Coordenação modular
Nós, do Grupo Usiminas, gostaríamos de parabenizar a equipe de Téchne pelas reportagens da edição 138, dedicada à industrialização da construção em suas várias instâncias. Uma mesma edição contemplando temas como alta tecnologia de estruturas mistas em uma obra nacional, a cronologia das estruturas de aço no Brasil e a excelente entrevista sobre coordenação modular com o arquiteto e professor Hélio Adão Greven exibe à cadeia produtiva da construção civil no Brasil as nossas reais possibilidades de industrialização. A coordenação modular é o conceito básico que alimenta esse processo e traz ganhos a todos os elos da cadeia produtiva, da idéia de um empreendimento ao usuário final do edifício. O trabalho dos arquitetos e dos engenheiros de projeto é mais valorizado e útil ao ambiente de produção, o trabalho do construtor pode ser planejado à risca, com redução de imprevistos. Reduzem-se impactos ambientais e urbanos a curto e longo prazos das construções - algo imperativo frente à realidade global -, o retorno ao capital investido em determinado projeto imobiliário é mais rápido e a produtividade do setor aumenta em níveis proporcionais aos desafios que nosso País exige hoje, principalmente em moradias e infra-estrutura. Ainda falta ao poder público, em suas três instâncias, compreender que a carga tributária sobre produtos e soluções industrializadas ainda é o principal entrave à definitiva industrialização do setor produtivo e da construção brasileira.
O aumento de produtividade fomenta a economia como um todo e substitui o emprego informal e inseguro dos canteiros de obras artesanais pelo ambiente de fábrica e o conceito de montagem.
Ascanio Merrighi, Superintendente de Desenvolvimento da Construção em Aço Usiminas
amerrighi@usiminas.com.br
Concreto sustentável, Téchne 139
Povindar Kumar Mehta, Professor Emeritus em Engenharia Civil na Universidade de Berkeley, "papa" mundial do concreto, disse em entrevista à revista Téchne 139: "[...] é possível reduzir de 20% a 25% o teor de cimento com o uso de superplastificante. Essa questão não é valorizada pela certificação. Se um edifício economizou 2.000 t de emissões de carbono, qual o problema de ser pontuado no LEED? É uma questão global, atual, que deveria ser pensada".
Ah, meu Deus! O problema é que o refutável velho sistema de pontuação não comporta a complexidade de sistema orgânico total de edifício. Há certa presunção em qualquer tentativa de avaliar desempenho de edifício com base nesse sistema.
Não obstante os argumentos sólidos do proeminente professor Mehta, a pontuação em si não é suficiente para resolver o grave problema em questão. É preciso avaliar com eqüidade! De acordo com Nader (1997:133-134), "na Ética a Nicômaco, Aristóteles traçou, com precisão, o conceito de eqüidade, considerando-a 'uma correção da lei quando ela é deficiente em razão da sua universalidade' e comparou-a com a 'régua de Lesbos' que, por ser de chumbo, se ajustava às diferentes superfícies: 'A régua adapta-se à forma da pedra e não é rígida, exatamente como o decreto se adapta aos fatos'. [...] 'Eqüidade é a justiça do caso particular. Não é caridade, nem misericórdia, como afirmavam os romanos - justitia dulcore misericordiae temperata (justiça doce, temperada de misericórdia). Não é também fonte criadora do Direito, mas um sábio critério que desenvolve o espírito das normas jurídicas, projetando-o sobre os casos concretos'."
O autor desenvolveu no IPT (Instituto de Pesquisas Tecnológicas do Estado de São Paulo) modelo matemático da régua de Lesbos. No caso de a "pedra" ser perfeitamente plana, o coeficiente de estabilidade da régua de Lesbos (k) é igual a 1. Para superfícies irregulares, k varia de 0 a 1. No caso de a "pedra" não existir (item não obrigatório, não cumprido pelo avaliado), k é igual a infinito. O coeficiente de estabilidade da régua de Lesbos é dado por k = ge, inf./ge, sup. Em que ge, inf. e ge, sup. são, respectivamente, os limites inferior e superior do fator eqüidade. O fator eqüidade calibra o peso da característica. Os resultados da avaliação com uso da régua de Lesbos são desacoplados do avaliador. A régua de Lesbos é universal.
Ricardo Wagner Reis Duarte, engenheiro civil, mestre em Habitação pelo IPT (Instituto de Pesquisas Tecnológicas do Estado de São Paulo).