| Artigo |
|
| |
 Gestão de resíduos via web site
 |
| O gerenciamento de resíduos deve ter início no local gerado | O interesse por políticas públicas para os resíduos gerados pelo setor da construção civil tem se acirrado com a discussão de questões ambientais (Souza et al., 2004). Dados levantados por Schneider (2004) sobre a geração dos resíduos da construção civil mostram que essa questão é mundialmente reconhecida. O setor tem o desafio de conciliar uma atividade produtiva dessa magnitude com as condições que conduzam a um desenvolvimento sustentável (Pinto, 2005). Nesse contexto, verifica-se a necessidade de implantação de diretrizes para a efetiva redução dos impactos ambientais gerados pelos resíduos de construção e demolição (RCD). A implantação de um sistema de gestão de resíduos não só contribuirá para o avanço técnico-gerencial dos municípios como também para o uso racional dos recursos naturais. Assim, este trabalho tem por objetivo apresentar uma ferramenta computacional para gestão de resíduos da construção civil, servindo de auxílio para a administração municipal.
Resíduo de construção e demolição da indústria da construção civil
Constrói-se a sustentabilidade ambiental e social na gestão dos resíduos sólidos por meio de modelos e sistemas integrados, que possibilitam a redução dos resíduos e proporcionam a implantação de programas que permitem a reutilização desse material. Assim como pela reciclagem, os resíduos servem de matéria-prima para a indústria, diminuindo o desperdício e gerando renda (Galbiati, 2005).
Com base nas afirmações de Pinto (2000), a gestão dos resíduos de construção e demolição inicia-se no canteiro de obras, com o confinamento da maior parte dos resíduos no seu local de origem evitando, dessa forma, que a remoção da obra gere problemas e gastos públicos. Salienta-se, ainda, que a utilização da reciclagem pelo construtor expressa sua responsabilidade ambiental e atuação correta como gerador, além de ser economicamente vantajoso, pois possibilita um avanço na qualidade de seus processos e produtos.
O gerenciamento dos resíduos de construção e demolição no local de geração representa uma importante ferramenta para que a indústria da construção assuma sua responsabilidade com o resíduo gerado no ambiente urbano (Rampazzo, 2002).
De acordo com Souza et al. (2004), o interesse em conhecer a quantidade de resíduos gerados pela indústria da construção civil remete-se às discussões sobre a redução de desperdícios. Em 1986, o arquiteto Tarcísio de Paula Pinto iniciou uma discussão ampla sobre o assunto, e sua pesquisa teve como objetivo estudar o uso do material reciclado para produção de argamassas.
No âmbito municipal foi introduzida uma nova regulamentação para o setor da construção civil, por meio da resolução 307/02 do Conama (Conselho Nacional do Meio Ambiente) a qual disciplina a destinação dos resíduos de construção. A orientação principal dessa resolução é disciplinar o segmento de forma a estimular a não-geração de resíduos, inicialmente classificando os geradores de resíduos em "grandes geradores" (construtoras) e "pequenos geradores" (particulares).
Estrutura metodológica do trabalho
A área de referência para o presente estudo foi a cidade de Passo Fundo (RS), um município de médio porte localizado no Planalto Médio, na região Norte do Estado do Rio Grande do Sul. Tem uma população aproximada de 180 mil habitantes e apresenta um clima temperado subtropical úmido e temperatura média anual de 17,5ºC. Tem um comércio expressivo e aperfeiçoamento constante de sua infraestrutura. Passo Fundo é considerado um dos mais importantes municípios do Rio Grande do Sul, destacando-se como um dos fatores predominantes em sua economia a indústria da construção civil, tendo com média de 180.000 m² de área em construção no ano de 2005 (Passo Fundo, 2006).
As etapas de desenvolvimento dessa pesquisa acompanham uma sequência, na qual o estudo divide-se em duas fases: a primeira refere-se à sistematização de um modelo de gestão de resíduos de construção civil e a segunda, à criação de uma ferramenta computacional com aplicação em website, embasada no referido modelo.
Para a elaboração do modelo, analisou-se o Plano Integrado de Gerenciamento de Resíduos da Construção Civil de Passo Fundo, no qual são apresentadas algumas definições e itens relevantes para esse trabalho, como o Programa Municipal de Gerenciamento de Resíduos da Construção Civil e o Projeto de Gerenciamento de Resíduos da Construção Civil, entre outros processos e diretrizes. Esse plano foi fornecido pela Secretaria Municipal de Serviços Urbanos de Passo Fundo.
Usando como referência o Plano Integrado de Gerenciamento de Resíduos da Construção Civil foi elaborado o modelo de gestão de resíduos da construção civil para o município de Passo Fundo, o qual apresenta uma sequência de atividades a serem realizadas, cumprindo diretrizes, critérios e procedimentos para a gestão dos resíduos da construção civil, de acordo com a legislação vigente.
Finalizado o modelo, elaborou-se uma ferramenta computacional para servir de auxílio na gestão municipal dos resíduos de construção civil com aplicação em website.
Considerações finais
Nos testes preliminares realizados, a ferramenta computacional mostrou-se adequada ao seu propósito, constituindo-se, assim, em uma importante e atualizada fonte de consulta, com informações reais que contribuem para a tomada de decisões.
O modelo e o programa desenvolvidos podem ser aplicados em outros municípios, com as adequações que se fizerem necessárias, devido às especificidades locais. Assim como é possível, por sua interface amigável, a adaptação da ferramenta computacional para empresas particulares interessadas em proceder à gestão de resíduos de construção e demolição.
Apresentação dos resultados O modelo de gestão de resíduos de construção civil para o município de Passo Fundo é apresentado em 11 fases, as quais são apresentadas na figura ao lado.
Fase 1: Implantar o PMGRCC (Programa Municipal de Gerenciamento de Resíduos de Construção Civil) - O poder público municipal deverá definir um órgão da administração municipal responsável pela gestão do resíduo de construção civil do município.
Fase 2: Desenvolver os Projetos de Gerenciamento de Resíduos da Construção Civil - Os grandes geradores e transportadores de RCD devem realizar os PGRCC (Projetos de Gerenciamento de Resíduos da Construção Civil). Essas empresas devem apresentar ao órgão responsável pelo RCD da Prefeitura Municipal os procedimentos necessários para transporte, manejo, transformação e destinação do resíduo da construção e demolição.
Fase 3: Fornecer informações sobre o licenciamento para as áreas de beneficiamento e de disposição final de RCD - O órgão municipal responsável pela gestão e o gerenciamento do resíduo de construção e demolição tem como objetivo informar aos interessados sobre os procedimentos e parâmetros a serem adotados para licenciar áreas de beneficiamento e de disposição final de RCD.
Fase 4: Não permitir a disposição dos resíduos de construção em áreas não licenciadas - O poder público municipal deverá formular uma lei municipal que não permita a disposição dos RCD em áreas não licenciadas. Essa lei deverá prever multas às empresas que não a cumprirem, e ao proprietário do terreno.
Fase 5: Cadastrar áreas possíveis de recebimento, triagem e armazenamento - As possíveis áreas podem ser cadastradas com auxílio de planilhas, nas quais constem área, endereço e bairro.
Fase 6: Incentivar a reinserção dos resíduos reutilizáveis ou reciclados - Realizar ações no tratamento e destinação dos resíduos da construção civil com o objetivo de minimização da geração dos RCD, reinserindo esse material no ciclo produtivo.
Fase 7: Definir critérios para o cadastramento de empresas coletoras - São exemplos de critérios para o cadastramento das empresas coletoras: Nome da empresa, endereço, telefone, veículos utilizados, equipamentos utilizados, hora e frequência da coleta.
Fase 8: Orientar e educar os agentes envolvidos no processo de coleta e transporte de RCD - Sugere-se a adoção de algumas atividades, como por exemplo: definir grupos de trabalho, orientar agentes envolvidos, realizar reuniões e desenvolver atividades de educação ambiental.
Fase 9: Programar atividades de fiscalização e de controle dos agentes envolvidos - Quando definido o número de fiscais, o município pode ser dividido em áreas. Cada fiscal será responsável pela fiscalização de uma área, controlando os agentes coletores e os transportadores.
Fase 10: Programar atividades educativas - Trata-se de atividades de sensibilização, mobilização e educação ambiental para os trabalhadores da construção civil e comunidade, visando atingir as metas de minimização, reutilização e segregação dos resíduos sólidos na origem, seu correto acondicionamento, armazenamento e transporte, elaborando assim o Plano de Comunicação e Educação Ambiental.
Fase 11: Implantar áreas de manejo de RCD - Nas áreas de manejo, os espaços devem ser diferenciados, com locais para a recepção dos resíduos que tenham de ser triados como os resíduos da construção, resíduos volumosos, resíduos secos da coleta seletiva e outros, para que a remoção seja realizada por circuitos de coleta, com equipamentos adequados a cada tipo de resíduo.
Ferramenta computacional com aplicação em website Para desenvolvimento da ferramenta computacional foi utilizado o banco de dados Access 2002, da Microsoft, assim como o Microsoft Visual Basic v. 6.3 para a programação.
Com auxílio do Modelo de gestão de resíduos da construção civil para o município de Passo Fundo, foi criado um caminho, baseado na sistematização de tarefas. A partir do caminho traçado, foi montada cada página do website.
A primeira interação com o programa realizado por procedimentos de cadastramento, a digitação das informações adquiridas é realizada conforme a solicitação das telas. Os dados são armazenados para consultas e análises futuras.
O website foi desenvolvido tendo em sua página principal, além de uma breve apresentação, os principais links que remetem às suas páginas específicas. São eles: resíduos, Programa Municipal de Gerenciamento de Resíduos da Construção Civil, áreas de deposição, cadastros de empresas de coleta e transportes de RCD e um link "fale conosco" para troca de informações e realimentação.
Nas figuras a seguir são apresentadas e brevemente descritas as páginas integrantes do website.
A figura 1 apresenta o portal de acesso para o website, que auxilia o poder público a proceder com a gestão dos resíduos de construção e demolição oriundos do município.
A figura 2 apresenta o link "Resíduo" aberto, com a discriminação dos resíduos Classe A. Tratamento e destinação dos resíduos da Classe A (há telas também das classes B, C e Classe D).
 |
| Figura 1 - Portal de acesso para o website |
 |
| Figura 2 - Tratamento e destinação dos resíduos da Classe A |
 |
| Figura 3 - Apresentação e explicações sobre como realizar o PMGRCC |
 |
| Figura 4 - Etapas para desenvolver o PMGRCC |
As figuras 3, 4 e 5 mostram alguns itens importantes do link "programa municipal de gerenciamento de resíduos da construção civil" dentre as funcionalidades do site relacionadas ao tema estão:
n breve explicação e etapas e serem seguidas para os "projetos de gerenciamento de resíduos da construção civil". n "procedimentos" que os pequenos e grandes geradores devem seguir para elaborar o PMGRCC. n link "licenciamento" para as áreas de beneficiamento e de disposição final dos resíduos. n link "disposição irregular", com a opção de preenchimento de um formulário aos interessados. n preenchimento do formulário, com cadastro de uma área hipotética. n link "Plano de ação", que apresenta ações educativas com o objetivo de reduzir a geração de resíduos.
A figura 6 mostra o link "Áreas de deposição" do link "Aterro da Pedreira", em que apresenta a localização desta área e mostra por onde passa o rio Passo Fundo.
A figura 7 mostra o link "cadastramento de áreas", onde há a possibilidade de cadastrar uma possível área de recebimento de resíduo de construção e demolição (RCD)
Existe um link "áreas de manejo de RCD", onde há uma breve definição sobre pequenos e grandes volumes de resíduos.
 |
| Figura 5 - Como proibir a disposição dos resíduos de construção em áreas não licenciadas |
 |
| Figura 6 - Vista aérea do Aterro da Pedreira e do rio Passo Fundo, próximo ao aterro |
 |
| Figura 7 - Cadastramento de áreas para futura análise a fim de escolher um novo aterro de RCD |
 |
| Figura 8 - Cadastro das empresas geradoras de RCD |
A figura 8 mostra o cadastro a ser preenchido pelas empresas geradoras de resíduos de construção e demolição, no link "empresas geradoras".
Há também a possibilidade de: n cadastramento de empresas coletoras de resíduos de construção e demolição. n cadastramento de proprietários que têm interesse em disponibilizar áreas para receber aterro, no link "áreas de recebimento". n cadastramento de agentes de fiscalização das áreas de deposição irregulares, no link "agentes ` de fiscalização".
Luisete A. Karpinski, engenheira Civil, Engenheira de Segurança do Trabalho, Mestre em Engenharia, professora da faculdade de agronomia, do Instituto de Desenvolvimento Educacional do Alto Uruguai - Ideau, luisete@karpinski.com.br
Adalberto Pandolfo, doutor em Engenharia de Produção, Professor e titular do Programa de Pós-Graduação em Engenharia, Universidade de Passo Fundo, pandolfo@upf.br
Aguida G. Abreu, doutora em Engenharia Civil, Professora-assistente do Programa de Pós-Graduação em Engenharia, Universidade de Passo Fundo, aguida@upf.br
Amauri G. Moraes, mestre em Engenharia, Professor de Informática, Fundação Universidade de Passo Fundo, amauri@upf.br
Luciana M. Pandolfo, doutoranda em Engenharia Civil pela UFRGS, Professora-adjunta da Faculdade de Engenharia e Arquitetura, Universidade de Passo Fundo, marcondes@upf.br
Renata Reinehr, bolsista CNPq, Acadêmica do Curso de Engenharia Civil, Universidade de Passo Fundo, renatinha_b2@yahoo.com.br
Leia mais
O Gerenciamento Integrado de Resíduos Sólidos e a Reciclagem. Educação ambiental para o Pantanal. A. F. Galbiati. Disponível em www.redeaguape.org.br/desc_artigo.php?cod=92. Acesso em: 06 dez. 2005.
Reciclagem no Canteiro de Obras - Responsabilidade Ambiental e Redução de Custos. T. de P. Pinto. Revista de Tecnologia da Construção - Téchne, ano 9, no 49, p. 64-68, 2000.
Gestão Ambiental de Resíduos da Construção Civil: a Experiência do SindusCon-SP, São Paulo. T. P. Pinto, (Coord.) Obra Limpa: I&T: SindusCon-SP, 2005.
A Questão Ambiental no Contexto do Desenvolvimento Econômico. In: Desenvolvimento Sustentável necessidade e/ou possibilidade? S.E. Rampazzo. 4. ed. Santa Cruz do Sul: Edunisc, 2002. 161 - 190.
Public Management of Construction and Demolition Waste in the City of São Paulo. D. M. Schneider e Philippi, A. JR. Ambiente construído, Porto Alegre, 2004.
Diagnóstico e Combate à Geração de Resíduos na Produção de Obras de Construção de Edifícios: uma Abordagem Progressiva. U. E. L. de Souza, et al. Ambiente Construído, v.4, no 4, p.33-46, 2004.
Passo Fundo. Prefeitura Municipal. Mapas. Disponível em: www.pmpf.rs.gov.br. Acesso em: 13 fev. 2006. Passo Fundo. Prefeitura Municipal. Secretaria de Transporte Modalidade Urbana e Segurança. Disponível em: www.pmpf.rs.gov.br. Acesso em: 13 fev. 2006.
|
| |
| |
|
 |
| |
|
|
 |
|