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| Para reduzir gastos com ar-condicionado, vidros refletem os raios solares que provocam aquecimento, mas permite maior aproveitamento da luz natural. Vigas com alturas variadas exigiram esquadrias unitizadas para o fechamento |
Os núcleos de elevadores e escadas deveriam evoluir à frente do restante da estrutura porque são responsáveis pela estabilidade e contraventamento dos edifícios a partir do travamento das vigas. "O núcleo estava sempre três pavimentos à frente da estrutura de metal. Chegou a crescer 1,025 m por dia", conta Leandro Cardoso Marreto, engenheiro de produção da WTorre Engenharia. "O núcleo norteou o crescimento da estrutura nas duas lajes, e o uso de concreto foi vantajoso", afirma Martins. "É uma tendência mundial aplicar os materiais nos locais certos, respeitando resistências à compressão e à flexão", avalia.
Antes dos pilares, as lajes, em steel deck, é que recebiam concreto. Com studbolts, fazia-se o engastamento das lajes ao núcleo. "Os pilares metálicos suportariam a concretagem de duas lajes", explica Marreto ao comentar sobre o traço do concreto. Em vez das 2,5 t/m³ habituais, o concreto das lajes do WTorre Nações Unidas, com agregado leve, pesa 1,9 t/m³. O agregado utilizado foi a argila expandida, que exigiu atenção durante o bombeamento para evitar desagregação.
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| Além de piscininhas e de cobertura verde para retenção de água da chuva, espaços externos receberam piso drenante. Água coletada servirá para alimentar o schiller do ar condicionado |
Inicialmente, o cronograma de obra previa a concretagem das lajes andar por andar. No entanto, a execução do núcleo e da estrutura metálica acelerou mais do que o planejado. Como a execução das lajes objetivava a estabilidade global dos edifícios, para dar continuidade ao bom ritmo alcançado, em determinado momento optou-se por concretar lajes de andares alternados, incrementando a rigidez estrutural. Novamente, pinos metálicos com cabeça - atuando como conectores de cisalhamento - atuaram na consolidação estrutural.
Dessa vez, foram fixados à parte superior das vigas que, para efeito de cálculo, em conjunto com as chapas do steel deck, tiveram sua seção aumentada e o formato transformado de "I" para "T" - considerando a laje como uma das extremidades da viga. A laje, em si, tem espessura de 14,5 cm, nos pontos em que a onda da chapa de steel deck é baixa, e 9,5 cm, quando é alta.
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| Função do concreto que reveste os pilares metálicos é estrutural. Além da alma metálica, contam com estribos para manter a seção coesa. Uso do steel deck exige que vigas sejam posicionadas a cada 2,5 m |
Industrialização integrada
Das mais significativas influências da industrialização foram as dimensões dos pilares metálicos. Devido a questões econômicas e de transporte, foram fabricados com 12 m de comprimento. Por isso, também, os pavimentos eram montados três a três. A união dos pilares, por determinação da Codeme, foi feita com parafusos. "Evitamos soldas em obra porque o controle é mais difícil. Mesmo que [os pilares] não tivessem revestimento em concreto, a emenda seria aparafusada", afirmou Eduardo Martins.
Para a composição da fachada e das passarelas que conectam os prédios, foram aplicadas vigas curvas. A resistência à torção necessária foi obtida com uso de perfis-caixa soldados, pois os perfis "I" não suportam esse tipo de solicitação. "Precisa-se usar seção fechada. No caso, retangular", explicou o projetista. A função inicial das passarelas, que vencem vãos de 20 m, seria a de abrigar um jardim comum aos prédios, mas como o empreendimento não se destina a um usuário único, ganharam função arquitetônica e de segurança ao incêndio, servindo de rota de fuga no caso de emergência. Uma vez que o desenvolvimento dos projetos se deu em conjunto, os sistemas de tubulação e de ar-condicionado já estavam previstos quando da fabricação dos perfis. Assim, já contavam com os recortes necessários.
No térreo, por motivos arquitetônicos, todos os pilares têm seção circular. Para a concretagem, foram utilizadas cambotas revestidas com zinco, que propiciaram o acabamento desejado pela arquitetura. Além disso, "o uso desse sistema reduziu a demanda por mão-de-obra, que está cada vez mais rara", alertou Marreto.
Se a arquitetura fez exigências, também teve de se adaptar às necessidades técnicas. Por economia de aço, a Codeme realizou a verificação das exigências estruturais de cada viga e pilar para o dimensionamento, o que resultou na redução de seção conforme aumentava a altura do edifício. "Para a arquitetura, seria melhor trabalhar com viga única", conta Mauro Halluli. A variação na altura das vigas determinou a solução de caixilharia, pois os únicos pontos de apoio estavam nos pisos. Dessa maneira, foram utilizados painéis unitizados com 4,20 m de altura fixados à estrutura metálica, que eram montados no chão e içados com grua para o local de instalação. O sistema de fixação desenvolvido conta com metal galvanizado para resistir ao ambiente agressivo devido ao rio à frente do prédio.
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| Com a mudança no conceito de comercialização do empreendimento, passarelas perderam a função de integração, mas servem à arquitetura e também como rota de fuga no caso de incêndio |
Certificação sustentável
O prédio da WTorre almeja a certificação do GBC (Green Building Council). Por isso, conta com alguns recursos para economia de recursos hídricos e energéticos. Um deles é o green roof, ou cobertura vegetal no telhado, que, além de aumentar a inércia térmica e diminuir o efeito de ilha de calor, retarda o escoamento da água da chuva. Em paralelo, a água é retida também nas piscininhas, obrigatórias pela Prefeitura, e em lagos artificiais que se formam com a chuva e levam até dois dias para esgotar. Nas áreas externas, sempre que possível, o piso drenante foi adotado com o mesmo intuito.
A água captada passa por uma estação de tratamento e será utilizada nas chamadas torneiras verdes, para lavagem de áreas comuns e rega de plantas, e no schiller do ar-condicionado. Há estudos, ainda, para aproveitar a água captada no lençol freático para a climatização dos ambientes.
O ar-condicionado, por sua vez, é insuflado pelos pisos elevados dos andares. Depois, é retirado pelas luminárias e encaminhado novamente aos dois fan coils com 25 TR (toneladas de refrigeração) cada existentes por pavimento, onde é reciclado e reutilizado. A cada ciclo desses, parte do ar é descartada em troca de ar novo, oriundo do exterior.
A fim de permitir o aproveitamento máximo da luz natural, os vidros das fachadas são menos reflexivos que os convencionais. Para evitar absorção excessiva de calor, no entanto, permitem passar a luz, mas não os raios solares responsáveis pelo aquecimento. "Não faz sentido colocar vidro até o chão, pois em escritórios normalmente são colocados móveis que não preservam a vista", comenta Halluli.
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FICHA TÉCNICA
proprietária e construtora: WTorre Empreendimento Imobiliário; projeto de arquitetura: Edo Rocha Espaços Corporativos; projeto de estrutura de concreto: Engeserj; estrutura metálica: Codeme; projeto de instalações elétricas: Enit; projeto de instalações de ar-condicionado: Teknika; projeto de luminotécnica: Focos; instalações elétricas, hidrossanitárias e antiincêndio: Temon; instalações de ar-condicionado: Heating Cooling; consultoria em controle tecnológico dos materiais: Alphageos; consultoria de impermeabilização: Proassp; consultoria de revestimentos Limestone: DGG; consultoria em fundações: Infraestrutura; consultoria em ar-condicionado: Teknika; consultoria em sonorização e acústica: Srenewski; elevadores: ThyssenKrupp; porcelanatos: Portobello; cerâmica: Eliane; forros de gesso acartonado e divisórias de gesso acartonado: Placo; impermeabilizantes: Denver; vidros: Pilkington; alumínio composto: Alcan Alumínio do Brasil; Alumínio: Alcoa; steel deck: Metform; concreto pronto: Tupi/Polimix; argamassas e rejuntes: Teknokola, Portokoll e Bela Vista; aço: Belgo; perfis de aço para estrutura: Usiminas; luminárias: Philips; ar-condicionado: Carrier; automação: Honeywell; circuito fechado de TV e detecção de incêndio: Itautec; fios e cabos: Phelpes Dodge; geradores: Stemac.
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