos de investigação, a diretoria do IPT, por meio de uma Resolução, instituiu a equipe de investigação composta por um gestor, um gerente técnico e mais nove coordenadores de equipes técnicas específicas. A equipe de investigação foi composta, ainda, por quatro consultores nacionais, dois consultores internacionais e pelas equipes da Gestão da Qualidade e de Apoio Administrativo do IPT. A equipe de investigação contou, também, com o apoio dos laboratórios do próprio Instituto para ensaios em amostras de aço, concreto, rocha e solo.

O Instituto alocou duas salas para abrigar 30 profissionais, com montagem de uma rede interna para proteção contra a invasão de hackers nos computadores utilizados nos trabalhos. Além de toda a infra-estrutura necessária para a execução dos trabalhos, como telefone, fax, rede internet, computadores e mão-de-obra de apoio.

Por sugestão do IPT, o Metrô de São Paulo implantou um sistema para acompanhamento das atividades desenvolvidas, cujo escopo foi avaliar a qualidade e os procedimentos adotados pelo IPT. Dessa forma, o projeto foi estruturado com base em conceitos de gestão de projeto e gestão da qualidade.  A monitoração das atividades desenvolvidas foi realizada por meio do gráfico de Gantt, elaborado com o software MS Project, e contribuiu para o controle no tocante ao escopo, prazos, custos, qualidade, recursos humanos e comunicação. Essa estruturação foi validada pela Rina Brasil Serviços Técnicos Ltda., empresa especializada em certificação da qualidade contratada pelo Metrô de São Paulo, que acompanhou todo o trabalho do IPT e considerou-o realizado de  modo adequado.

Nas entrevistas realizadas com os observadores que presenciaram o colapso do túnel, as quais auxiliaram no estabelecimento da cronologia do acidente, adotou-se o princípio do método Bourdieu de caráter qualitativo e sociológico, fundamentado no encadeamento de estímulos, com o intuito de recuperar a memória referente a um período de tempo ou conjunto de fatos de interesse.

Além dessa técnica de entrevistas, realizaram-se reuniões técnicas com a finalidade de obter informações não disponibilizadas em documentos ou para dirimir dúvidas em decorrência de divergências existentes na documentação analisada. Nessas reuniões, compareceram apenas os técnicos do Metrô de São Paulo e um técnico da empresa que realizava trabalho de auditoria da qualidade dos serviços, embora o convite tivesse sido estendido aos técnicos do Consórcio Via Amarela e de empresas subcontratadas, que realizavam atividades na Estação Pinheiros.

A dificuldade em entrevistar os demais técnicos do Consórcio motivou os técnicos do IPT a participarem das oitivas realizadas na 3ª Delegacia Seccional de Polícia, quando os profissionais do Consórcio e de seu Consórcio de Projetistas prestaram informações por meio de Termo de Declaração. Quanto aos documentos técnicos do projeto e do acompanhamento da execução da obra, o IPT recebeu todos os que foram solicitados, totalizando mais de 5.800 unidades compostas por relatórios, plantas, fichas de acompanhamento, desenhos de projetos, entre outros.

Foco dos trabalhos de investigação do IPT:
>> Levantamento das informações básicas disponíveis no processo de licitação.
>>  Análise do contrato do Lote 2.
>> Avaliação do gerenciamento de risco, do sistema da qualidade e da gestão da obra, durante a construção.
>> Avaliação do projeto e da construção da Estação Pinheiros.
>> Identificação do mecanismo de ruptura.
>> Avaliação técnica do método construtivo adotado e da qualidade na execução da obra.
>> Análise dos fatores técnicos e   gerenciais relacionados com o colapso da Estação Pinheiros.

Conteúdo online exclusivo
Confira trechos do laudo realizado pelo IPT com resumo das investigações dos escombros e detalhes de como se deu o desabamento:

>> Texto introdutório com o conteúdo do relatório, os termos do TAC e os serviços contratados

>> Acidentes em túneis urbanos nos últimos 15 anos no mundo com estatísticas das causas e os aprendizados sobre obras subterrâneas

>> Diferenças entre contrato preço global e preço unitário, riscos associados a cada um e como ambos vêm sendo utilizados no mundo

>> Base de dados Geológico-Geotécnicos para pré-licitação

>> Resumo das investigações dos escombros e detalhes de como se deu o acidente

>> Recomendações do IPT para evitar esses tipos de acidente

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