Kits hidráulicos e elétricos
As construtoras que
pretendem ser competitivas no segmento residencial econômico devem pensar também
na industrialização das instalações elétricas e hidráulicas. Diferentemente das
construções de médio e alto padrão, os projetos padronizados possibilitam essa
solução. "Com ambientes de dimensões conhecidas, fabricantes de fios e cabos,
por exemplo, conseguem montar chicotes elétricos para cada uma das unidades",
afirma Roberto Barboza, diretor técnico da instaladora Sanhidrel.
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| Kits hidráulicos são montados no próprio prédio
da Sanhidrel e entregues prontos no canteiro da
construtora |
Segundo o engenheiro, dependendo da familiaridade da construtora com
processos industrializados de produção, é possível reduzir em até 15% a
mão-de-obra necessária para a execução das instalações hidráulicas de um
apartamento. "Atualmente, pré-montamos as instalações dos ramais dos edifícios
de médio e alto padrão, mas em geral as prumadas ainda são artesanais", afirma.
"Quando a obra permite, as prumadas são pré-numeradas e pré-montadas. Apenas
barriletes e instalações especiais são montados no local, porque não há
repetição."
A empresa já firmou parcerias com algumas construtoras para o desenvolvimento
de kits de elétrica e hidráulica para grandes empreendimentos do segmento
econômico. Detalhes técnicos, porém, estão sob sigilo. "Essas informações serão
divulgadas com o tempo, com a construção das primeiras unidades", afirma
Barboza.
Blocos de EPS
A construção em larga escala de habitações
do segmento econômico pode viabilizar o uso de tecnologias baseadas em materiais
alternativos para alvenaria. É o caso, por exemplo, dos blocos de EPS vazados
que, armados e preenchidos com concreto, irão compor o fechamento da
unidade residencial.
A tecnologia é de origem alemã e existe há 30 anos no exterior. Trazido ao
Brasil pela Isocret em 1999, somente agora o sistema está sendo divulgado com
maior intensidade entre as construtoras. O motivo, segundo o engenheiro
José Acilino dos Reis Filho, da Isocret, foram anos de testes e avaliações para
atender os requisitos técnicos da Caixa Econômica Federal e do Governo do Estado
de São Paulo.
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| Blocos de EPS são montados e posteriormente concretados,
funcionando ao mesmo tempo como fôrmas para o concreto e isolamento
termoacústico. Casas podem ser construídas em até uma
semana |
O primeiro contrato para produção de casas em larga escala foi firmado com a
CDHU (Companhia de Desenvolvimento Habitacional e Urbano do Estado de São Paulo)
para a execução de 152 unidades de 51 m² cada em Bocaina, interior de São Paulo.
Antes disso, algumas obras já haviam sido executadas no País com a tecnologia,
entre elas uma escola em Bocaina (SP), o prédio de uma universidade em Rio
Claro (SP), instalações administrativas em São Paulo.
Com uma equipe de quatro pessoas, pode-se construir uma casa de 45 m² em até
sete dias. As casas de Bocaina, por exemplo, custarão à CDHU cerca de R$
450 o metro quadrado, segundo José Acilino. Coberta com uma camada de chapisco
rolado, a superfície de EPS do bloco pode receber qualquer tipo de revestimento.
Ainda de acordo com Reis, os blocos podem ser utilizados em edifícios de até 12
pavimentos. O consumo médio de concreto, com o sistema, é de 1 m³ para
cada 17 m² de parede.
Painéis cerâmicos pré-fabricados
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| Painéis cerâmicos estruturais podem ser
produzidos na fábrica ou no canteiro. Sistema é composto por blocos cerâmicos e
nervuras de concreto armado |
A Jetcasa
começou a desenvolver há dez anos seu sistema de painéis cerâmicos
pré-fabricados. Utilizados como paredes internas e externas, os painéis são
produzidos com blocos cerâmicos estruturados com nervuras de concreto armado e
revestidos com argamassa.
Instalações hidráulicas e elétricas são embutidas. A ligação mecânica entre
os painéis é realizada com soldas de barras e chapas de aço especiais e as
juntas são protegidas da infiltração de água de chuvas ou de áreas molháveis com
selantes flexíveis. A tecnologia pode ser utilizada na produção de casas térreas
e sobrados.
Segundo Marcelo Bergamaschi, diretor comercial da Jetcasa, as peças podem ser
produzidas no próprio canteiro ou confeccionadas na fábrica e transportadas até
a obra. Caso a primeira opção seja a mais viável para o empreendimento, é
necessária uma área de 100 m x 15 m para a instalação da pista de produção. A
empresa fornece a ponte rolante e as fôrmas e a construtora entra com o
caminhão-guindaste.
A produtividade média com o sistema é de três casas por dia, sendo necessária
uma equipe de cinco pessoas para a montagem das casas e de outras 48 para a
produção dos painéis. De acordo com Marcelo Bergamaschi, para que o uso da
tecnologia seja economicamente viável em empreendimentos do segmento econômico,
a área construída mínima deve ser de 10 mil m², equivalentes a 250 casas de 40
m², em média.
O preço de venda do metro quadrado das casas varia entre R$ 450 e R$ 600,
dependendo da sofisticação do acabamento interno das unidades. Desde o ano 2000,
aproximadamente oito mil unidades já foram ou estão sendo executadas com a
tecnologia - 75% dos contratos foram fechados desde o ano passado. Até o fim de
2008, a empresa acredita que deva fechar contrato para a produção de mais
dez mil unidades.
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