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Pilares redondos


Papelão, madeira, aço e PVC. Há diferentes sistemas e materiais disponíveis para executar pilares redondos e de formatos especiais. A escolha da solução mais adequada depende de análise técnica, estética e, principalmente, econômica


Juliana Nakamura


Nilton Nazar
Após análise técnica e econômica, para a confecção dos pilares da fachada desse centro educacional foram usadas fôrmas metálicas. A solução, especialmente concebida para essa obra, contribuiu para a planicidade esperada pelo arquiteto

Responsável pela geometria das peças de concreto, o sistema de fôrmas é determinante para garantia de prumo, nível, alinhamento e esquadro da estrutura. O conceito não é diferente quando se tratam de pilares redondos e com formatos especiais. Especificados por motivações arquitetônicas ou estruturais, esses elementos menos convencionais podem ser moldados por meio de fôrmas industrializadas ou confeccionadas em obra, a partir de matérias-primas das mais diversas.

O que determina a maior pertinência de cada solução é uma rigorosa análise comparativa que leva em conta, entre outros fatores, prazos, quantidade de utilizações e aspecto superficial desejável. "Cada estrutura a ser moldada apresenta particularidades que exigem estudo minucioso, como as medidas dos pilares,número de reúsos das fôrmas, equipamentos disponíveis (grua, guindaste) e prazo de execução", lista o consultor de fôrmas, Paulo Assahi.

De acordo com o também consultor de fôrmas Nilton Nazar, em função da praticidade que oferecem, os moldes de papelão têm sido os mais utilizados para dar forma a pilares circulares no Brasil. Em sua opinião, esse tipo de solução é mais interessante por aliar ótimo resultado superficial do concreto com a facilidade de uso e manuseio no canteiro.

Fabricados em papel kraft e semikraft tratados com colas e resinas, os tubos de papelão recebem uma camada de papel não-aderente ao cimento e são disponibilizados nos diâmetros de 100 mm a 1.000 mm e espessuras variáveis de 3 mm a 8,5 mm. Leves - uma fôrma de 150 mm de diâmetro interno pesa cerca de 1,4 kg/m -, têm fácil colocação e retirada. As fôrmas de papelão podem, ainda, receber recheio de EPS para obter diversas seções de colunas (retangulares, quadradas, hexagonais, góticas ou romanas).

Divulgação: Aqueduto
As fôrmas contínuas podem suportar grandes cargas de concretagem, apesar da leveza de alguns materiais

Esse tipo de material, no entanto, não é reutilizável.Após a cura do concreto, o invólucro de papelão é rasgado e desprezado, fazendo com que o sistema se torne mais competitivo em obras em que está prevista apenas uma utilização da fôrma. "A partir de duas utilizações, começa a valer a pena pensar em outras soluções, como a fôrma de compensado de madeira", alerta Nilton Nazar. Segundo o engenheiro, alugar fôrmas metálicas também pode ser uma saída interessante quando o projeto tiver previsto várias utilizações em um período inferior a um mês. "Há de se ponderar, contudo, que os sistemas metálicos tendem a ser mais bem-sucedidos em estruturas com lajes planas e que, dependendo do porte das peças, pode exigir equipamentos de movimentação na obra", completa Nazar.

O aspecto superficial do concreto é outro fator que influencia a especificação do sistema de fôrmas. Nas situações em que for desejável o máximo de planicidade, os moldes construídos à base de papelão e até os de PVC saem na frente.Mas há obras em que o projeto arquitetônico busca tirar partido das emendas e frisos. Nesses casos, a fôrma de madeira cambotada é a mais indicada.

Recomendações gerais

 Deve-se procurar o sistema mais econômico, nunca o mais barato. Afinal, a qualidade da estrutura influencia os custos dos outros subsistemas que compõem a construção
 Projetos de fôrmas são fundamentais para se tirar melhor proveito da solução escolhida. No caso de fôrmas feitas em obra, é ainda mais importante estudar e planejar as fôrmas para otimizar o corte e reduzir as perdas
 A produtividade decorre diretamente da escolha correta do sistema e do treinamento da mão-de-obra
 No caso das fôrmas de madeira, as bordas cortadas devem ser seladas com tinta apropriada para evitar a infiltração de umidade e elementos químicos do concreto entre as lâminas, principal fator de deterioração
 Controle no recebimento e armazenamento: as fôrmas, em especial as de papelão, devem estar bem protegidas da umidade
 A maior parte dos danos que ocorrem nas fôrmas surge durante a desenforma por falta de cuidado. Para as fôrmas de madeira, por exemplo, deve-se dar preferência à cunha de madeira em vez do pé de cabra
 Para evitar que a nata do cimento escorra e o concreto perca resistência, não devem ser toleradas frestas, mas se não for possível, não poderão ter mais que 1 mm
 É fundamental que todo sistema de fôrma seja adquirido de empresa idônea, com devida apresentação da ART (Anotação de Responsabilidade Técnica) do Crea

Fontes: professor Carlito Calil Júnior e engenheiro Paulo Assahi


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