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Excelência atestada


Para comprovar a qualidade das soluções inovadoras desenvolvidas e abrir o caminho para obtenção de financiamentos, empresas buscam a avaliação técnica de desempenho


Por Bruno Loturco



Produto aperfeiçoado

Ao procurar o IPT para obtenção do DATec para seu sistema construtivo, uma empresa que atua no segmento de edifícios multipavimentos teve sua solução questionada. De acordo com o Instituto, a segurança ao fogo do sistema, que se valia de fôrmas tipo túnel, não era suficiente para obtenção do documento. Isso porque as fôrmas, nesse caso, são retiradas pela fachada, que tem que ser fechada com outro sistema. A empresa fazia o fechamento com caixilhos de alumínio, que, de acordo com os ensaios, não impediriam a chamada "língua de fogo", a propagação das chamas de um andar para o superior.

Para obter o DATec bastou, então, mudar a forma de fechamento da parte inferior da fachada. A empresa passou a fazer com alvenaria ou, eventualmente, com concreto, e obteve o DATec. No entanto, parecia um retrocesso em termos de racionalização para um sistema que já contava até mesmo com negativos nas fôrmas para as tubulações e shafts para as prumadas e instalações elétricas. Além disso, as tendências comerciais de mercado começaram a apontar inadequações daquela tecnologia.

Sendo assim, a empresa desenvolveu um sistema que lançava mão de fôrmas tipo banche, que são retiradas não pela fachada, mas por cima, possibilitando uma gama maior de desenhos, com reentrâncias em planta. Uma vez que o foco do DATec é sempre o desempenho do produto acabado, muitos tópicos estavam praticamente pré-aprovados para a avaliação do novo sistema. Muitos dos ensaios não precisaram ser repetidos e a migração foi relativamente simples.

Ensaios do sistema construtivo antes de receber o DATec:

Ensaios de caracterização: para os materiais e componentes que integram o sistema construtivo. Podem variar dependendo da constituição e natureza.
Ensaios de desempenho:

  • Desempenho estrutural: compressão excêntrica, cargas laterais distribuídas e concentradas, cargas verticais distribuídas e concentradas, cargas de uso, como peças suspensas e solicitações transmitidas por portas, impactos de corpo mole e de corpo duro
  • Estanqueidade à água: de paredes externas e internas de áreas molháveis, de pisos, à água de chuva de telhados
  • Segurança ao fogo: resistência ao fogo, propagação de chamas, densidade de fumaça, gases tóxicos
  • Desempenho térmico: simulação do desempenho, resistência térmica, condutividade térmica, calor específico, densidade, medidas no local
  • Desempenho acústico: isolação a sons aéreos, isolação a ruídos de impacto, medições de campo
  • Durabilidade: ensaios de envelhecimento acelerado (névoa salina, câmara de umidade, de SO2, ultravioleta) e outros ensaios dependendo da natureza do material.

Desempenho padrão

Ao mesmo tempo em que pretende estimular o desenvolvimento tecnológico, a comunidade técnica nacional sabe que precisa minimizar o risco de insucesso no processo de inovação. Para tanto, foi criado o Sinat (Sistema Nacional de Avaliações Técnicas), que dá suporte à operacionalização de um conjunto de procedimentos de avaliação dos novos produtos para a construção civil. De acordo com o site do PBQP-H (Programa Brasileiro da Qualidade e Produtividade do Habitat), a proposta do Sinat é "suprir, provisoriamente, lacunas da normalização técnica prescritiva". Isso significa que se volta a produtos que ainda não contam com normas técnicas prescritivas.

Mais importante ainda é a homogeneização dos critérios e procedimentos, pois garante que o processo de avaliação considera todos os aspectos relevantes ao comportamento em uso de um produto ou sistema. Além disso, traz resultados padronizados mesmo quando a avaliação parte de instituições diferentes. Na prática, quando uma ITA (Instituição Técnica de Avaliação) recebe uma proposta para avaliar um sistema construtivo inovador, tem que criar diretrizes para os ensaios e análises e as validar junto ao Comitê Técnico do Sinat.

A partir da validação, sempre que uma instituição ligada ao Sistema for realizar avaliações para sistemas semelhantes, é obrigada a seguir as diretrizes já definidas. Esse comitê é formado por representantes de toda a cadeia construtiva. "É um sistema descentralizado, mas que torna a avaliação homogênea", explica Cláudio Vicente Mitidieri Filho, pesquisador do IPT. O Instituto, que é uma ITA, já contava com procedimentos padronizados para a emissão de sua RT (Referência Técnica). De acordo com Mitidieri, os procedimentos propostos pelo Sinat foram baseados na estruturação da RT.

Confira na ilustração a estrutura do Sinat e como se dá o encaminhamento das propostas de avaliação técnica de desempenho em seu âmbito.

Como funciona o Sistema Nacional de Avaliações Técnicas

>>> Conteúdo online exclusivo:
Leia entrevista com o engenheiro Cláudio Vicente Mitidieri Filho, pesquisador do IPT (Instituto de Pesquisas Tecnológicas do Estado de São Paulo) e membro do Sinat (Sistema Nacional de Avaliações Técnicas)sobre homologação de sistemas construtivos.

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