Durante muitos anos os engenheiros
civis se perguntaram se era possível que a construção no Brasil deixasse seu
caráter artesanal para seguir o caminho da industrialização nos canteiros de
obra. Após o fim da Segunda Guerra Mundial, os países desenvolvidos da América
do Norte, Europa e Ásia passaram a se valer com maior intensidade de sistemas
construtivos prontos, pré-fabricados, que proporcionassem maior produtividade e
economia de mão-de-obra - de custo muito alto nessas regiões.
Agora, o momento parece ter chegado. A oportunidade surge com a expansão dos
empreendimentos voltados ao segmento econômico: como a margem de lucro sobre
cada unidade é pequena, o negócio só se viabiliza economicamente com a produção
de unidades habitacionais em grandes volumes. E produção em larga escala implica
industrialização, desde os macrossistemas construtivos - estrutura e vedação -
até os elementos construtivos menores - como as instalações elétricas e
hidráulicas e as coberturas.
Confira a seguir algumas das soluções disponíveis no País para
empreendimentos do segmento, sejam eles horizontais (casas e sobrados) ou
verticais (edifícios multipavimentos). Vale lembrar que está em vigor, desde
maio de 2008, a Norma de Desempenho que traz requisitos específicos para
edifícios residenciais de até cinco pavimentos.
Condomínios horizontais
Os construtores têm encarado a
moldagem in loco de paredes de concreto como a alternativa industrializada mais
viável para a produção de unidades habitacionais em larga escala. Alta
produtividade, custos competitivos e familiaridade com material e processo de
execução são fatores importantes na escolha dessa solução tecnológica.
 |
| Sobre a fundação tipo radier são erguidas as
paredes de concreto com instalações hidráulicas e elétricas
embutidas |
A Rodobens Negócios Imobiliários
entrou de cabeça na tecnologia. No ano passado foram construídas 360 casas
térreas com o sistema na cidade de São José do Rio Preto (SP). As primeiras
fôrmas utilizadas eram de plástico e alugadas no Brasil. Prevendo a expansão do
segmento e a possível falta de equipamentos no mercado interno, a empresa
importou dos Estados Unidos jogos de fôrmas de alumínio. Quando necessário, a
Rodobens se vale também do aluguel no Brasil de fôrmas de alumínio e aço. Até o
fechamento desta edição, a empresa executava 4.566 unidades em todo o País.
Segundo Geraldo Cesta, gerente técnico da Rodobens Negócios Imobiliários, na
época dos estudos o sistema se mostrou mais competitivo em comparação com o
steel frame e com as paredes pré-moldadas. "O pré-moldado demanda equipamentos
para movimentação das peças. O custo do aço e do material de preenchimento do
steel frame era inviável para um produto destinado a camadas de menor poder
aquisitivo", explica o engenheiro. A aceitação dos consumidores é outro aspecto
importante. Segundo Cesta, os compradores acreditam que a solidez das paredes
monolíticas transmite maior sensação de segurança. "O steel frame é uma solução
técnica fantástica, mas acho que ele não atende cultural e financeiramente a
esse público."
Executadas com concreto celular auto-adensável, as unidades são produzidas
pela Rodobens Negócios Imobiliários à razão de uma a cada dois dias. As fôrmas
de alumínio, adquiridas pela empresa, podem ser utilizadas 1.500 vezes. "Mas a
produtividade com a fôrma não é tudo, você precisa ter uma grande escala de
produção que possibilite uma economia na compra dos outros insumos", lembra
Cesta.
Steel frame
 |
| Até o momento a construtora executou apenas um
protótipo de casa popular em steel frame. Preço do aço e dos componentes de
vedação pressionam competitividade econômica do
sistema |
O steel frame desembarcou no Brasil como
uma solução construtiva industrializada para construções de alto padrão. O
arquiteto Alexandre Mariutti, diretor da construtora Seqüência, que trabalha há
seis anos com a tecnologia, conta que era preciso esperar a tecnologia se
consolidar nesse segmento para depois aplicá-lo a empreendimentos econômicos.
"Acreditamos que já é hora de popularizá-lo", afirma.
A construtora já desenvolveu alguns modelos de casas para o ramo popular e o
que se mostrou financeiramente mais viável empregava fechamentos em placas
cimentícias. Até o momento, um protótipo foi erguido e uma réplica está sendo
avaliada pelo IPT (Instituto de Pesquisas Tecnológicas do Estado de São Paulo).
Mariutti estima que, em escala de produção industrial, cada unidade de 48 m²
possa ser construída em cerca de uma semana.
No entanto, o preço dos componentes ainda é um fator que pressiona a
competitividade do custo do sistema. A começar pelo aço, commodity cujo
preço é puxado para as alturas pelo aumento da demanda mundial, sobretudo da
China. O arquiteto critica também a falta de competição entre fornecedores
de placas cimentícias e de drywall, o que mantém, em sua opinião, os
preços desses produtos em patamares mais elevados.
Se o sistema construtivo completo ainda tem um caminho para trilhar rumo à
viabilização econômica e técnica, pelo menos parte dele pode ser empregada de
imediato em qualquer tipo de construção residencial industrializada. "Já há
empresas nos procurando para desenvolver as coberturas metálicas para casas de
PVC, por exemplo", revela Mariutti.
PÁGINAS :: 1 | 2 | 3 | 4 | Próxima >>