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Água só é interessante à construção durante o período de execução das obras. Concluídos os trabalhos, o líquido freqüentemente torna-se um empecilho. Em tempos chuvosos, acumulado nas fachadas de edifícios, por exemplo, provoca manchas e reduz a vida útil dos materiais. "A boa técnica sempre recomenda que se afaste o mais rápido possível as lâminas d´água que escorrem pelas fachadas", observa o pesquisador Ercio Thomaz, do Cetac/IPT (Centro Tecnológico do Ambiente Construído do Instituto de Pesquisas Tecnológicas do Estado de São Paulo).
O mecanismo mais eficaz remonta à instalação de pingadeiras sob os peitoris das janelas. Os peitoris em si podem ser pré-moldados ou fabricados no próprio canteiro, com concreto ou graute industrializado, em fôrmas metálicas. Por pingadeira em si compreende- se apenas a linha ranhurada, abaixo dos peitoris, que intercepta a lâmina d'água, resultando pingos que se projetam afastados da fachada.
Há que se atentar, porém, à natureza higroscópica dos materiais de construção. Areia, cimento, cerâmica, concreto, argamassa - todos têm uma atração molecular por água. "A retenção de umidade propicia o surgimento de fungos. Esses organismos expelem uma substância ácida que ataca cimento, cal, argamassa de revestimento, pintura", descreve Thomaz. Com isso, a penetração da umidade para o interior do prédio e dos apartamentos torna-se conseqüência previsível.
"Por tudo isso é importante a adoção de medidas não só na janela, mas em toda a fachada", lembra o pesquisador. Destacam-se aqui pelo menos outros três recursos auxiliares na dissipação de água ao longo de fachadas com revestimentos de argamassa: o ressalto, a bunha e o friso.
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Ausência de pingadeiras retém umidade e causa manchas em fachadas |
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Acúmulo de água em borda de peitoril provoca rachaduras e formação de fungos |
Por fim, umidade penetra no interior de apartamento |
Alternativas
O ressalto pode ser traduzido como um obstáculo (espécie de tobogã), instalado idealmente a cada pavimento, que cria seguidas descontinuidades e impede o acúmulo de água.
Opções mais baratas e simplificadas, a bunha e o friso possuem características semelhantes entre si: são reentrâncias capazes de criar perturbações no vento que empurra a água da chuva contra a parede, ajudando na dissipação do líquido. A principal diferença entre os modelos está na largura: reentrâncias da ordem de 5 cm de largura são chamadas de bunhas, e quando mais estreitas, entre 1,5 cm e 2 cm, denominam- se frisos. "Não são bons como o ressalto e a pingadeira, mas também funcionam",garante Thomaz.
O friso, particularmente, oferece utilidades que vão além da dispersão de água. Pode servir para dissimular defeitos nas emendas da massa, ou mesmo para atenuar problemas de coloração decorrentes da tinta empregada em efeito decorativo.
O aspecto decorativo das fachadas é, por sinal, outro ensejo para aplicação adaptada tanto do friso como da bunha. "Outros recursos, como molduras e cornijas, também são muito usados em prédios de estilo clássico e neoclássico. Os desenhos ajudam no afastamento da água que vai caindo do topo do edifício", comenta o pesquisador do IPT.
São significativos os benefícios de todas essas quebras de linearidade nas superfícies externas. No meio técnico existem referências a estudos segundo os quais pequenas saliências perpendiculares ao plano da parede conseguem reduzir em mais de 50% o volume de água que escorre sobre a fachada. E a prevenção contra os efeitos danosos da umidade só aumenta, evidentemente, com a presença das pingadeiras sob os peitoris das janelas.
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Ressalto: faixa simples de concreto entre pavimentos quebra linearidade da fachada e evita concentração de água da chuva |
Cuidados com o peitoril
Para assegurar que as lâminas d´água de fato cheguem à pingadeira e dali se precipitem, são recomendadas algumas breves intervenções também na superfície do peitoril - medidas adicionais ao suave caimento padrão.
"Não se consegue assentar perfeitamente um peitoril na horizontal. A água escorre do vidro, ou do alumínio, e em vez de cair para a frente, pode pender para o lado e ali se concentrar, favorecendo uma movimentação higroscópica", explica Ercio Thomaz. Para evitar o acúmulo de água nos extremos do peitoril, a solução novamente se volta à criação de frisos, ou ao bloqueio por meio de ressaltos nas laterais.
Caso o peitoril seja constituído de um outro material alternativo à argamassa e ao concreto, como granito, o risco de água empoçada nas bordas diminui. Basta que seja feita a pingadeira na face inferior do peitoril e, eventualmente, por segurança, ranhuras nas extremidades da superfície superior.