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Alto e pronto


Sistemas em concreto pré-moldado viabilizam a construção de edifícios com mais de 80 m de altura na Europa. No Brasil, edifícios de até dez andares são integralmente construídos com pré-fabricados


Por Valentina Figuerola


Arnold Van Acker
Edifício de escritórios Convent Garden Brussels, com 16 pavimentos e estrutura elíptica
Segundo Ferreira, as estruturas de concreto brasileiras totalmente pré-moldadas oferecem vantagens econômicas no que se refere aos edifícios baixos, sobretudo quando se trata de construções de até sete pavimentos. "Na Europa, devido à cultura construtiva, eles reproduzem o sistema de contraventamento até mesmo nos edifícios baixos, o que é dispendioso", esclarece o engenheiro. "Até dez pavimentos, nossas ligações solidarizadas são mais racionais do ponto de vista estrutural e de montagem", acrescenta.

A Europa, por dispor de uma cultura mecanizada de canteiro, consegue driblar problemas como a escassez de mão-de-obra, questão que o Brasil, apesar de não estar preparado para combater, poderá viver em épocas de maior aquecimento do mercado da construção civil. "Vamos começar a enfrentar problemas que lá fora eles já enfrentam", alerta Íria.

Iria Doniak
Linha de produção de pré-moldados na Bélgica, onde as fábricas investem alto nos sistemas de fôrma, cura e protensão
Outro grande desafio para a propagação dos edifícios altos em concreto pré-moldado é o sistema de financiamento de obras brasileiro, responsável pela "dilatação" dos cronogramas de execução das obras, que duram, em média, de 24 a 36 meses. Em função disso, o incorporador pode optar por sistemas construtivos convencionais em vez dos pré-moldados e da boa relação custo-benefício que eles propiciam.

 

Divulgação: KPN

Belvédère, Roterdã (2000)
Com 96 m de altura, o edifício-sede da empresa de telecomunicações KPN possui estrutura híbrida que combina concreto pré-fabricado e concreto moldado no local. As forças horizontais que resultam da inclinação do prédio são compensadas por uma treliça de aço de 50 m, que desempenha um papel importante na interação das forças. A superfície oblíqua da fachada é um painel publicitário luminoso (48 m x 85 m) cuja inclinação foi inspirada nos eixos dos cabos da Erasmus Bridge.

 

Het Strijkijzer, Roterdã (2007)
Projetada pelo escritório de arquitetura holandês AAArchitecten, "Het Strijkijzer" é uma torre residencial de 43 andares e 130 m de altura construída com sistemas pré-fabricados de concreto. O contraventamento é feito por painéis estruturais pré-moldados, que, em conjunto com as colunas de concreto da fachada, conferem estabilidade ao edifício. As paredes pré-fabricadas e os elementos estruturais da fachada são intertravados de modo a fornecer ação de pino para transferência da cortante vertical. Na torre, a transferência de forças verticais  é direta e acontece de painel para painel pré-fabricado por meio da junta de compressão com argamassa. Os painéis dispõem de cantoneiras metálicas no topo (na parte interna) para apoio da laje. A opção pelo piso sem capa de concreto aumentou consideravelmente a velocidade da construção (dois pavimentos por semana).

Divulgação: Aaarchitecten
Divulgação: Corsmit Consulting Engineers

 

Clóvis Medeiros

Tecnologia mista em Florianópolis (2003-2005)
Lançado pela Kobrassol, do grupo Cassol, o edifício comercial São José da Terra Firme tem 14 andares e estrutura híbrida. O sistema proposto pelo arquiteto Ademar Cassol e pelo calculista Hercílio Ferrari consiste num edifício em "L" com modulação entre pilares, aproveitando a região central de escadas e elevadores para a criação de núcleos rígidos de contraventamento e nós semi-rígidos nas ligações de vigas e pilares. Os pilares foram moldados no local, com concreto fck 30 MPa, mesma resistência especificada para as vigas e lajes alveolares protendidas (ambas com cordoalhas aderentes). Para a execução dos pilares foram utilizadas fôrmas de madeira compensada e escoramento metálico. As vigas e lajes pré-moldadas foram transportadas até a obra em caminhões trucados, sem necessidade de adaptações. Na montagem do edifício foi utilizado um guindaste tipo grua com capacidade para 3,0 tf e lança de 30 m. Os pré-moldados foram apoiados nos pilares por armaduras de esperas, dispensando escoramento. Numa segunda etapa foram montadas as fôrmas e concretadas as ligações. Lajes alveolares foram transportadas por dispositivos especiais (balancim e garras) que evitam fissuras longitudinais decorrentes de um esforço de flexão transversal não previsto. Posteriormente, foram colocadas as armaduras complementares para as vigas e lajes e feita a última etapa de concretagem.

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