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| Para serem economicamente viáveis, galerias técnicas devem ser construídas antes do adensamento urbano |
As administrações das cidades brasileiras não sabem, de maneira precisa, por onde passam dutos, tubulações e galerias que compõem o emaranhado subterrâneo de infra-estrutura. Um cadastro confiável, que unisse os dados e a localização de todas as redes que passam sob ruas e calçadas, ajudaria a reduzir os riscos de acidentes em escavações nas áreas mais adensadas e os impactos sobre o trânsito e sobre o abastecimento nas proximidades dessas obras. Mas esse mundo ideal está distante de ser concretizado pelas prefeituras do País. Enquanto isso não acontece, as partes interessadas se unem para evitar danos causados por terceiros em suas redes.
A maior parte dos dutos e tubulações no subsolo são ativos de empresas públicas ou privadas de saneamento e fornecimento de água, energia elétrica, gás e telecomunicações. Pertencentes ao município, apenas as redes de iluminação pública, de drenagem e de alimentação dos semáforos. Os detentores de cada um desses sistemas dispõem de bases de cadastro próprias, digitalizadas, relativamente precisas e completas. Em nenhuma cidade do País existe, porém, um cadastro único, georreferenciado e centralizado, da malha de infra-estrutura enterrada sob vias públicas.
"Quando nos perguntam sobre a existência de redes em uma rua, a primeira resposta é se tem ou não tem. Mas sua localização precisa no subsolo, nós não sabemos", afirma o arquiteto Ruy Villani, diretor do Convias (Controle de Uso de Vias Públicas), departamento da Secretaria Municipal de Infra-Estrutura e Obras de São Paulo. Segundo ele, o controle em grandes metrópoles do mundo, como Nova York, é igual ou inferior ao paulistano. Além de analisar e aprovar projetos de expansão e manutenção dos sistemas subterrâneos, o departamento procura organizar essas ações para que sejam realizadas ao mesmo tempo, minimizando o impacto local sobre o tráfego de veículos.
Unificação de cadastro
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| Após a abertura das valas para manutenção das redes subterrâneas, a concessionária deve arcar com recapeamento da via. Custos podem ser dissolvidos com a programação de ações de manutenção conjuntas com outras empresas |
Em São Paulo, está engatinhando um projeto de unificação dos cadastros das concessionárias em uma base de dados centralizada, sob administração da Prefeitura. Segundo o Convias, a base cartográfica, na escala 1:1000, já está pronta. O passo mais difícil, no entanto, ainda não foi dado.
O volume de informações sobre as 50 mil ruas da cidade inviabiliza a inserção manual dos dados no sistema. A única saída é a migração dos cadastros já digitalizados das concessionárias para a base da administração municipal. "A iniciativa é boa, seria uma ótima ferramenta para os projetistas, por exemplo. Mas, na prática, o que vemos é a incompatibilidade entre as bases cadastrais", explica Moacir Fernandes Lopes, coordenador técnico de Infra-estrutura e Obras do Sistema Subterrâneo da Eletropaulo, concessionária distribuidora de energia elétrica na cidade. Ruy Villani explica que a escala e o ponto referencial - o ponto zero - dos mapas de cada empresa não são padronizados. Com a unificação, haveria deslocamentos e, em alguns casos, sobreposições das redes, fazendo com que a representação não correspondesse à realidade. Na cidade, por meio de um acordo entre as administrações municipal e estadual, a base cadastral completa da Sabesp (Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo) será fornecida à Prefeitura. Isso facilitará a integração posterior com o cadastro da Comgás (Companhia de Gás de São Paulo), empresa privada de distribuição de gás, estabelecida num sistema compatível com o da Sabesp. Mas ainda faltariam os cadastros das demais concessionárias. "As informações (contidas nos cadastros) são diferentes, adequadas aos negócios e às necessidades das empresas", afirma Lopes, da Eletropaulo. Nas regiões centrais, onde a malha de infra-estrutura é mais consolidada, os mapas também não são atualizados com tanta freqüência. "Eventualmente pode haver falhas no cadastro", reconhece o coordenador.
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| Robôs controlados remotamente, com câmeras acopladas, realizam furos para abertura de ramais em tubulações de diâmetro médio |
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| Para prevenção de acidentes, a abertura de valas em regiões com o subsolo "congestionado" é acompanhada por fiscais de todas as concessionárias |
Enquanto a centralização não chega, as empresas e o poder público estabelecem procedimentos para quando precisam abrir valas para realizar manutenção programada em suas redes. Na capital paulista, o Convias manda avisos para as concessionárias três vezes por semana com os endereços onde haverá escavações. Se acharem necessário, enviam um fiscal para a obra. Uma alternativa ao modelo, testada em outras cidades do mundo, seria o "One-Call Center" ou "Call Before Digging": antes de realizar a escavação, a empresa liga para um escritório - mantido pela prefeitura e/ou pelas concessionárias -, avisando sobre a necessidade da intervenção. Elas destacam um funcionário para pintar, na via, numa escala 1:1, a localização de suas tubulações e sua profundidade.
Outra iniciativa para a minimização dos acidentes com outras redes que compartilham o espaço no subsolo urbano foi a criação do PPD (Plano de Prevenção de Danos). A Sabesp e a Comgás se uniram em torno do programa para desburocratizar a consulta às bases de dados e para treinar os funcionários com o objetivo de reduzir os danos causados por terceiros.
Galerias técnicas: viáveis?
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| Execução de sistema de calçadas elevadas só foi possível com financiamento de moradores e escritórios da Vila Olímpia, em São Paulo |
"Só se fossem previstas antes da construção da cidade", afirma o diretor do Convias, Ruy Villani. De acordo com o arquiteto, as galerias visitáveis são uma solução cara para o município e que não compensaria para as concessionárias. "Além disso, quem ficaria com as chaves? Quem garantiria a segurança das galerias?", questiona.
Mesmo se fosse uma iniciativa comum entre as concessionárias, o grupo não contaria com as empresas de distribuição de gás. "Por esses locais passam redes secundárias de distribuição de energia elétrica. Além disso, são espaços confinados, não contam com ventilação, o que inviabiliza a passagem de tubulações de gás", afirma Paulo Ricardo Castro da Cunha, gerente de Padrões Técnicos da Comgás. "Nossas tubulações só podem ser enterradas, ou passar por dutos exclusivos e ventilados - como ocorre em algumas pontes", explica.
Para Villani, até iniciativas como o Projeto Colméia, no bairro de escritórios da Vila Olímpia, seriam muito caras para a prefeitura. Em 2004, um grupo de moradores e empresas financiou a revitalização das ruas e calçadas do local. Entre as ações, foram construídas valas técnicas "tampadas" com placas de concreto. Pelos alvéolos passam dutos e cabos de empresas de telefonia, TV a cabo e telecomunicação.
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