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Sustentabilidade high tech


Extravagantes, edifícios como os de Dubai e China tentam provar que são sustentáveis. Por isso, transformaram-se em grandes geradores eólicos e captadores fotovoltaicos. Mas isso é viável?


Por Maurício Horta


Divulgação: Atkins
Canarinho ecológico

A Copa de 2014 deve botar em prática no Brasil mais estratégias simples a favor do meio ambiente. A Fifa exigiu que o estádio do Maracanã recebesse um estacionamento para pelo menos cinco mil carros na depredada região dividida entre o Maracanã e São Cristóvão pela linha de trem. O escritório Artetec Arquitetura propôs a transformação do lugar em uma estação multimodal ecologicamente correta, combinando as estações existentes de trem, metrô e ônibus, um estacionamento de carros sobre a linha de trem e outro para bicicletas. Todos os estacionamentos em volta do estádio devem ser transformados em parques para aumentar a permeabilidade do solo, freqüentemente inundado no verão. Também um reservatório subterrâneo será construído para armazenar as águas da chuva coletadas pela cobertura da estação, que depois devem ser usadas para irrigação.

Aberturas na cobertura da nova estação liberarão o ar quente, enquanto um jardim interno imenso abaixo do nível térreo contribuirá para o microclima e painéis solares na cobertura e no estacionamento gerarão energia. O projeto deve começar a ser realizado em agosto de 2009, mas já rendeu uma menção honrosa no prêmio Holcim de 2008 para a América Latina.

Com o pé mais no chão, estratégias podem ser adotadas nas mais simples construções. É o que mostrou um time do Laboratório de Eficiência Energética em Edificações da Universidade Federal de Santa Catarina liderado pela arquiteta Maria Andréa Triana e pelos engenheiros Roberto Lamberts e Marcio Antonio Andrade ao desenvolver uma torre de armazenamento, tratamento e aquecimento solar de água pluvial que pode ser incorporada tanto por moradias novas quanto existentes, mesmo em regiões onde predominam autoconstruções de grande adensamento. O projeto ganhou menção honrosa na premiação da Holcim.

Em uma porção inferior da torre de ferrocimento há uma cisterna que armazena água de chuva coletada pelo telhado da casa. Ela é utilizada, por exemplo, nas descargas. Um coletor solar aquece essa água, que é mantida quente em um tambor, para ser utilizada no banho. Ao substituir o chuveiro elétrico, um quarto do consumo de energia da casa pode ser reduzido. Já na parte superior é armazenada água tratada e potável, para as torneiras de pias.

Eliane considera os coletores solares para aquecimento de água uma das alternativas mais interessantes. "Infelizmente, seu uso no Brasil ainda é muito tímido. Agora que estão surgindo leis municipais e políticas de incentivos para essa tecnologia. Porém há muito por fazer pois não basta exigir seu uso. As edificações têm que estar preparadas para recebê-las", diz a professora.

Seja de alta ou baixa complexidade, disseminar tecnologias energeticamente eficientes é importante para que futuramente seus custos caiam. "Foi o que aconteceu com as lâmpadas fluorescentes compactas", exemplifica Westphal. "No início, eram caras e a economia não pagava o investimento em curto prazo." Com seu incentivo, ganharam credibilidade, seu uso cresceu, e sua oferta também. Resultado: hoje há lâmpadas compactas de qualidade por R$ 9,00 contra incandescentes comuns a R$ 2,00. "O custo é quatro vezes maior e a eficiência também. Ou seja, ela se paga."

E esse é o papel de certificações como o Leed - ou dos experimentos de "professores Pardais". Empresas que têm recursos instalam tecnologias inovadoras. Isso impulsiona a introdução dessas inovações no mercado, populariza os produtos e reduz os custos. No fim, todos saem ganhando.

Divulgação: Atkins
Dubai International Financial  Centre Lighthouse

Dubai, Emirados Árabes Unidos
Atkins
> Altura: 400 m (66 andares)
> Três turbinas eólicas de eixo horizontal de 29 m de diâmetro e 225 kW máximos com ventos entre 15 e 20 m/s
> 4.000 painéis fotovoltaicos
> Projeto conceitual

 

 

Divulgação: Gerber Architekten
Burj al-Taqa, Bahrain

Bahrain
Gerber Architekten, DS Plan

> Altura 322 m (68 andares)
> Sistema de "torres de vento"
> Turbina eólica de eixo vertical Darrieus de 60 m de altura no topo do edifício
> 32 mil m² de painéis fotovoltaicos
> Estação de hidrólise para produção  de H2
> Brise giratório que acompanha o sol
> Formato cilíndrico para diminuir a área exposta ao sol forte do Golfo Pérsico
> Custo: US$ 406 milhões
> Status: projeto

 

Shunji Ishida
Academia de Ciências da Califórnia

São Francisco, Califórnia, EUA

Renzo Piano Building Workshop, Stantec Architecture, Arup, SWA Group
> 10 mil m² de cobertura viva absorvem 14 milhões de litros de água pluvial por ano
> 213 mil kWh gerados por ano por  60 mil células fotovoltaicas (5% a 10%  do consumo do prédio)
> 90% do entulho dos prédios antigos reutilizados na construção de uma estrada
> 12 mil toneladas de aço recicladas  e usadas na estrutura metálica do  novo prédio
> 50% de madeira certificada
> 90% de espaços de ocupação intensa iluminados naturalmente
> Isolamento termoacústico feito com algodão de jeans reciclado
> Custo: US$ 429 milhões
> Status: inaugurado (2008)

 

Anton Grassl
Genzyme Center

Cambridge, Massachussetts, EUA
Behnisch Architekten

> 33 mil m² em 12 andares
> Iluminação interna natural mantida por heliostato no teto que acompanha o sol e reflete raios sobre espelho, que por sua vez os projeta para o átrio do prédio
> Redirecionamento de raios no átrio por meio de candelabros de espelhos
> Venezianas motorizadas que direcionam automaticamente luz natural no perímetro do edifício de acordo com movimento do sol
> 30 mil pontos de automatização controlados por um sistema central
> Cobertura viva
> 1/3 de fachadas duplas, separadas em 1,2 m com vão ventilado durante o verão
> 18 jardins internos
> Painéis fotovoltaicos
> Status: inaugurado (2004)

 

Divulgação: Zanettini
Cenpes da Petrobras-RJ

Rio de Janeiro (RJ)
Siegert Zanettini, José Wagner Garcia (co-autor), Centro de Pesquisas da Petrobras, Labaut-FAU-USP
Status: Projeto

Dez estratégias de sustentabilidade  do Centro de Pesquisas  da Petrobras
1 - Orientação solar adequada
2 - Forma arquitetônica adequada aos condicionantes climáticos locais
3 - Materiais construtivos das superfícies termicamente eficientes
4 - Superfícies envidraçadas com taxa de WWR (Window Wall Ratio) adequada
5 - Proteções solares externas adequadas às fachadas
6 - Ventilação natural
7 - Iluminação natural
8 - Uso da vegetação
9 - Sistema para uso racional e reúso de água
10 - Materiais de baixo impacto ambiental

 

Marcelo Scandaroli
Eldorado Business Tower

São Paulo (SP)
Aflalo & Gasperini Arquitetos 

> Resíduos destinados à reciclagem
> Materiais utilizados na construção produzidos na região
> Vagas no estacionamento destinadas a bicicletas e a veículos de combustível menos poluente
> Água captada da chuva e da condensação do sistema de ar-condicionado usada na irrigação de áreas verdes permeáveis, no espelho d'água, em vasos sanitários do térreo e dos subsolos e na lavagem dos pisos  das garagens
> Janelas com vidros de alta transmissão luminosa e baixa emissividade (0,30)
> Ar-condicionado com volume de ar variável (VAV)
> Elevadores com ADC e frenagem regenerativa, que recupera para outros elevadores energia dissipada quando um pára numa descida
> Luminotécnica noturna com lâmpadas fluorescentes atrás de fachada de vidro, evitando holofotes

 

Divulgação: Sidonio Porto Arquitetos Associados
Petrobras
Vitória (ES)
Sidonio Porto Arquitetos Associados

> Áreas verdes e espelhos d'água entre os prédios, para manter microclimas
> Relação janela-parede de 0,42 e aproveitamento de iluminação natural em 2/3 da profundidade das salas
> Coletores solares para aquecimento  de água para restaurante
> Painéis fotovoltaicos
> Uso de painéis em concreto  pré-fabricado
> Água pluvial armazenada em lagos para ser reutilizada em irrigação
> Tratamento de esgoto para reúso em instalações sanitárias

 

Divulgação: Dynamic Architecture
Dynamic Tower

Dubai, Emirados Árabes Unidos
Dynamic Architecture (David Fischer)

> Altura: 420 m (80 andares)
> 79 turbinas eólicas de eixo vertical
> Células fotovoltaicas
> Montagem modular com pré-fabricados
> Projeto conceitual, apartamentos  sob encomenda
Detalhamento:
20 primeiros andares: escritórios
21º ao 35º: hotel de luxo
36º ao 70º: apartamentos residenciais
71º ao 80º:  mansões verticais

Nas entradas das mansões serão instaladas garagens, que os moradores mais afortunados acessarão por meio de elevadores para carros.

Cada unidade, de 124 m2 a 1.200 m2, deverá custar entre US$ 4 milhões e US$ 40 milhões.

Pearl River Tower
Cantão, Guangdong, China
Skidmore, Owings & Merrill

> Altura: 309 m (71 andares)
> Turbinas elólicas de eixo vertical (Darrieus)
> Painéis fotovoltaicos
> Base larga e estreita para captar  mais vento
> Torres d'água com resfriamento geotérmico
> Em construção

Bahrain World Trade Center
Bahrain
Atkins

> Altura: 240 m (50 andares)
> Três turbinas eólicas de eixo horizontal de 29 m de diâmetro e 225 kW máximos com ventos entre 15 e 20 m/s
> Status: construído
> Geração: 1,3 mil MWh por ano

Melhores estratégias para um prédio energeticamente eficiente no Brasil
> Uso de brises para promover a proteção solar nas horas mais críticas
> Peitoris opacos, com tratamento térmico
> Uso de vidros com baixo fator solar
> Integração entre luz natural e artificial, por meio de sensores e controles que promovam o desligamento do sistema artificial quando a luz natural for suficiente
> Sistemas de ar-condicionado  com alta eficiência e  adequadamente dimensionados
> Ciclos economizadores integrados aos sistemas de ar-condicionado, quando o clima for propício
> Sistemas de distribuição de ar e controle mais individualizados
> Ventilação natural, quando o uso da edificação permitir
> Simulação computacional do desempenho térmico e energético da edificação para definir as estratégias mais adequadas ao clima e dimensionar adequadamente os sistemas de ar-condicionado

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