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Tecnologia

Argamassa expansiva


Emprego de argamassa expansiva substitui explosivos na demolição de um viaduto no Triângulo Mineiro e assegura a integridade das residências próximas à obra


Por Renato Faria


Fotos: divulgação 11º Batalhão de Engenharia de Co
Para dar fim à estrutura de um viaduto sobre a BR-262/MG, em Uberaba (MG), o Exército Brasileiro lançou mão de um sistema de demolição limpa, sem a utilização de explosivos. Com a injeção de argamassa expansiva para fraturar o maciço de concreto e o emprego de rompedores hidráulicos e maçaricos de acetileno, foi possível destruir a ponte sem colocar em risco a integridade das casas de um bairro adjacente à obra. A antiga ponte dará lugar a uma nova, de maior capacidade de tráfego.

A demanda pela ampliação da obra-de-arte, localizada na saída da rodovia para Araxá e Belo Horizonte, data de mais de 20 anos atrás e reflete a crescente importância do Triângulo Mineiro no Estado de Minas Gerais. O aumento populacional na região trouxe consigo a intensificação do tráfego de veículos e, consequentemente, a necessidade de um viaduto de maior capacidade do que o que ali existia desde a década de 1960.

Sua natureza improvisada, contudo, inviabilizava tecnicamente a ampliação. Executada originalmente como uma ponte ferroviária, a obra foi adaptada posteriormente ao trânsito rodoviário. Isso explica sua largura, incomum para um viaduto: na pista de apenas 4,50 m de largura, era possível passar apenas um veículo por vez. Por isso, segundo o tenente Ângelo França Santos, engenheiro do 11o Batalhão de Engenharia de Construção do Exército, responsável pela execução da obra, a única solução possível seria derrubá-la e construir um novo viaduto no mesmo local.

O procedimento mais rápido para derrubar a laje e os pilares implicaria utilização de dinamite. A Seção Técnica do 11o Batalhão estimava que, com esse método, a etapa de demolição seria completada em apenas 35 dias. No entanto, essa opção foi descartada de imediato, explica Ângelo, porque havia grande risco de que os destroços resultantes da explosão atingissem as casas próximas, localizadas a cerca de 150 m do canteiro.

A Seção Técnica começou a procurar tecnologias alternativas para realizar o serviço e, após pesquisas em publicações e na internet, o emprego da argamassa expansiva ganhou força. Uma empresa que já tinha o know-how desse método de demolição foi contratada para executar o serviço junto com os militares. Apesar de o tempo necessário para realizar a demolição ter sido cerca de 35% maior, segundo Ângelo, o custo total da solução foi 25% menor.

Processo
O processo teve início com a demolição da laje superficial - de 30 cm de espessura - que formava o pavimento do viaduto. Assim, atingia-se a estrutura original do viaduto ferroviário, em concreto armado, na qual seriam feitas as injeções de argamassa expansiva. Nessa cota foram feitos, com marteletes e perfuratrizes, os furos que receberiam a mistura - com 42 mm de diâmetro e 1,10 m de profundidade, em média, distanciavam-se, entre si, 30 cm a 40 cm.

Dos três segmentos demolidos do viaduto, o primeiro foi o vão de 14 m entre os dois pilares que apoiavam a estrutura. Em seguida, foram derrubados os trechos entre os pilares e as duas cabeceiras, com aproximadamente 6 m de extensão cada um.

As injeções foram executadas na região dos apoios desses segmentos. Cada furo era preenchido com a mistura de argamassa expansiva, pasta de cal e carbonato de cálcio que reage quimicamente, passando por uma forte expansão de volume. A pressão aplicada sobre a parede dos furos, que pode chegar a mais de 5 mil t/m², rompe o concreto e cria uma fissura na direção longitudinal da laje. O tempo médio de reação, segundo Ângelo, gira em torno de 12 horas.

As fissuras decorrentes da ação da argamassa eram ampliadas com rompedores hidráulicos até se ter acesso às armaduras da laje. Depois, o aço era cortado com o auxílio de maçaricos de acetileno. A alta densidade de armaduras nas regiões das cabeceiras do viaduto foi um fator que dificultava a demolição desses trechos, segundo o tenente Santos.

Argamassa
O produto, em forma de pó, é armazenado em embalagens de 5 kg. Para preparar a argamassa, mistura-se gradualmente o pó em água, na proporção de 30% de seu peso - ou seja, 1,5 l para cada pacote do produto. Para ser aplicada, a mistura deve apresentar consistência cremosa e fluida, sem grumos. A injeção é feita em um intervalo de tempo de 5 a 15 minutos.

Por questão de segurança, não se deve aproximar o rosto dos furos nas primeiras duas ou três horas após a aplicação, pois existe a (remota) possibilidade de expulsão violenta do material se os procedimentos não forem respeitados. Caso o tempo esteja bom, os furos preenchidos com argamassa não devem ser cobertos. Isso só é recomendado em caso de chuva, para que a água não modifique o traço da mistura e anule o efeito da expansão.

Como foi a demolição

Fotos: divulgação 11º Batalhão de Engenharia de Co

1) Viaduto sobre a BR 262-MG antes da demolição

2) Demolição do tabuleiro superior com emprego de rompedor hidráulico

3) Abertura dos furos para injeção da argamassa expansiva

4) Aplicação da calda de argamassa expansiva

5) Queda da primeira parte da laje do viaduto, no segmento entre os pilares

Conteúdo online exclusivo:
>>> Confira o artigo do major William Rubbioli Cordeiro e do tenente Ângelo França Santos, da 11º Batalhão de Engenharia de Construção do Exército Brasileiro, sobre o uso de argamassa expansiva na demolição de um viaduto no Triângulo Mineiro.

 
 
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